"Se fosse nos EUA, Moro teria sido afastado", diz Glenn Greenwald

brasil
25.06.2019, 18:27:00
Atualizado: 25.06.2019, 18:29:29
Jornalista participou de sessão da Comissão de Direitos Humanos da Câmara (Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados)

"Se fosse nos EUA, Moro teria sido afastado", diz Glenn Greenwald

Jornalista disse que o processo da Lava Jato é 'totalmente corrupto'

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O jornalista americano Glenn Greenwald criticou a postura do Ministro da Justiça Sérgio Moro quando ele atuava como juiz da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. O editor do The Intercept disse que caso um magistrado adote a postura de Moro nos Estados Unidos, será afastado.

"Nos Estados Unidos (a colaboração secreta entre juiz e procurador) é impensável. Se um juiz fizesse uma única vez lá o que Sergio Moro fez aqui durante cinco anos ele perderia o cargo e seria proibido de advogar", disse o jornalista.

Glenn par participou nesta terça-feira (25) de uma audiência na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados para falar sobre as mensagens vazadas pelo site onde é editor envolvendo o atual ministro da Justiça, Sergio Moro, o procurador Deltan Dallagnol e outros personagens da Operação Lava Jato.

A postura da operação foi criticada diversas vezes pelo jornalista. Glenn argumentou que divulgou as mensagens não é deixar impune políticos e empresários corruptos. De acordo com ele, não se combate corrupção com corrupção.

"A Lava Jato é um processo totalmente corrupto. Para mim foi uma grande frustração saber disso. Em 2017, fiz um discurso onde elogiava a postura da operação e seu combate a corrupção. Saber que a justiça agia desta maneira ilegal e corrupta me deixou extremamente triste e decepcionado", lamentou Glenn.

Ameaças
Glenn mora no Brasil desde 2005 e é casado com o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ), com quem tem dois filhos. O jornalista confirmou que ele, seu companehrio e sua crianças vem sofrendo ameaças, mas que isso não será o suficiente para pará-los.

"Eu sou cidadão norte-americano. Meus dois filhos também têm direito a um passaporte americano. Poderia pegar minha família e deixar o país a qualquer momento, mas não irei fazê-lo. Vamos continuar aqui, do Brasil, divulgando as mensagens. Ainda tem muito material para sair", disse.

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