Tudo sobre o Defensa y Justicia, rival do Bahia na Sul-Americana

esportes
05.12.2020, 05:59:00
Atualizado: 06.01.2021, 18:15:21
Gabriel Hachen fez um dos gols do time argentino contra o Delfín, pela Libertadores (Reprodução / AFP)

Tudo sobre o Defensa y Justicia, rival do Bahia na Sul-Americana

DNA ofensivo é a principal arma do adversário tricolor nas quartas de final

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

O caminho do Bahia para chegar a uma inédita semifinal continental está traçado. A partir de quarta-feira (9), às 19h15, na Arena Fonte Nova, o tricolor dará início ao duelo de 180 minutos contra o Defensa y Justicia, da Argentina, pelas quartas de final da Copa Sul-Americana.

O time hermano não vive grande fase em seu campeonato nacional, mas já eliminou dois brasileiros na Sula nos últimos quatro anos. Por isso, o CORREIO elaborou um dossiê que contextualiza o momento do adversário, sua história e os pontos fortes e fracos da equipe. O jogo de volta é no dia 16, no estádio Norberto ‘Tito’ Tomaghello, na cidade de Florencio Varela, na grande Buenos Aires.

Má fase no âmbito local

Atualmente o Defensa y Justicia é o último colocado do grupo B no Campeonato Argentino. São dois pontos conquistados em cinco partidas na chave que ainda tem Colón, Independiente e Central Córdoba.

O time se classificou para a Sul-Americana com sentimento de tristeza. Isso porque assegurou a vaga por ficar na 3ª colocação do grupo G da Copa Libertadores. Detalhe: perdeu a vaga nas oitavas de final com um gol sofrido aos 45 minutos do 2º tempo contra o Santos, na última rodada, na Vila Belmiro. A derrota por 2x1, combinada com uma vitória do Delfín por 1x0 sobre o paraguaio Olimpia, classificou o time equatoriano em segundo lugar, atrás do Peixe.

Nas últimas 10 partidas, entre Libertadores, Sul-Americana e Argentino, o Defensa y Justicia tem quatro derrotas, quatro empates e apenas duas vitórias.

Antes de enfrentar o Bahia, o time encerra a participação na primeira fase da liga nacional contra o Independiente nesse domingo (6). Não tem mais chance de classificação.

DNA ofensivo

Apesar da classificação apertada em cima do Vasco pelas oitavas de final - 2 a 1 no placar agregado - o Defensa mantém um esquema de jogo bem característico em solo argentino: o DNA ofensivo. 

Nomes como Brian Romero e Francisco Pizzini, atacantes emprestados pelo Independiente, devem ficar no radar do técnico Mano Menezes, como alerta o jornalista argentino Dino Villalba, que há 13 anos mantém o portal Defensa Pasión, dedicado inteiramente à cobertura da equipe argentina. 

“O Defensa y Justicia tem uma identidade própria que consiste em atacar. Eles gostam de fazer bons jogos contra grandes times. Não é uma equipe especuladora; independente de ser um adversário inferior ou superior, o Defensa é um time agressivo, rápido e gosta de impor o jogo”, afirma Dino. 

O meio-campo é composto por atletas experientes, como o uruguaio Washington Camanho, 34 anos, Ciro Rius, 32, e Nelson Acevedo, 32. Entre as promessas do time, Valentín Larralde, de 20 anos, vem brigando por espaço no time comandado por Hernán Crespo e foi titular nas duas partidas contra o Vasco na competição. 

Francisco Pizzini é um dos destaques do time (Foto: Reprodução)


Técnico de Copa do Mundo

O nome do treinador, aliás, não é incomum para quem acompanha futebol. Centroavante de três Copas do Mundo – 1998, 2002 e titular em 2006 - e ídolo da Inter de Milão, Crespo está na função desde o início do ano e estreou como treinador em seu país em 2019, sob o comando do Banfield, após começar a carreira na Itália. A ideia de jogar para frente é fruto de uma “escola” que o Halcón - apelido do clube, que significa Falcão - adotou nas últimas temporadas, desde a chegada de Sebastián Beccacece.

Hoje no Racing - que eliminou o Flamengo na Libertadores - Beccacece trabalhou por 13 anos como auxiliar de Jorge Sampaoli, que foi uma espécie de mentor do treinador. Ao chegar no Defensa, em 2018, introduziu de vez a filosofia de “atacar, atacar e atacar”, como define Villalba. “Os técnicos passam, mas a ideia de jogos é a mesma”, completa.

