Startups financeiras com excelentes oportunidades em 2021

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25.05.2021, 06:00:00
Existem 1.158 fintechs no Brasil e esse ecossistema tende a crescer num ritmo acelerado nos próximos anos (Shutterstock/reprodução)

Startups financeiras com excelentes oportunidades em 2021

Eles existem para facilitar a vida das pessoas quando o assunto é dinheiro e são a grande aposta para esse ano

Serviços mais acessíveis, soluções financeiras mais práticas de desburocratizadas, processo digitalizado que otimiza o tempo. Essas são algumas das vantagens das startups financeiras, também chamadas de fintechs. Tantas facilidades talvez explique os resultados de um levantamento realizado pelo Distrito Fintech Report 2021 que apontou a  América Latina como um território próspero para o desenvolvimento das fintechs e o Brasil é um dos países que tem papel de destaque nesse cenário. 

Para se ter uma ideia do impacto disso, basta dizer que país superou a marca de $4 bilhões investidos nas startups financeiras do país  e o número tende a aumentar, à medida que outros grupos de forte expressão e que atuam com nome de outras empresas investindo e colaborando, os chamados players de mercado importantes, atingirem seu pleno desenvolvimento. O ano passado, em particular, foi um ano fora de série para o setor e 2021 caminha para igualar ou até mesmo superar essa marca.

As startups financeiras do país vêm numa crescente desde 2012 e apresentaram crescimento exponencial nos últimos dois anos, quando passaram a marca de US$ 1 bilhão tanto em 2019 quanto em 2020. A expectativa é que 2021 supere esse biênio. "Devemos seguir batendo recordes de investimentos no setor, à medida que outros players importantes atingem seu pleno desenvolvimento", diz Tiago Ávila, representante do Distrito Dataminer. 

Segundo o relatório, os estágios finais concentram a maioria do investimento em fintechs. Esse quadro se explica pela escala dos desafios a que estão expostas as empresas mais maduras, e também pelo próprio perfil dos investidores, que tendem a aportar valores altos nessas fases do empreendimento, já que o retorno financeiro é mais provável. O Nubank, por exemplo, sozinho, lidera a lista de maiores aportes no setor, em rodadas Series F e G que chegaram a US$ 400 milhões. 

Sucesso nacional 

O Distrito também lançou, em parceria com a KPMG, o Mining Report, que é um relatório gratuito que retrata a evolução das fintechs no Brasil. Até agora, mostra o documento, 1.158 startups financeiras foram mapeadas, a maior parte delas voltadas para meios de pagamento (15%), seguido por crédito (13,6%) e backoffice (13,2%). 

Na série histórica, que começa em 2012, as fintechs brasileiras receberam, ao todo, US$ 4,6 bilhões em 536 aportes, somando os deals feitos até o final de abril de 2021. 

De acordo com o presidente da Associação de Jovens Empreendedores (AJE) Leandro Miranda, o open banking representa o passo definitivo para a digitalização dos serviços financeiros e bancários. “Com sua primeira fase prevista para o começo do ano de 2021, ele irá proporcionar uma melhor experiência aos consumidores e diversas mudanças para o mercado financeiro. Será criado um ambiente com intenso compartilhamento de dados, em que bancos tradicionais, bancos digitais e fintechs devem estar atentos para aproveitar as oportunidades de crescimento”, afirma.

Jubran Coelho salienta que o ambiente regulatório do Banco Central deu a oportunidade para que as fintechs se expandissem no País (Foto: Divulgação)

Esse segundo documento mostra como há uma tendência de especialização no ecossistema, com o aumento da competitividade e da complexidade das soluções financeiras tecnológicas. Por tratar-se de um setor mais maduro, entrantes no mercado buscam estratégias diferenciadas de atuação.

“Com o ambiente regulatório construído pelo Banco Central, por meio de resoluções que reduzem a burocracia – com destaque para o Pix e Open Banking – além da aceleração da digitalização de negócios em função da pandemia, diversas oportunidades têm surgido para atuação das fintechs”, esclarece o sócio da área de Private Enterprise da KPMG do Brasil, Jubran Coelho.

Ele salienta que, até o momento, há 1158 fintechs no Brasil e esse ecossistema tende a crescer num ritmo acelerado. “Diante deste cenário, o Brasil tem se tornado uma referência em tecnologias focadas em serviços financeiros e possui um ambiente propício para as fintechs”, analisa. 

Outro dado interessante é o de que mais da metade das fintechs (52,3%) oferecem suas soluções para outros negócios,ou seja, são B2B. Serviços voltados diretamente aos consumidores são pouco mais de um quarto (27,3%). Há, ainda, as que oferecem soluções tanto para um, quanto para outro (13,6%). 

No entanto, a discrepância de gênero no quadro societário se mantém elevada no mercado de fintechs e elas estão entre as empresas com maior desigualdade de gênero. São 87,3% sócios homens, ante apenas 12,7% de mulheres.

Novo perfil

Para Miranda, o crescimento dessas startups tem um vínculo estreito com a mudança do consumidor, principalmente os mais jovens, que, hoje, querem serviços descomplicados e sem burocracia. “Os empreendedores que atuam nessa área precisam ter a certeza de que contarão com a tecnologia e o know how necessários para oferecer serviços de modo ágil e prático, como simulações por aplicativo e respostas rápidas para as dúvidas de seus usuários”, orienta.

O representante da AJE faz questão de reforçar que o mercado financeiro conta com uma série de regras e que qualquer pessoa que atue nessa área precisa conhecer a legislação e as conformidades exigidas para atuar, até porque, muitas delas variam de acordo com a região onde a fintech vai atuar. 

Ele lembra que as fintechs apresentam uma quantidade significativa de vantagens para todos os envolvidos em seus processos. “Destacamos que a característica mais importante é a que molda toda a ideia em torno dessas startups financeiras: uma fintech se constrói de maneira a facilitar a vida financeira de seus usuários e/ou clientes. Já os bancos são comumente relacionados à “dor de cabeça”. Com processos burocráticos, complicados e, muitas vezes, lentos, a maioria dos clientes vê suas instituições bancárias como um peso”, completa. 

As fintechs em atuação no país são, basicamente, distribuídas em pagamentos, gestão financeira, empréstimo e negociação de dívidas, investimentos, blockchain e bitcoin, seguros e de crowdfunding.


Você sabe o que é?

Fintechs - startups financeiras
Players de mercado - são grupos que dividem sua expertise em um mercado crescente localizado em uma região que não é tão desejada pelo mercado, entretanto possuem um grande potencial lucrativo
B2B - startups que oferecem suas soluções para outros negócios
Open banking - Banco aberto ou sistema bancário aberto ou partilhamento de dados bancários pessoais, é um termo da área de serviços financeiros, que é parte da tecnologia financeira, relativo a um conjunto de regras sobre o uso e compartilhamento de dados e informações financeiras entre instituições
Crowdfunding - Financiamento coletivo

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