Time dos Sonhos do Vitória: A arte de ser Pet

esportes
31.01.2011, 06:52:00

Time dos Sonhos do Vitória: A arte de ser Pet

O sérvio domina: o Vitória foi sua porta de entrada para o futebol pentacampeão mundial e ele nunca esqueceu a Toca. O Barradão é sua casa

Paulo Leandro | Redação CORREIO
paulo.leandro@redebahia.com.br

Era um domingo de rodada pelo Campeonato Baiano  quando a informação vazou: o Vitória está trazendo um gringo chamado Petko... ko o quê? Primeira dificuldade foi acertar a acentuação. Nos primeiros meses havia sempre quem chamasse errado, com a sílaba forte no Ko: Pet-kó-vic. Depois, a entonação foi chegando para o lugar. Um gol olímpico, alguns de falta e dezenas de dribles depois, já tava todo mundo chamando o sérvio de Pet mesmo.

É como se chama um mascote querido. E é assim que a torcida do Vitória curte Pet, em amor bem-correspondido. Pintou um clima desde que Pet  pisou a primeira vez no Barradão, em sessão de fotos para a revista Vitória!, veículo de divulgação do clube. Ainda sem falar nada de português direito, o sérvio admirou: “bonitou estádiou...”.



Suas primeiras palavras na Toca profetizaram um relacionamento feliz.
“O Vitória é meu único time  do coração. Recebia salário atrasado, mas jogava feliz”, repete, na ponta da língua, sempre que convidado a falar sobre o rubro-negro.

Tanta paixão gerou façanha inédita: a torcida rubro-negra levou ao estádio um bandeirão azul, vermelho e branco, cores da Sérvia, para dar uma força, pois seu país estava em guerra civil.

Foi o presidente Paulo Carneiro que mandou Waltércio Fonsêca buscar o jogador em Madri, junto ao Real. Pet tinha jogado muito na goleada de 5x1 do Real sobre o Vitória, em amistoso.

O Leão tinha como plano definido integrar pelo menos 17 jogadores da base por ano a um grupo profissional forte, sempre com uma referência que mantivesse o clube no noticiário internacional, numa visão integrada de futebol, negócios e marketing. Pet foi parte fundamental para que a coisa funcionasse. Corria o ano de 1998 e Bebeto, o tetra, havia deixado o clube. Era a vez de Pet. Só um probleminha: nem sempre tinha grana para pagar o salário do jogador.

Pet topou jogar assim mesmo. Seu futebol misturava magia e arte. O efeito que dava na bola deixava torcida, adversários e imprensa extasiados.
Conquistou o título de campeão do Nordeste e campeão baiano no ano do centenário do clube, 1999. Comandou o time, ao entrar no Barradão, na hora marcada para o Ba-Vi da decisão que não aconteceu: o Bahia entrou em campo na Fonte Nova por conta de uma decisão judicial.

Campeão pelo Estrela Vermelha, da Iugoslávia, e Real Madrid; campeão brasileiro pelo Flamengo, carioca pelo Vasco, chinês pelo Shangai Shenshua e saudita, pelo Al-Ittihad, o super-craque foi amado por torcidas de várias línguas, mas gosta é de repetir, agora falando bem o português:
“eu sou Vitória de coração”.

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