Tom Zé faz visita guiada à exposição que celebra sua obra: "Sofro de juventude"

Vida
06.07.2017, 06:07:00

Tom Zé faz visita guiada à exposição que celebra sua obra: "Sofro de juventude"

O cantor e compositor baiano guiou a imprensa pela exposição Tom Zé 80 Anos, que celebra sua vida e obra na Caixa Cultural

Durante visita guiada à exposição inédita Tom Zé 80 Anos, o cantor e compositor baiano que dá nome à mostra foi abordado por um jornalista que pediu para ele mandar uma mensagem para o público, em vídeo ao vivo. “Olha aí, rebanho de vagabundo. Quem não vier na exposição, vou bater na bunda!”, disse Tom Zé, 80 anos, arrancando risos de quem estava presente na Caixa Cultural.

Espirituoso e sempre bem- humorado, o artista guiou a imprensa por cada espaço da mostra gratuita que celebra sua vida e obra e está em cartaz de terça a domingo, das 9h às 18h, até 6 de agosto, na Caixa Cultural. Ao seu lado, o curador André Vallias serviu de braço direito, seja com observações valiosas sobre a exposição, seja literalmente servindo de apoio para o artista de 80 anos, considerado um dos gênios da MPB, que não escondia as naturais fragilidades do corpo.

Tom Zé fez visita guiada por exposição que homenageia sua vida e obra na Caixa Cultural 
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)


Mesmo diante da maratona de entrevistas, depois de um dia cansativo de viagem, Tom Zé não perdeu o ânimo. Cantou, deu aula sobre os instrumentos criados por ele com buzina e eletrodomésticos, dançou no espaço Estudando o Sampler – instalação audiovisual interativa que vira máquina de sampler a partir do movimento dos visitantes – e, é claro, contou histórias. “Sou gaiato, falador, sou sertanejo. Sertanejo gosta de falar, né?”, justificou.

O dia em que o multiartista americano David Byrne, ex-Talking Heads, descobriu um disco de Tom Zé e o revelou para o mundo foi devidamente lembrado. Outras histórias resgatadas pelo artista foram a primeira música feita a partir de recortes de jornais, Rampa para o Fracasso, e o dia em que escreveu uma matéria para a Escola de Música da Ufba. “Vocês sabem que fui jornalista, né? Eu era péssimo no jornalismo, por isso larguei”, brincou.

Ao mesmo tempo em que esquecia muitos detalhes durante as entrevistas e recorria à memória da esposa – “Neusa! Chama Neusa aí” –, Tom Zé esbanjava vitalidade. “Sofro de juventude, essa coisa maldita, que quando está quase pronta, desmorona e se frita”, disse, fazendo referência a um trecho da música Mamar No Mundo, exposta para o público logo na entrada da mostra.

Tom Zé ao lado de um dos seus instrumentos, criado com buzinas (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)


“Uma das coisas que acho mais incrível de Tom Zé é ele manter essa vitalidade e energia artística com 80 anos. Até brinco, fingindo que ele dá pirueta aos 80 anos e eu nunca aprendi”, disse a jornalista paraibana Inara Rosas, 30, que foi recebida por Tom Zé junto com um grupo de alunos da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), momentos antes da visita guiada.

“É uma pessoa adorável. A cabeça dele, as maluquices, a inteligência, a criatividade do Tom Zé é o que aflora o tempo todo”, disse o guitarrista Armandinho Macêdo, 63, que estava realizando um workshop na Caixa Cultural e encontrou por acaso com Tom Zé, na saída do evento. “Ele disse que me pegou no colo e eu falei ‘você não é tão velho assim’. ‘Eu? Já tenho 80’. Caramba! Não parece, né? Isso que é bom. Está aí, plenamente ativo. Ele é muito engraçado, faz da vida uma brincadeira bacana. Esse é o Tom Zé”, completou Armandinho.

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