Satélite: em protesto, auditores da Receita entregam cargos de chefia

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26.08.2015, 05:21:00

Satélite: em protesto, auditores da Receita entregam cargos de chefia

Em um movimento de protesto coordenado nacionalmente, 101 auditores fiscais da Receita Federal na 5ª Região, que abrange Bahia e Sergipe, entregaram os cargos de chefia e funções gratificadas desde o último dia 5. O número corresponde a 82% dos 123 postos comissionados nas unidades do Fisco dos dois estados. Apenas em Salvador, foram registrados 55 pedidos de exoneração até ontem, segundo dados obtidos pela Satélite com a  direção do sindicato da categoria (Sindifisco) na Bahia. Trata-se da mais dura resposta à exclusão dos auditores das carreiras valorizadas pela PEC 443, que vincula salários de delegados e advogados públicos a 90,25%  do subsídio mensal pago aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).  A proposta foi aprovada em primeiro turno pela Câmara na madrugada do dia 6.  “Não se trata de retaliação por salários, mas pela falta de reconhecimento ao trabalho de nossa categoria pelo governo federal e o Congresso. Como as outras, somos uma carreira de Estado, merecíamos a mesma valorização”, criticou o presidente do Sindifisco baiano, Luis Cláudio Martins.

Caso sério
Ao contrário de anos anteriores, a entrega dos cargos de chefia ultrapassou pela primeira vez a fronteira do gesto simbólico. Todos os 101 auditores da Bahia e Sergipe que encamparam o protesto, entre mais de 900 em todo o Brasil, pediram exoneração oficialmente ao Ministério da Fazenda, por meio de processo administrativo. Ou seja, a queda-de-braço é para valer.

Ajuste mais frouxo
Entre os cargos entregues, estão delegados do Fisco, chefes de setor e inspetores da Receita nos aeroportos e portos do estado. Segundo o Sindifisco, o movimento vai comprometer a arrecadação tributária para este ano. “Já há redução no número de operações contra sonegação e nas fiscalizações a empresas, com metas no vermelho”, disse Luis Carlos Martins.

No alto do telhado
Pelo zum-zum-zum em Brasília,  o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na Bahia, Carlos Amorim, está perto da porta de saída.  Além de não contar com a simpatia do ministro da Cultura, Juca Ferreira, Amorim entrou em constante rota de colisão com a presidente do Iphan, Jurema de Souza Machado. A pessoas próximas a ela na cúpula do ministério, Jurema deixou claro que pretende substituí-lo.

Abrigado no CAB
Um dos novos militantes pró-PT na capital, o ex-vereador Valdenor Cardoso foi recompensado com o cargo de assessor especial da Ouvidoria-Geral do Estado, vinculada à Secretaria de Comunicação Social do governo. Ex-presidente da Câmara no primeiro mandato do ex-prefeito João Henrique, Cardoso teve quatro contas rejeitadas pelo TCM por causa de gastos suspeitos com publicidade.

Crônica anunciada
Conforme antecipado pela Satélite na quinta-feira passada, o presidente da Assembleia, deputado Marcelo Nilo (PDT), anunciou o enterro da CPI das Obras Paradas na sessão de anteontem.  A causa mortis - ausência de fato determinado -  também foi cravada pela coluna, que arrisca uma nova previsão. Dificilmente, a oposição conseguirá reverter a derrota, seja no tapetão judicial ou da Mesa Diretora da Casa.

Pílulas
*Faltou cadeira para advogados e aliados que lotaram o auditório do hotel Monte Pascoal (Barra) ontem à noite, no segundo encontro da pré-campanha à reeleição do presidente da OAB no estado, Luiz Viana Queiroz. 
*O servidores do Judiciário decidiram pagar para ver. Após o presidente do TJ da Bahia, desembargador Eserval Rocha, anunciar o corte do ponto dos grevistas, líderes sindicais da categoria decidiram manter os braços cruzados. 

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