Um ano após morte de policial, testemunha é assassinada no mesmo local

salvador
11.02.2019, 17:04:00
Atualizado: 11.02.2019, 18:28:23
(Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

Um ano após morte de policial, testemunha é assassinada no mesmo local

Crimes aconteceram no Engenho Velho da Federação e moradores desconfiam de ligação

A comerciante Hilda Rodrigues de Oliveira, 52 anos, foi assassinada a tiros a poucos metros do próprio depósito de bedidas, no bairro do Engenho Velho da Federação. Ela se preparava para fechar o estabelecimento, por volta das 18h do sábado (9), quando quatro homens encapuzados chegaram atirando. Para moradores do bairro, a morte tem ligação com o assassinato do policial civil Luís Cláudio Batista Lopes, 58, morto no dia 28 de janeiro do ano passado, a cerca de 50 metros do mesmo depósito. Hilda testemunhou o crime.

O corpo de Hilda foi enterrado na manhã desta segunda-feira (11) no Cemitério Campo Santo. Os familiares preferiram não conversar com a imprensa. 

Foto: Facebook/Reprodução

A morte do policial civil Luís Cláudio foi atribuída pela investigação à época a criminosos que eram integrantes da facção Comando da Paz (CP), uma das organizações criminosas que disputa o controle do tráfico no bairro. 

A maioria dos vizinhos acredita que a morte de Hilda tem a ver com a de Luís. Outra versão apresentada por eles é que traficantes desconfiaram que a comerciante teria passado informações para a polícia, que realizou uma operação durante a semana e baleou um dos integrantes do CP.

Apesar das especulações, as informações não são confirmadas pela Polícia Civil. Através da sua assessoria, a pasta informou que a investigação está na fase inicial, com a DH/Atlântico, e ainda não há informação de que a morte da comerciante tenha relação com o assassinato de Luís Cláudio.

A assessoria da PC informou ainda que, na ocorrência, não há nenhuma informação sobre a autoria ou motivação do crime. As testemunhas devem começar a ser ouvidas ainda nesta segunda-feira (11). 

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o caso do policial morto ainda não foi concluído, segue sendo investigado e os autores do crime estão com mandados de prisão em aberto.

Moradores silenciam por medo
O primeiro tiro que atingiu Hilda aconteceu na Avenida Francisco, conhecida como Beco da Rabada, onde fica o Depósito de Bebida do Hugo, nome que homenageia seu filho mais velho. Segundo testemunhas, os bandidos chegaram ao local a pé e atiraram contra a mulher.

Hilda correu para via principal, na Avenida Apolinário Santana, mas acabou caindo na pista. Alcançada pelos criminosos, ela foi baleada diversas vezes e morreu no local. Os assassinos fugiram da mesma forma que chegaram: a pé. 

No dia seguinte ao crime, no domingo (10), policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM) ocuparam os principais pontos do Engenho Velho da Federação, realizaram rondas e abordagens, mas ninguém foi preso.

Nesta segunda (11), o CORREIO esteve no local do crime, mas não havia uma viatura sequer circulando entre 8h30 e 9h30. O depósito amanheceu de portas fechadas e os vizinhos, com medo de represálias, preferiram o silêncio. O rastro de sangue, que denuncia o assassinato, segue no local.

Na casa de Hilda, não havia ninguém. “Foram todos ao enterro”, disse uma vizinha.

Hilda foi eneterrada nesta segunda-feira (11) (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

Enterro
Pouco mais de 100 pessoas compareceram ao enterro de Hilda, às 11h, no Cemitério Campo Santo. Uma das pessoas presentes, que preferiu não se identificar, também acredita que a morte da comerciante pode estar relacionada à morte do policial civil.

“Ela viu tudo. No dia, o policial bebia com ela na porta do bar, quando a mulher do filho dele o chamou para casa. Ele levantou, deu uns dez passos e foi surpreendido a tiros disparados por dois homens", lembra.

"Mesmo encapuzados, dois deles foram apontados [por populares] como sendo os mesmos que mataram o policial. O povo fez associação por causa da voz e do físico. E agora está mais difícil de pegar eles, porque os bandidos de lá contam com suporte dos integrantes da facção que atuam no Nordeste de Amaralina, que é CP”, completou.

Ainda no enterro, a outra hipótese da motivação do crime também era comentada. 

“O que muita gente está comentando também é que, dias antes do crime, a polícia fez uma operação no bairro e um dos homens ligados à facção acabou sendo baleado. Disseram que ela teria sido informante dos policiais. Além disso, comentam também que ela comentava com outras pessoas sobre a morte do policial”, contou um outro morador, que também pediu anonimato.

Policial
O policial civil Luis Cláudio, chefe do Serviço de Investigação (SI) da Delegacia do Adolescente Infrator (DAI) de Salvador, foi morto a tiros no dia 28 de janeiro de 2018, no Beco da Rabada, no Engenho Velho da Federação. Segundo informações da PM, policiais da 41ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Federação) foram acionados após uma suposta troca de tiros na Rua Apolinário Santana.

“Ao chegarem ao local, os policiais encontraram o policial civil com disparos de arma de fogo no corpo e prestaram socorro para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas ele não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade”, disse a PM, à época, em nota ao CORREIO. No boletim de ocorrência registrado no posto da Polícia Civil do HGE, consta que Luís Cláudio foi encontrado caído no interior de seu veículo.

Policial foi morto no ano passado
(Foto: Reprodução)

De acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Luis Cláudio foi surpreendido pelos bandidos armados por volta das 15h. Ele morava na Avenida Francisco e estacionava o carro no beco. Ao tentar sair, foi abordado.

Em depoimento, um vizinho do policial disse que acordou assustado com os tiros e se jogou no chão, mas não soube precisar a quantidade de disparos. De acordo com agentes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), foram disparados mais de dez tiros.

Carro ficou com marcas de tiros
(Foto: Júlia Vigné/CORREIO)

Luis Cláudio foi baleado no pescoço, tórax e braço esquerdo. O carro dirigido por ele, um Santa Fé branco, placa FJM-5975, de Taubaté (SP), ficou com marcas de tiros, assim como um Fiat Palio prata que estava estacionado ao lado, mas estava vazio.

No Sanfa Fé, os tiros atingiram o vidro do lado do motorista. Já no Palio, havia marcas de tiros no vidro lateral, também do lado do motorista, e na porta. Havia, ainda, uma poça de sangue no chão, ao lado da porta do Santa Fé, e marcas de sangue cerca de dois metros atrás do carro.

Cerca de um ano antes, em fevereiro de 2017, Luís Cláudio, o filho dele, o agente penitenciário Luís Cláudio Batista Lopes Filho, e o advogado André Cerqueira Santos sofreram uma tentativa de homicídio no mesmo local. Na época, quatro homens eram suspeitos do crime e três foram presos. O filho do policial e o advogado foram baleados.


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