Salvador: Um fragmento da história do Rio Vermelho

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28.04.2019, 19:47:00
Atualizado: 24.05.2019, 20:07:15

Salvador: Um fragmento da história do Rio Vermelho

A paisagem do bairro mudou muito, mas nomes como Largo da Mariquita (Mairaquiquiig), de origem Tupi, sobrevive aportuguesado até hoje

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Foto: Claudionor Junior/Arquivo Correio

(Foto: Claudionor Junior/Arquivo Correio)

O descobrimento das terras onde se localiza o bairro do Rio Vermelho antecede em 40 anos a fundação da cidade do Salvador, quando o português Diogo Alvares Correia, no ano de 1509, sobreviveu a um naufrágio e chegou até a Pedra da Concha, uma ilhota de pedras bem ao lado do Morro do Conselho e defronte da foz do Rio Camorogipe. 

Diogo Alvares, que ganhou a alcunha de Caramuru, dada pelos índios Tupinambás depois de disparar uma arma de fogo, aprendeu a língua dos nativos e se transformou no pioneiro da miscigenação racial baiana, graças a sua união com a índia Catharina Paraguaçu, além de instalar um entreposto de escambo de Pau-Brasil com aventureiros franceses onde hoje fica o Largo da Mariquita. 

A paisagem do Rio Vermelho mudou bastante, óbvio, desde o ano de 1509, mas nomes como Largo da Mariquita (Mairaquiquiig) e Rio Camorogipe (Camoroipe), de origem Tupi, sobreviveram aportuguesados até hoje. 

Em outro ponto do Rio Vermelho, na enseada de Santana, uma pequena capela de taipa e teto de palha, com a frente voltada para o mar, foi erguida por padres Jesuítas, em 1580,  para catequese dos indígenas. Ao ser reconstruída em alvenaria, a capela de Nossa Senhora Sant’Ana foi colocada com a frente para a posição que se encontra até hoje. O templo foi sede da paróquia de Sant’Ana do Rio Vermelho até 1967, quando uma nova igreja matriz foi construída ao lado da colônia de pesca.

Por volta de 1985, um projeto para melhorar o trânsito no bairro previa a demolição da antiga igreja e alterações no Largo de Sant’Ana. A pressão dos moradores com  uma campanha que contou com apoio de figuras ilustres, como Jorge Amado, Carybé e Mario Cravo, salvou a igreja da demolição, com o tombamento pelo Ipac do Largo de Sant’Ana, e preservou a memória do bairro.

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