Taís Araújo desiste de viver cientista no cinema após críticas sobre tom de pele

entretenimento
08.05.2019, 19:11:00
Atualizado: 08.05.2019, 19:11:26

Taís Araújo desiste de viver cientista no cinema após críticas sobre tom de pele

Segundo a atriz, críticos estão "cobertos de razão" e ela "não seria a melhor pessoa"

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A atriz Taís Araújo , 40, desistiu de interpretar a renomada cientista paulista Joana D'Arc Félix de Souza nos cinemas. A decisão foi tomada depois de atriz sofrer uma série de críticas, pelo fato de ter uma pele mais clara que a cientista. “Quando eu li [as queixas], só falei que eles estavam cobertos de razão. Quando me dei conta do que acontecia eu nem desconfiei, eles estavam certos. Eu não seria a melhor pessoa", afirmou Taís sobre o caso. 

Formada em Harvard, Joana D'Arc, 55 anos, é PhD em Química e tem trabalhos reconhecidos internacionalmente - já foi premiada 82 vezes.  Filha de mãe empregada doméstica e pai curtumeiro, Joana D'Arc percorreu um longo caminho de sua cidade natal, Franca, no interior paulista, até Harvard, onde deu início a um pósdoutorado nos anos 1990. Antes de chegar lá, sofreu discriminação social, racial e passou fome para conseguir se formar em química na Unicamp. De volta à Franca, transformou a Etec Professor Carmelino Corrêa Jr. em centro de inovação.

"Na real, quero que as pessoas conheçam a história da Joana, uma mulher que nos inspira. Imagine a quantidade de Joanas que perdemos ao longo do percurso por falta de estudo, de oportunidades. É a história de como uma educadora transformou a vida de pessoas. Quem vai contar é o de menos", desejou a atriz, ao ressaltar que mulheres de tom de pele mais escuro sofrem ainda mais preconceito.

Taís, contudo, que seguirá envolvida no projeto da cinebiografia, como produtora associada e eventualmente no papel de uma irmã da cientista, por exemplo."Tenho muito desejo de mostrar esse enredo, mas em outro papel. A gente ainda está desenvolvendo, quem sabe como irmã de Joana ou algo assim", adianta. O filme ainda não tem previsão de estreia. A direção será assinada por Alê Braga.

As críticas a Taís Araújo à frente do papel fazem lembrar o caso da cantora Fabiana Cozza, 43, em junho do ano passado, quando ela desistiu de interpretar a sambista Dona Ivone Lara (1922 - 2018) em um musical. "Renuncio por ter dormido negra numa terça-feira e, numa quarta, após o anúncio do meu nome como protagonista do musical, acordar 'branca' aos olhos de tantos irmãos", escreveu a cantora à época.

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