Trilhas: você está na Ba(h)ía! Sorria?

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29.11.2014, 04:37:00

Trilhas: você está na Ba(h)ía! Sorria?


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A Ba(h)ía está com cara de nada. Criada para ser sede da empresa portuguesa de fabrico de açúcar, perdeu a primazia para o ouro mineiro, para o porto carioca, para a centralidade brasiliense e foi se tornando, ao correr dos séculos, e à in ou competência dos seus gestores, um retrato na parede. Atualmente, tem cara de nada, capital e estado têm jeito de coisa nenhuma. Como quem dá cara, coração e cérebro a uma Sociedade é sua cultura, a ocasião é complicada.
A festa que moveu a cidade e o estado até meados da década anterior, parece que acabou. Muitos fingem que não sabem, mas o Carnaval esquálido de 2014, em 2015 sugere pioras. E não se percebe, não se escuta, não se vê ninguém, nem órgãos públicos, nem artistas, nem agentes culturais, nem empresas de entretenimento, discutindo ou buscando a movida. Produtores espertos já mudaram de território e se instalaram em Pernambuco. Outros ainda cantam sobre o cadáver do axé.

Mas os que usam a memória sabem que alguma coisa aconteceu entre o paradeiro de hoje e os ensaios do Chiclete com Banana e Asa de Águia no Espanhol, em agosto de 1997, seduzindo 20 mil pagantes. Em agosto! Tempo  em que Verão Baiano começava, Agosto, Setembro ou, mais tardar, Outubro. Estamos nos últimos dias de novembro e... nem Osíris sabe o que aconteceu!?! E todos esperam a mudança acontecer sozinha. Mas o Carnaval, última festa popular baiana que reagiu aos “negócios” e desplanejamentos públicos e privados dos Anos 1980 aos Anos 2010, não emergirá com Pablo cantando homem não chora. A Baía turística não atrairá turistas sem cara. E a terra da felicidade será a cada dia mais isolada com o troféu de décima terceira cidade mais violenta do Planeta.

Oito anos de João Henrique concomitantes ao projeto de “interiorização” petista dos primeiros quatro anos de Wagner não serão recuperados de imediato, é lógico. Mas é hora de pensar na cara da cidade e lhe dar identidade: É a festa popular? É a Roma Negra? É gastronômica? É turística? E lhe dar regras para conter a barbárie. Ela não pode continuar violenta, suja, engarrafada e triste. Conseguiram entristecer a Bahia, a terra da felicidade! O Pelourinho é apenas a sede de suas trocentas ongues, instituições que o Brasil vem conseguindo transformar em sinônimo de picaretagem.

E enquanto essa Bahia triste se espalha pelo Brasil e pelo Planeta, o Secretário de Cultura do Estado gasta o dinheiro da produção artística promovendo seminários sobre a Economia Criativa de Adorno. Meus vomitórios! O secretário de cultura do Estado não mora numa propaganda do governo da Bahia. Não mora. Nós sabemos. Ele mora numa das três ou quatro teses acadêmicas da Ufba que servem de calço à mesa do governador.

* Aninha Franco é escritora

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