Show em alto mar: baleias-jubarte aparecem no litoral de Salvador e encantam com saltos

salvador
13.08.2021, 06:30:00
Baleias ficarão no litoral de Salvador até novembro (Foto: Divulgação)

Show em alto mar: baleias-jubarte aparecem no litoral de Salvador e encantam com saltos

Visitantes vão passar por aqui até novembro para o período de reprodução da espécie

Entre os longos períodos que passam no fundo do litoral soteropolitano, as baleias-jubarte arrumam tempo para vir até a superfície do mar para pegar fôlego e, de quebra, surpreendem com saltos e jatos de água que chamam a atenção mesmo a quilômetros de distância. As ações, em geral, duram segundos, mas não escapam dos olhares atentos de turistas, estudantes e pesquisadores. 

Todos vão para o alto mar de Salvador desde o fim de julho com o objetivo de prestigiar o show da aparição desses animais marinhos, que devem dar as caras, ou melhor, as caldas por aqui até o fim de novembro. Até lá, as 25 mil baleias que passarão pelo litoral da capital baiana prometem vários espetáculos.

Agora, elas não estão aqui a passeio, como explica Victor Bandeira, biólogo, mestre em ecologia e coordenador do Projeto Baleias Soteropolitanas (PBS), responsável por mapear a região e coletar informações estratégicas para a realização de ações de preservação da espécie.  

“Elas vêm para a costa com a intenção de se reproduzir. No verão, ficam na Antártida, que é mais frio, para se alimentar. Quando o inverno chega por lá, a disponibilidade de alimento é menor e o ambiente não é o ideal para se produzir, sendo necessária a busca por águas quentes”, afirma Bandeira.

Ele explica também que, quando nascem, os bebês jubarte têm uma camada fina de gordura, insuficiente para aguentar as baixas temperaturas da Antártida, fazendo o ambiente daqui mais propício para o seu nascimento.

A necessidade das baleias cria a oportunidade perfeita para quem quer deixar de ver esses animais por foto para presenciar a aparição delas ao vivo. Caso de Mariana Chagas, 25 anos, estudante de nutrição. “Foi a primeira vez que eu vi e é bem especial, principalmente, por você se deparar com tamanho que tem uma jubarte e se sentir tão pequenininho. Esse contato direto, se sentir parte estando no meio do mar foi uma experiência incrível”, afirmou Mariana, cheia de alegria com o passeio. 

Outra que não escondeu a euforia com o fato de ter visto a espécie pela primeira vez foi Dayse Albuquerque, 28, estudante de ciências biológicas. “Pra mim, foi emocionante. Conheci mais como é o trabalho de observação, entendi mais sobre as baleias e o nosso território marítimo. Além disso, tive a oportunidade de ter uma visão linda da costa. Juntou a experiência profissional com o encanto de alguém que ficou encantada com a paisagem”, contou. 

Para Iana Santana, 23, também estudante de ciências biológicas, a visita às baleias reafirmou a sensação de estar estudando o que ama. "Isso motiva a gente como estudante a trabalhar pela valorização e preservação da espécie, passar essa informação de que elas são importantes e merecem cuidado. Só me dá certeza de que estou fazendo o curso certo, que é isso que escolhi pra trabalhar. Participar desse projeto foi encantador".

Turismo educacional

O PBS é realizado pelo Instituto Redemar Brasil, com apoio da Associação Classista de Educação e Esporte da Bahia (ACEB). Presidente do Redemar Brasil, William Freitas explica que um dos objetivos da instituição é justamente fazer turismo de ciência. “A gente quer fazer do mar um campi para estudantes que precisam passar por experiências como esta. Queremos fazer turismo científico, desenvolver um trabalho que mostre como o trabalho de observação e monitoramento é importante nesta área”, explica Freitas. 

O Redemar Brasil tem ainda outros projetos “O mar não está para plástico” e “Mantas do Brasil”. O Instituto está alicerçado nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relativos à proteção ambiental até 2030 e na valorização da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, mais conhecida como Década do Oceano (2021-2030).

*Com supervisão da chefe de reportagem Perla Ribeiro

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