Sustentabilidade é a marca de projeto de residência do Goethe-Institut 

entretenimento
14.06.2021, 06:00:00
No sentido horário: Ivana Magalhães, Tatá Ribeiro, Marília Reis e Caroline Ribeiro (Fotos, na mesma ordem: Joeverson Miranda, Helen Salomao, Dandara Victoria e Shamira Nagie)

Sustentabilidade é a marca de projeto de residência do Goethe-Institut 

Quatro mulheres negras baianas foram selecionadas 

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Em tempos de pandemia, todos estão precisando fazer um certo “jogo de cintura” e abrindo mão de algo para se ajustar às novas demandas. O Goethe-Institut, que realiza anualmente o programa Residência Artística Vila Sul, fez algumas concessões em seu formato: os residentes, desta vez, não vão poder conviver entre eles, mas atuarão de suas casas.  

Até a arte, que era o objeto principal do projeto, precisou ficar em segundo plano, mas por uma questão igualmente nobre: a sustentabilidade, que é o foco da residência deste ano.

“Como um mediador cultural internacional, o Goethe-Institut está atento às questões relevantes da sociedade civil. Junto com a pandemia e a mudança climática imanente, a pauta da sustentabilidade está cada vez mais em primeiro plano”, comenta o diretor-executivo do Goethe-Institut em Salvador, Manfred Stoffl, que deixa hoje o cargo depois de cinco anos à frente da instituição. 

A representatividade também teve peso importante na realização da edição atual: pela primeira vez, quatro mulheres negras baianas formam o grupo selecionado. Elas foram escolhidas entre 15 inscritos. As contempladas são Caroline Ribeiro, Ivana Magalhães, Marília Reis e Tatá Ribeiro. 

Caroline, que é estudante de engenharia sanitária e ambiental na Ufba, apresentou um  projeto que prevê a construção de uma rede de coleta e tratamento de esgoto sustentável de baixo custo em comunidades em que o serviço não existe ou é precário, com o uso de materiais reutilizáveis e recicláveis. 

“O projeto que apresentei, desenvolvido com minha colega Lis Barreto, é destinado a comunidades sem estrutura básica de saneamento. A gente pensou em atender às necessidades desse público de forma barata. Aliado a isso, pretendemos resolver outros problemas ligados a questões ambientais, principalmente o manejo de resíduos sólidos, que acontece de forma inadequada”, diz Caroline. 

Outro projeto que envolve questões relacionadas a resíduos sólidos é o da artista visual Tatá Ribeiro, que vai utilizar sucata eletrônica em esculturas de insetos que integram o ecossistema de restinga de Lauro de Freitas. Tatá, que é doutoranda em educação, ressalta a importância de a academia se aproximar das escolas básicas:

“A escola não pode ser um lugar apenas de coleta dados. Você precisa trazer algo relevante para todas essas crianças, porque elas são foco da sustentabilidade”. 

A ancestralidade é marca do projeto de Ivana Magalhães, chamado de Quintal Sensorial, que a pedagoga criou em sua própria casa, no bairro de Itacaranha, no Subúrbio Ferroviário. O Quintal Sensorial é um espaço de educação ambiental, com foco nas heranças culturais indígenas e africanas.  

Ivana diz que pegava as folhas no quintal da própria casa e levava para a escola onde trabalhava. “Quando percebi a quantidade de folhas que tem aqui, percebi que poderia fazer movimentos ao contrário e trazer a escola para cá. Percebi que muitas crianças não tinham acesso a essas informações e esse contato com ervas medicinais e plantas alimentícias”, diz a pedagoga. 

A sustentabilidade na economia é a base do projeto de Marília Reis, formada em ciências contábeis e mestranda em gestão e tecnologias aplicadas à educação. Marília pretende elaborar um aplicativo de educação financeira para crianças e adolescentes.  

Marília diz que a ideia surgiu quando ela percebeu que as pessoas precisavam de apoio na organização de suas finanças.

“Eu sofria com pessoas que contavam seus problemas e notei que muitas vezes esses problemas tinham origem num comportamento familiar”, revela.

Marília então passou a estudar empreendedorismo e, foi premiada em um concurso e sentiu-se mais motivada a ajudar as pessoas em educação financeira.  

A contadora ressalta ainda que muitas vezes a violência doméstica está atrelada a problemas financeiros, por isso, segundo ela, a educação financeira precisa ser debatida especialmente com as meninas. 

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas