Taxista assassinado em Tancredo Neves é o terceiro em um mês; colegas farão caminhada

salvador
06.07.2015, 07:01:00
Atualizado: 06.07.2015, 07:05:26

Taxista assassinado em Tancredo Neves é o terceiro em um mês; colegas farão caminhada

Hoje, às 9h, os taxistas pretendem fazer uma caminhada da Rótula do Abacaxi até a sede da Secretaria da Segurança Pública, no CAB

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

O motorista de táxi Carlos André Castilho dos Santos, 36 anos, foi assassinado com vários tiros na tarde deste domingo, no bairro de Tancredo Neves. Ele é o terceiro taxista morto em menos de um mês em Salvador e Região Metropolitana. As outras vítimas, também baleadas, foram Rodrigo Gonçalves Lopes Dantas, 36, em Cajazeiras de Abrantes, localidade de Camaçari, no dia 9 de junho, e Antônio Carlos Silva Santos, 52, no bairro do Stiep, no dia 25.

De acordo com a Central de Polícia, o crime de ontem ocorreu por volta de 15h30. Testemunhas informaram à polícia que Carlos foi abordado por seis homens armados quando passava pela Rua Apolinária Maria José Silva, próximo ao Conjunto Arvoredo. Os suspeitos atiraram diversas vezes contra a vítima, que morreu no local.

Ainda segundo populares, após o crime, os suspeitos fugiram por um beco que dá acesso a uma invasão, mas que um dos homens permaneceu no local observando o movimento. Ele foi embora pouco antes da chegada da polícia. Amigos de Carlos  lamentaram o ocorrido. “Ele era muito sério e correto e, por isso, chamamos ele para trabalhar com a gente”, contou o taxista Eduardo Vieira, vice-presidente da Associação Metropolitana de Taxistas (AMT).

Segundo Vieira, Carlos trabalhou por cerca de dois meses no Hotel Intercity Premium, na Avenida Tancredo Neves, mas depois migrou de ponto. “Ultimamente, ele estava no Salvador Shopping. A gente se via porque fica tudo próximo”, contou Vieira. Ele disse que ficou sabendo do assassinato por uma mensagem de celular. “É triste porque é mais um profissional que a gente perde para a violência. Era uma pessoa alegre, trabalhadora”, completou.

O bairro de Tancredo Neves foi apontado como um dos mais perigosos para taxistas em uma reportagem do CORREIO, na semana passada. Na matéria, taxistas e representantes da categoria elegeram 15 localidades que evitam atender. Ontem, o presidente da AMT, Valdeilson Miguel, cobrou ações do governo por mais segurança. “São três taxistas mortos em menos de um mês. Precisamos discutir essa violência e encontrar uma solução”, afirmou.

Hoje, às 9h, os taxistas pretendem fazer uma caminhada da Rótula do Abacaxi até a sede da Secretaria da Segurança Pública, no CAB. “Queremos uma audiência com o secretário para debater o assunto e cobrar medidas”, adiantou Valdeilson. Os suspeitos do assassinato estão sendo procurados pela polícia. O caso será investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A motivação do crime é desconhecida. Carlos André deixa esposa e duas filhas.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas