Tiê faz show nesta sexta (13) e tem papo intimista com o CORREIO; confira

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11.07.2018, 07:30:00
Atualizado: 16.07.2018, 16:41:22
Cantora faz show com foco em seu mais recente álbum, intitulado de Gaya (Foto: Divulgação)

Tiê faz show nesta sexta (13) e tem papo intimista com o CORREIO; confira

"Chegaram a me chamar de vendida, mas tudo o que quero é a verdade das minhas músicas", desabafa a compositora

Em 2012, a música Piscar o Olho, da cantora e compositora Tiê ganhou corações ao ser tema da personagem Cida, interpretada pela atriz Isabelle Drummond na novela Cheias de Charme. Seis anos depois, a mesma voz e a mesma mente compositora continuam a mexer com as emoções do público da Globo em novas trilhas sonoras. Difícil é não ter escutado ao menos uma das suas canções. 

Com novos sucessos, como Amuleto, que acompanhou o casal Bruno e Raquel na novela O Outro Lado do Paraíso, e Mexeu Comigo (que fez parte da trilha de Malhação), a cantora Tiê prossegue firmando seu nome como força da nova MPB e, para divulgar o seu novo disco, intitulado de Gaya e lançado no final de 2017, a artista chega nesta sexta-feira (13) para um show especial em Salvador, no Teatro Castro Alves, localizado no Campo Grande. 

Ouça Amuleto e relembre da canção Piscar o Olho:




Além de apresentar as novas composições, a paulista, que chega na capital baiana para uma apresentação única, também mistura canções dos seus três discos anteriores no palco, como é o caso da canção A Noite, pela qual é popularmente conhecida. O evento, que começa a partir das 20h, conta com show de abertura da cantora baiana Josyara.

Relembre do clipe de A Noite:



Os ingressos para o novo show da cantora, que custam entre R$ 35 e R$ 90, já estão à venda nas bilheterias do TCA, nos SAC's dos shoppings Barra e Bela Vista, e no site do Ingresso Rápido.

Sem pisar os pês na Bahia desde 2016, a artista, conhecida pelos tons melancólicos, conversou com o CORREIO sobre seus processos de composição, a polêmica de ter feito uma parceria com Luan Santana e seus sentimentos entre o mundo pop e a essência indie, além de trazer outras curiosidades. Confira:

1. Gaya é seu o quarto álbum de estúdio, lançado em 27 de outubro de 2017 pela Warner Music Brasil. E, desta vez, você trouxe uma surpresa a mais, que foi uma lista de colaboradores. Nomes como Jesse Harris, a Ximena, As Bahias e a Cozinha Mineira, Lucas Vasconcellos, Filipe Catto, Kassin e Luan Santana estão inclusos. Como foi trabalhar com esse time?

Na verdade, a vivência desse disco foi muito orgânica e continuou sendo um trabalho extremamente íntimo. Os processos de composição contaram com suportes dos meus produtores (André Whoong e Adriano Cintra), já que muitas coisas foram feitas na estrada, mas a minha vontade era encontrar novos timbres para algumas das músicas. As parcerias vieram para incrementar nas roupagens das músicas, como foi o caso da canção Duvido, com Luan. Muita gente julgou essa união, chegaram a me chamar de vendida, mas nada para mim acontece fora da intuição e da vontade de passar mais verdade nas letras. Eu liguei pro Luan por vontade própria, não por ideia de outra pessoa.

Cantora considera o álbum Gaya como uma homenagem à força feminina
(Foto: Divulgação)

2. Falando nesse processo de mercado e de críticas: você continua passeando entre o indie e o pop, brincando com estilos enquanto tem músicas que vão para a boca do povo e outras que não divulga tanto. É realmente a sua intenção a de ficar nesses dois universos?

Nunca fui uma artista 'hype', mas a continuidade da minha carreira se dá através dos meus novos ciclos de vida, de novas inspirações. Então é natural que, em um Brasil em que tudo está cada vez mais mesclado, a minha essência ganhe um pouco de outras fontes. A minha certeza é que cada disco sempre terá uma nova cara, porque tudo depende da minha autobiografia. Os arranjos e as letras precisam se conversar e falar sobre o que eu realmente senti e, pra isso, tem que acontecer com um tom que seja mais atual na minha realidade.

"Esse é um dos meus shows mais emocionantes e não vejo a hora de dividir isso com o calor da Bahia"

3. É exatamente neste ponto que queríamos chegar agora. As suas letras transparecem esse tom autobiográfico. Como funcionam os seus processos de composição? São histórias que você realmente viveu?

Sim! São sempre histórias que eu vivi e que me marcaram de alguma forma, mas não necessariamente são histórias atuais. Às vezes são sobre lições e pensamentos que passaram a fazer mais sentido agora, mesmo depois de tanto tempo do ocorrido. Essas letras sempre chegam para mim junto com a melodia, escrevo já cantando, e é a forma que tenho de realmente entender tudo o que eu passei e todos os porquês daquilo. O bacana é observar que tem gente que se identifica com o que me identifica.

"Nunca fui uma artista 'hype', mas a continuidade da minha carreira se dá através dos meus novos ciclos de vida, então fico entre o pop e indie - e o que mais surgir para mim"

4. Falando nas letras, você consegue ficar entre a poesia e a simplicidade do literal. É sua intenção fazer letras mais metafóricas?

Metáforas são formas simples de falar do complexo, então em um ponto ou outro, elas sempre estão lá (nas letras). Mesmo o literal tem suas entrelinhas, não é?

5. Sem dúvidas. É aí que mora o segredo da sensibilidade. E sobre os tons melancólicos, você sente que é ideal que os fãs a reconheçam por ele?

É relativo. No Gaya, por exemplo, existem várias nuances sobre alegria e tristeza. O álbum traz muito essa mistura de ambas as coisas. Mas creio que a melancolia tem a ver com essa sede de releitura, de tentar se entender pelo que é e também pelo que já passou, então ela sempre aparece para quem segue assim.

Tiê conta que tem parentes na Bahia e que a recepção em Salvador é uma das mais diferenciadas que conhece
(Foto: Felipe Morozoni)

6. De fato, esse disco tem uma pegada mais pop e muitos chegaram a considera-lo mais romântico. Você o enxerga assim?

Não acho que o Gaya é o meu álbum mais romântico. Para mim, ele é mais sobre o ‘eu’ do que sobre o outro, é essa compreensão de si a partir do outro. É muito sobre uma caminhada de autoconhecimento, é mais uma autoanálise mesmo.

"Não acho que o Gaya é o meu álbum mais romântico. Para mim, ele é mais sobre uma autoanálise mesmo"

7. Como surgiu esse nome para o álbum?

A Gaya é um género botânico e foi o nome escolhido para, de certa forma, homenagear a força feminina. Pensei muito em maternidade e nos debates feministas enquanto estava nos processos de produção, então quis que fosse sobre as vozes dos corações das mulheres.

8. Que bacana! Então você concorda com a disseminação do feminismo atual?

Sou feminista e é claro que existem diversas vertentes do assunto, mas, em geral, é fundamental que possamos estar nessa fase de conscientização.

9. E se o tema é girlpower, não podemos deixar de citar que a cantora baiana Josyara vai fazer a abertura do seu show. Ela se inspira muito em nomes como Gal Costa e vocês têm estilos muito reflexivos, ainda que sejam diferenciados em alguns tons musicais. Existe uma identificação sua com o trabalho dela?

Demais. Ela exibe muito sobre a sua vivência como mulher e é muito conectada a esse lado mais cru, honesto e autoral, por isso ela tem tanto a ver com o show e vai fazer uma abertura linda pra gente.

"O bacana de compor é observar que tem gente que se identifica assim com o que me identifica"

10. E falando em diferentes vozes, como está a ansiedade para o show em Salvador?

A última vez que fiz um grande show na baiana estava grávida da minha menina, em 2012. Tenho vários parentes nessa terra linda e estou morrendo de saudade. A energia soteropolitana é sempre singular, muito calorosa. Esse é um dos meus shows mais emocionantes e não vejo a hora de dividir isso com todos vocês.

SERVIÇO
Teatro Castro Alves (Campo Grande).
Sexta-feira, a partir das 20h.
Ingresso: R$ 90 | R$ 45 (filas A a V); R$ 70 | R$ 35 (filas X a Z11).


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