Sob mistério, cerimônia de abertura da Olimpíada será nesta sexta

esportes
22.07.2021, 19:50:00
Atualizado: 22.07.2021, 19:50:56
Estádio Olímpico em Tóquio, onde acontecerá a cerimônia de abertura, os anéis olímpicos (Behrouz Mehri/AFP)

Sob mistério, cerimônia de abertura da Olimpíada será nesta sexta

Espetáculo no Estádio Olímpico de Tóquio deve ser bem diferente das edições anteriores; entenda

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Demorou um ano a mais que o esperado, mas a Olimpíada de Tóquio finalmente terá sua cerimônia de abertura. A expectativa era que os Jogos acontecessem em 2020, mas a pandemia da covid-19 assolou o mundo, e os planos todos mudaram. Agora, quase cinco anos após o encerramento da Rio-2016, a maior competição esportiva do planeta recomeça oficialmente outra vez.

A cerimônia está marcada para iniciar às 8h (do Brasil) desta sexta-feira (23), no Estádio Olímpico de Tóquio. Como sempre, a abertura é sempre cercada de mistério, mas, dessa vez, é realmente uma incógnita total. Além do sigilo já esperado em todas as edições, há o fato da Olimpíada acontecer em plena pandemia, com estado de emergência na capital japonesa e sob protestos e críticas da população, que pedia um novo adiamento.

O que se espera é que o espetáculo, que normalmente é grandioso e com muita ostentação, seja bastante reduzido. Esqueça as grandes coreografias, centenas de dançarinos, luzes, cores, fumaças, espelhos e enormes adereços. No atual contexto do coronavírus, a sobriedade é que deve dar o tom. 

"Será uma cerimônia muito mais sóbria. Mesmo assim, com uma bela estética japonesa. Muito japonesa, mas também em sincronia com o sentimento de hoje, a realidade", disse, à Reuters, o italiano Marco Balich, conselheiro sênior dos produtores executivos das cerimônias das Olimpíadas. "Temos que fazer o nosso melhor para completar esta Olimpíada, que espero que seja a única desse tipo", seguiu.

Nesse clima, nem mesmo o desfile das delegações deve acontecer como normalmente é. Se, na Rio-2016, mais de 12 mil atletas cruzaram o Maracanã, um número muito menor é esperado no Japão. Ainda não se tem ideia de quantos atletas participarão da cerimônia, mas o bom senso pede que 'menos seja mais', justamente para minimizar os riscos de contaminação do coronavírus. 

O Brasil já decidiu que só levará quatro pessoas, o mínimo exigido pelo Comitê Olímpico Internacional, sendo dois atletas. A judoca Ketleyn Quadros, bronze em Pequim-2008, estará acompanhada Bruninho, jogador do vôlei de quadra e dono de medalhas de ouro na Rio-2016 e prata em Pequim-2008 e Londres-2012. 

Com a dupla, estarão Marco La Porta, vice-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e chefe de missão, e um oficial administrativo. Em nota, o COB explicou que a decisão foi tomada para "zelar pela saúde de todos os integrantes do Time Brasil".

Ao contrário de edições anteriores, em que os brasileiros costumavam a ser uma das primeiras delegações a desfilar, por causa do alfabeto inglês, dessa vez será a 151ª a entrar, levando em conta o alfabeto japonês. Seguindo a tradição, como o país de origem das Olimpíadas, a Grécia, entrará primeiro. O Japão, como sede, será o último.

Além do desfile das delegações e da misteriosa programação artística, haverá ainda o acendimento da pira olímpica, e a liberação simbólica das pombas da paz. O Comitê Organizador definiu “paz, coexistência, reconstrução, futuro, Japão e Tóquio, atletas, envolvimento e entusiasmo” como os temas centrais a serem destacados no evento.

Como manda a Carta Olímpica, a cerimônia irá combinar os procedimentos cerimoniais formais com um programa artístico que mostrará a história e a cultura do Japão. Yoshihide Suga, primeiro-ministro do Japão, será o responsável pela abertura simbólica. Também estão programados o levantamento da bandeira olímpica, execução do hino olímpico e o juramento olímpico feito por um atleta, um oficial e um técnico. 

Tudo acontecerá sem o olhar do público geral. Com capacidade para 68 mil pessoas, o Estádio Olímpico terá suas arquibancadas quase vazias, exceto por alguns representantes políticos dos países participantes, diplomatas, patrocinadores e membros do Comitê Olímpico Internacional. Haverá ainda rígidas regras de distanciamento social.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não irá ao evento, e o governo brasileiro no Japão será representado pelo ministro da Cidadania, João Roma.

Polêmicas
A cerimônia de abertura só acontecerá agora, mas foi recheada de trocas e polêmicas até aqui. Antes da pandemia, quando se imaginava uma festa luxuosa, o espetáculo seria comandado pelo renomado ator japonês Mansai Nomura. Só que, com a covid-19, tudo o que havia sido pensado até então teve que ser descartado.

No fim de 2020, Nomura foi substituído pelo publicitário japonês Hiroshi Sazaki, responsável por ajudar a produzir a cerimônia de passagem de bastão dos Jogos do Rio-2016 para os Jogos de Tóquio. Lembra do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe vestido como o personagem de 'Super Mario Bros'?

A permanência de Sazaki também durou pouco. Menos de três meses depois, em março, ele renunciou ao cargo após fazer uma "piada" gordofóbica sobre a atriz e comediante Naomi Watanabe, muito popular no Japão.

Outras duas baixas aconteceram recentemente. Na última segunda-feira, o músico japonês Keigo Oyamada, que compôs uma canção-tema da cerimônia de abertura, pediu para não fazer mais parte do evento depois de descobrir-se que ele praticou bullying contra colegas de classe com necessidades especiais na época da escola. Alguns dos atos descritos eram de extrema violência. Ele teria, por exemplo, forçado suas vítimas a se masturbarem em público, ou a comerem seus excrementos.

Nesta quinta-feira (22), véspera da cerimônia, o diretor do evento, Kentaro Kobayashi foi demitido após "piadas" feitas há mais de duas décadas sobre o Holocausto virem à tona. 

"Soubemos que, durante um espetáculo no passado, ele usou uma linguagem burlesca ao se referir a este trágico episódio do passado", afirmou a presidente do Comitê Organizador de Tóquio 2020, Seiko Hashimoto. Por isso, foi decidida "a retirada do Sr. Kobayashi das suas funções". 

O Holocausto foi o genocídio de cerca de seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Em comunicado, Kobayashi se desculpou pelo que chamou de palavras 'extremamente inadequadas'. "Era uma época em que eu não conseguia fazer as pessoas rirem da maneira que queria, então acho que estava tentando chamar a atenção das pessoas de forma superficial".

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