"Todos podem doar algo", diz filantropo Rodrigo Pipponzi no Segundou

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02.08.2021, 23:21:00
Atualizado: 02.08.2021, 23:21:31
Joca e Carola conversaram com Rodrigo Piponzzi (Fotos: divulgação)

"Todos podem doar algo", diz filantropo Rodrigo Pipponzi no Segundou

Empresário criou um projeto que viabilizou construção de hospital para combate ao câncer

Doar é mais fácil e muito menos oneroso que você pode pensar. "Há um mito hoje de que doação é só dinheiro e não é: você pode doar tempo, conhecimento... todos podem doar algo. E isso é o que fortalece a cultura da doação", foi o que disse o empresário Rodrigo Pipponzi, convidado desta segunda (2) do Segundou, no Instagram do CORREIO. 

O programa, apresentado por Joca Guanaes, estreou a série Agosto da Filantropia, que todas as segundas deste mês receberá uma personalidade ligada à filantropia. Neste período, Joca divide a apresentação com Carola Matarazzo, diretora do Movimento Bem Maior, que promove o incentivo às doações no Brasil e congrega grandes filantropos do país.

Carola também ressaltou que promover o bem social não é um dever exclusivo dos governos ou do Estado, mas de todo cidadão:

"Precisamos entender que vivemos em sociedade e sociedade não é o outro; sociedade é a gente. Então, o problema não é do outro; não é do governo; não é da empresa nem do rico nem do pobre. O problema é nosso".

Rodrigo é sócio da Editora Mol, que produz revistas e livros com venda revertida para ONGs. Ele é filho de Antonio Carlos Pipponzi, um dos fundadores da Droga Raia, hoje associada à Drogasil, com quase duas mil lojas no país. Essas lojas, assim como outras redes que abraçaram o projeto, são pontos de venda da revista Sorria. 

Os lucros da publicação são encaminhados a ONGs como o Instituto Ayrton Senna e o Graac (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer). Segundo Rodrigo, esse modelo é importante porque cada comprador se tornar um microdoador. 

O empreendendor ressalta que, em 2008, quando a revista foi lançada, ninguém imaginava que seria uma boa estratégia vendê-la em farmácias. Por isso, foi preciso inovar:

"Pra fazer a diferença, tem que romper com algumas verdades absolutas. Quando a gente foi lançar a Sorria, a gente entendeu que a banca não ia funcionar e resolvemos vender em farmácias, que era uma ideia maluca. Quando falamos em modelo inovador, parte muito disso".

A primeira edição, de 120 mil exemplares, esgotou, o que resultou numa doação de R$ 267 mil ao Graac. "Foi impressionante fazer esse cheque para uma instituição como o Graac. Lançamos uma nova edição a cada dois meses e fechamos o primeiro ano com R$ 1,6 milhão doados", lembra Rodrigo. Depois de cinco anos, as doações foram suficientes para a construção de um hospital para a instituição, na cidade de São Paulo.

Rodrigo comentou, com base em uma pesquisa a que ele teve acesso, o que desestimula brasileiros a doarem mais: "Primeiro, por acharem que resolver os problemas é responsabilidade do governo; outra razão é a falta de confiança nas instituições que pedem as doações; a falta de dinheiro também era uma justificativa. E também diziam que era 'complicado' fazer uma doação".

Para Carola, a cidadania vai além de pagar impostos: "Quando nos sentimos parte da solução, para além de pagarmos nossos impostos ou de sermos pessoas éticas, a gente pode fazer uma boa parcela de doação, seja de tempo, seja de dinheiro, seja de produtos... de forma que a gente possa construir uma nação onde a sociedade se sinta ativa nessa construção".

Na próxima segunda-feira (9), às 19h, Joca e Carola conversam com Luiza Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, hoje uma das maiores varejistas do Brasil. Foi eleita Personalidade do Ano de 2020 pela Câmara do Comercio Brasil-EUA. Ela é presidente o Grupo Mulheres do Brasil, organização que discute formas de viabilizar igualdade de oportunidades entre gêneros e raças.
 

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