Salas vazias: o último dia dos cinemas antes do fechamento pelo Coronavírus

entretenimento
18.03.2020, 06:00:00
Atualizado: 18.03.2020, 11:07:14
A cabeleireira Érica Aguiar aproveitou o baixo movimento e foi curtir uma comédia brasileira no cinema (Betto Jr. / CORREIO )

Salas vazias: o último dia dos cinemas antes do fechamento pelo Coronavírus

Data foi marcada pelo pouco movimento e programação sem nenhuma estreia pela primeira vez na história

Pipoca na mão, luz apagada e uma poltrona confortável. É assim que maioria de nós aguarda o fim do trailer e o começo de uma sessão de filme no cinema. Mas esse hábito vai mudar nas próximas semanas - ou até meses.

Isso porque, segundo decreto anunciado pelo prefeito ACM Neto, todas as salas de cinema da capital estão fechadas pelos próximo 15 dias, podendo o prazo ser ampliado, por conta da pandemia de coronavírus.

A determinação afeta as estreias de alguns longas-metragens aguardados, como o terror Um Lugar Silencioso 2 e o drama nacional Três Verões, com Regina Casé. Honeyland, Tel Aviv em Chamas e Quarto 212 também tiveram sua chegada às telas suspensa. Pela primeira vez na história, não há estreias nos cinemas brasileiros.

Desde o último fim de semana, o movimento nas salas já havia caído, afinal, os mais cautelosos já estavam evitando aglomerações em espaços fechados. Mas ontem já era possível ver e imaginar como ficarão as salas daqui para frente: vazias.

Um Lugar Silencioso 2, Três Verões e Tel Aviv em Chamas estão entre as estreias suspensas (Foto: Divulgação)

Em raros casos, algumas pessoas se aproveitam do baixo movimento para curtir um último filme antes do fechamento dos espaços, como a cabeleireira Érica Aguiar, de 31 anos. “Trabalho no shopping e como já estava lá, vi que estava com pouco movimento e resolvi ir”, contou Érica, que assistiu à comédia Solteira Quase Surtando com apenas mais uma pessoa na sala. “Se estivesse cheio, não teria ido”.

O fechamento das salas não muda apenas a rotina dos espectadores. Altera também o trabalho de quem programa e gerencia os cinemas. Para Suzana Argollo, diretora financeira e de programação do Circuito Saladerate, que tem quatro espaços na cidade, este é um momento muito preocupante para os cinemas.

A sala do CineMAM, no Circuito Saladearte, foi reaberta em julho de 2019 (Foto: Arisson Marinho / CORREIO)

Apenas na Saladearte, foi registrada uma queda de 70% no movimento deste fim de semana, comparado com o anterior. Fora do Brasil, não foi diferente: nos EUA, o último final de semana foi o de menor arrecadação desde setembro de 2000.

“Então, além de pensar no coletivo, percebemos que não estava sendo viável manter as salas abertas”, explicou Suzana. Agora, as ações estão voltadas para reduzir os custos dos espaços, em tempos que não há público.

Entre esses procedimentos, está o anúncio de férias coletivas para os funcionários, que ajudam a minimizar os danos financeiros, além de ser uma medida coletiva de prevenção. Segundo Caio Silva, diretor executivo da Abraplex (Associação Brasileira das Empresas Exibidoras Cinematográficas Operadoras de Multiplex), essas ações podem ser tomadas de forma individual, dependendo de cada um dos complexos de cinema.

"Vou ficar com saudade de voltar ao cinema depois dessa", disse Érica

E agora que as salas estarão fechadas, a melhor alternativa para curtir um filme são as plataformas de streaming. O estudante Felipe Aguiar, 21, sempre curtiu ir ao cinema, tanto pela diversão como trabalho. Ele é colaborador de um site de entretenimento sobre filmes e séries e lembra que com as salas fechadas para as estreias, vale a pena vasculhar a grande variedade oferecida pelos streamings: “Esses canais acabam divulgando muito o cinema nacional e têm coisas que as pessoas geralmente não têm acesso”.


*com orientação do editor Roberto Midlej

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