Rivalidade entre grupos criminosos cresceu a partir de 2010; MP e PM vão apurar

salvador
04.04.2014, 07:43:00
Atualizado: 04.04.2014, 07:48:30

Rivalidade entre grupos criminosos cresceu a partir de 2010; MP e PM vão apurar

Polícia afirmou ter conhecimento da atuação do PCC em Salvador e disse que o grupo está espalhado por todo o país

Fora do mundo virtual, a rivalidade real entre CP e PCC na Bahia ganhou força em 2010. Naquele ano, os traficantes José Roberto dos Santos, o Robertinho, e Davi Vieira, o Gordo, ligados à CP, foram presos pelo assassinato da paulista Camila Frias, que saiu de São Paulo para entregar na Bahia 10 quilos de cocaína enviados pelo PCC.

O caso ganhou repercussão na época depois que o filho de Camila, o bebê Rickelmy, foi encontrado sozinho dentro de um carro na Paralela. Segundo a polícia, Robertinho e Gordo mataram Camila e seu acompanhante após sequestrarem a dupla e receberem R$ 50 mil do PCC pelo resgate. Robertinho foi encontrado enforcado em sua cela, num caso tratado como suicídio.

A CP surgiu como grupo organizado dentro dos presídios baianos na década de 1990, sob o comando do traficante carioca Mário Carlos Jezler da Costa, que utilizou os métodos do Comando Vermelho na Penitenciária Lemos Brito (PLB). Seu sucessor foi Ebérson Santos Silva, o Pitty, que tinha como principal rival o traficante Genilson Lino da Silva, o Perna, hoje mantido numa prisão federal no Paraná.

Pitty morreu em 2007 e quem assumiu a dianteira da CP foi Claudio Eduardo Silva, o Cláudio Campanha, acusado de ordenar uma série de execuções em Salvador e Região Metropolitana. Atualmente, ele está preso no Mato Grosso do Sul, mas, segundo a polícia, ainda dá as ordens na CP.

Ainda solto, um dos membros mais procurados do grupo é Anderson Costa dos Santos, o Olho de Gato, que atua no Tancredo Neves. Nas redes sociais, ele é exaltado em postagens a favor da CP e apontado como alvo nas mensagens pró-Caveira (PCC). Olho de Gato é uma das cartas do Baralho do Crime e está listado no almanaque dos assassinos mais procurados de Salvador.

Polícia e MP prometem apurar, mas evitam apontar disputa
“Se houver indícios (de apologia ao tráfico de drogas), a polícia vai investigar através de e-mails e informações do Facebook, além de interrogatório e ida a campo”, afirmou, ontem, o diretor do Departamento de Narcóticos (Denarc), André Viana. Ao CORREIO, ele afirmou ter conhecimento da atuação do PCC em Salvador e disse que o grupo está espalhado por todo o país.

“Aqui não possui a mesma força como em São Paulo e no Sudeste”, ressaltou. Já o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), por meio do Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos (Nucciber), analisa as páginas e ainda não possui uma conclusão sobre o seu conteúdo.

Segundo o promotor Fabrício Rabelo Patury, coordenador do núcleo, seria arriscado emitir qualquer posição sobre o assunto. “Nem a gente entende ainda se é uma apologia individual ou articulada”, frisou. Ele também diz que organizações como o PCC não estão mais centralizadas em São Paulo e cogita que o conteúdo da internet não seja verdadeiro.

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