Por outro lado, a jovem defesa do clube argentino pode se tornar um alvo para o ataque do Bahia, que busca fazer gols a partir dos rápidos contra-ataques. O lateral esquerdo Franco Paredes e a dupla de zaga Héctor Martínez e Adonis Frías são atletas sub-23 e ganharam status de titular no time de Crespo. “O ponto fraco são os erros nas partidas. O time sempre acaba tendo um erro”, afirma o jornalista.

Hernán Crespo construiu um esquema com três zagueiros, mas foi alvo de críticas pela falta de reação que o time apresentou em algumas partidas. Nos jogos contra o Vasco, por exemplo, armou o Defensa no 4-1-4-1.

Outra dificuldade que o técnico vem tendo são baixas por lesão. Na última partida do Campeonato Argentino, derrota por 3x2 contra o Córdoba, metade do time foi composto por jogadores que saíram da divisão de base. “É um fato histórico, nenhum outro treinador fez isso”, comenta Dino Villalba. Os destaques entre os reforços são o atacante Juan Cruz Villagra, que é irmão do atacante Leandro Fernandéz, do Internacional, e o lateral direito Ramírez.

Hernán Crespo abandonou as longas madeixas da época de jogador (Foto: Defensa y Justicia / Divulgação)


Ascensão recente e duelo com brasileiros

Fundado em 1935, o Defensa y Justicia é da cidade de Florencia Varela, que fica na província de Buenos Aires, a 1h ao sul da capital. Ao contrário do que o nome possa significar, não tem nada a ver com o campo jurídico, e sim com uma espécie de ditado criado no fim dos anos 30 pelos fundadores do clube. 

Apesar de ter 85 anos de história, o Defensa só foi incorporado à AFA (Associação de Futebol da Argentina) no final da década de 1970, se tornando um dos clubes mais “novos” do país. Depois de rodar por todas as divisões profissionais, chegou na elite do futebol argentino em 2014. 

De lá para cá, o time se manteve na 1ª divisão, mas atingiu o auge de sua história a partir de 2017. Nesse ano estreou em competições continentais e eliminou o São Paulo, treinado na época por Rogério Ceni, na própria Sul-Americana. Um empate por 1x1 no Morumbi deu a classificação aos argentinos após 0x0 em casa.

No ano seguinte, alcançou as quartas de final e foi eliminado pelo Junior Barranquilla, da Colômbia, finalista daquela edição que teve o Athletico Paranaense como campeão.

Em 2017 o São Paulo foi eliminado pelo Defensa y Justicia (Foto: AFP)

A temporada 2018/2019 foi um ano mágico para os torcedores. Sob o comando de Beccacece, o Halcón conquistou o segundo lugar no Campeonato Argentino e ficou a quatro pontos do líder Racing, deixando para trás os gigantes Boca Juniors e River Plate. 

Em 2020, estreou na Libertadores e, depois da eliminação na fase de grupos, aproveitou falha da defesa vascaína e garantiu a passagem para as quartas de final com triunfo de 1x0 em São Januário, após empate de 1x1 na Argentina.

Na fase anterior da Sula, o time já havia aprontado como visitante: deixou para trás o Sportivo Luqueño depois de vencer o jogo de ida por 2x1 no Paraguai e empatar por 1x1 como mandante, na volta. Esta é a quarta participação consecutiva da equipe na Copa Sul-Americana.

Argentino com as cores do Brasil

Ao contrário do verde e amarelo que lembram a seleção brasileira, o Defensa y Justicia foi criado com as cores da bandeira de seu país. O azul e o branco foram mantidos até a década de 1980. A empresa El Halcón se tornou a primeira patrocinadora do clube, então recém-integrado à AFA. O investimento foi tão importante que as cores foram alteradas e ficaram iguais à da logo da empresa: verde e amarela. Até o apelido foi derivado dessa parceria, os Halcóns nasceram de fato em 1981.

‘Um dos três melhores gramados do país’

O estádio Norberto ‘Tito’ Tomaghello, apesar de ser modesto, com capacidade para 20 mil pessoas, “tem um dos três melhores gramados do país”, na avaliação do jornalista Dino Villalba. É lá que será definida a série contra o Bahia, no dia 16 de dezembro, a partir das 19h15. Foi construído em 1978 e se chamava General Don José de San Martín, em referência a um dos heróis da independência da Argentina e de outros países sul-americanos. O nome atual do estádio foi dado em 1990, homenageando um ex-presidente do clube.

Estádio tem capacidade para 20 mil pessoas (Foto: Reprodução)


Ficha técnica

Bahia x Defensa y Justicia
Data:
9/12/2020
Local: Arena Fonte Nova
Horário: 19h15
Transmissão: Conmebol TV

Defensa y Justicia x Bahia
Data:
16/12/2020
Local: Estádio Norberto ‘Tito’ Tomaghello
Horário: 19h15
Transmissão: Conmebol TV

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas