Riscos do sobrepeso provocam alerta

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10.06.2019, 06:00:00
(Foto: Shutterstock/Divulgação)

Riscos do sobrepeso provocam alerta

A gordura é sempre ruim? Entenda os efeitos no corpo e quando é preciso se preocupar

Sobrepeso é doença? Quais são os riscos reais que ele traz para a saúde? Conheça alguns mitos e verdades sobre o tema que está em evidência por conta de eventos recentes. Entre eles, o encontro realizado entre a ONU e o governo brasileiro, na última semana, para discutir os riscos da obesidade na infância, e o 1º Simpósio de Metabologia e Obesidade do Hospital Português, encerrado no sábado (8) com evento gratuito sobre a prevenção do sobrepeso.

Mas, afinal, o que é sobrepeso? Classificação definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o sobrepeso é medido a partir do Índice de Massa Corporal (IMC). Seu cálculo é feito com o peso (kg) dividido pela altura ao quadrado (m²) e o resultado entre 25 e 29,9 é classificado como sobrepeso. Quando o valor está acima de 30, é considerado pela OMS como obesidade e aí existem as classificações 1, 2 e 3 (que é considerada obesidade mórbida).

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“Hoje em dia, 25% das pessoas no Brasil estão obesas e metade da população brasileira está com sobrepeso”, pontua o cardiologista Marcos Barojas, membro titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). “A magreza não traz necessariamente a saúde. Entretanto, a obesidade por si é uma situação de risco. Quanto maior - não necessariamente o peso, mas o percentual de gordura acumulado -, maior o risco”, explica o médico. 

Apesar do cuidado de alguns especialistas em deixar claro que nem toda pessoa gorda é doente, os profissionais destacam que é preocupante o número de pessoas que estão acima do peso estipulado como ideal pela OMS. O motivo da preocupação está no fato de que o sobrepeso é um estado anterior à obesidade e esta é fator de risco para doenças como hipertensão, diabetes, apneia do sono, câncer, infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC).

“O paciente com obesidade tem o risco dobrado de desenvolver diabetes, até três vezes o risco maior de desenvolver hipertensão, tem risco aumentado de desenvolver cânceres como o de próstata, fígado, endométrio e pâncreas, além de ter mais chance de desenvolver apneia do sono e asma”, alerta a endocrinologista Maria Creusa Rolim, membro titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia.

(Foto: Marketing Hospital Português/Divulgação)

Gordura má?
Como qualquer componente corporal, porém, a gordura tem seu mérito, pondera o cardiologista Marcos Barojas. “A gordura tem sua necessidade fisiológica e, para isso, tem quantidades mínima e máxima. Mas o que estamos falando é do excesso”, ressalta o médico. Para ele, “ver pessoas engordando mais e se mexendo menos é um problema”, já que o sedentarismo é um dos principais fatores de risco à saúde, ao lado do tabagismo, da pressão alta, do colesterol alto e do açúcar elevado ou diabetes.

O percentual de gordura acima do ideal estipulado pela OMS é tratado por Barojas como um fator de risco como o tabagismo, sendo monitorado com o mesmo cuidado. “Nos pacientes que fumam, eu faço tomografia todo ano para rastrear câncer de pulmão, faço laringoscopia para rastrear câncer de laringe, faço ultrassom para rastrear câncer de bexiga... E a pessoa fuma. Eu a respeito. Independente do motivo que faça a pessoa seguir com o excesso de peso, rastreio ela com mais vigilância”, compara.

Militantes pedem medicina mais humana

O que muitos não sabem é que a gordura tem aspectos bons e ruins. Por um lado, ela produz pré-hormônios que viram estrógeno e a mulher que é exposta a esse hormônio tem mais chance de desenvolver câncer de mama, ovário e endométrio, explica Maria Creusa Rolim. A endocrinologista destaca, ainda, que a gordura abdominal, que se infiltra em órgãos como fígado e intestino, é a mais preocupante, já que aumenta o risco de mortalidade cardiovascular.

Por outro lado, ao mesmo tempo em que a gordura é um órgão hormonal que produz tecido inflamatório, ela também produz hormônios como a adiponectina, que faz bem ao corpo.

“A gordura situada no quadril é de qualidade melhor, produz hormônios mais benéficos, protetores, quando comparada com a gordura situada no abdômen”, explica a endocrinologista.

Superficial
Apesar de adotado como padrão, o IMC é um índice questionado, porque é um modo simplificado de quantificar o peso do indivíduo. Além de seu resultado sofrer interferência por causa de uma lesão na coluna ou alteração hormonal, por exemplo, sua medição não diferencia os componentes muscular, adiposo, líquido, os órgãos ou ossos. 

“O IMC é adequado para a saúde populacional. Mas quando a gente vai para uma assistência individualizada, precisa entender como esse peso está distribuído”, explica Barojas. Daí a necessidade de ferramentas mais apuradas como a medição de circunferência abdominal, quadril e cintura, a tomografia com quantificação real de gordura intra-abdominal, a bioimpedância ou a densitometria de corpo total, que mede a quantidade de massa gorda, magra e hidratação.

Diante do alerta para os riscos do sobrepeso e da obesidade, considerada doença pela OMS, Maria Creusa Rolim lembra que pessoas magras podem ser sedentárias e menos saudáveis. “Não é o peso que define o sedentarismo e a saúde da pessoa. Nem todo obeso é doente, mas a obesidade aumenta o risco de ter doenças ligadas a ela”, pondera. “O que a gente vê, hoje, é que a população que está engordando está adoecendo mais. Então a gente precisa alertar para isso”, finaliza.

Dez coisas que você precisa saber

1. O que é o IMC
Adotado pela Organização Mundial de Saúde, o Índice de Massa Corporal (IMC) é calculado a partir do peso da pessoa dividido por sua altura ao quadrado.

2. Sobrepeso x obesidade
O sobrepeso é o valor do IMC que está entre 25 e 29,9. Acima de 30, é considerado obesidade e aí tem as classificações 1, 2 e 3 (que é considerada obesidade mórbida).

3. Superficial
Nem sempre o IMC é adequado para medir o que se considera excesso de peso, já que não diferencia componente muscular, adiposo, líquido, órgãos ou ossos.

4. Exames alternativos
Medição de circunferência abdominal, quadril e cintura; tomografia com quantificação de gordura intra-bdominal; densitometria de corpo total; bioimpedância.

5. Fatores de risco
Existem cinco principais fatores de risco à saúde da pessoa: o açúcar elevado ou diabetes, a pressão alta, o colesterol elevado, o tabagismo e o sedentarismo.

6. Sobrepeso é doença?
Não, é um estado anterior à obesidade. Esta é fator de risco para doenças como hipertensão arterial, diabetes, apneia do sono, câncer, infarto e AVC.

7. Gordura x câncer
A gordura produz pré-hormônios que viram estrógeno. a mulher exposta a esse hormônio tem mais chance de desenvolver câncer de mama, ovário e endométrio.

8. Gordura x abdômen
A gordura que se infiltra nos órgãos do abdômen, como fígado, intestino, é uma gordura ruim, porque aumenta o risco de mortalidade cardiovascular.

9. Gordura é só ruim?
A gordura é um órgão hormonal que produz tecido inflamatório e hormônio como a adiponectina, que faz bem ao corpo. A gordura depositada no quadril é benéfica.

10. Todo gordo é doente?
Não. A obesidade aumenta o risco do desenvolvimento de doenças, porém nem toda pessoa gorda é doente. Não é o peso que define a saúde do indivíduo.

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