Um encontro com um Rei Naldo em Nova York

entretenimento
04.12.2021, 11:00:00

Um encontro com um Rei Naldo em Nova York

Eterno craque do Atlético Mineiro curtiu festa movida pela axé music em NYC

Quando eu vi pela TV o jogador Reinaldo, o Rei, como o chama até hoje a torcida do Atlético Mineiro, emocionado durante um jogo no Mineirão quando Hulk comemorou um gol repetindo aquele gesto de levantar o braço com o punho cerrado, como o eterno craque do galo fazia, me lembrei logo do meu encontro com ele. Antes de relatar esse encontro é bom relembrar para as gerações mais novas que esse gesto simbolizava, e ainda simboliza, o protesto contra o preconceito, o racismo entre tantas outras mazelas que até hoje são cometidas por gente sem noção. Isso nos anos 1970, em plena ditadura militar vigente no Brasil.

Reinaldo, do Atlético Mineiro

(Foto: Acervo pessoal de Silvana Magda)

Voltando à história. O ano era 2009, e fui convidado pela baiana Silvana Magda para a cobertura jornalística pelo CORREIO do Brazilian Day, em Nova York, do qual ela fazia parte do staff  e da Lavagem da Rua 46 que ela criou e dirigiu. Nesse ano, uma das atrações era Carlinhos Brown, que participou dos dois eventos. Realizada no dia 6 de setembro, a festa, segundo informação dos produtores da Globo Internacional, levou 1,5 milhão de pessoas às ruas de Nova York, e foi animada pelos shows do rapper Marcelo D2, da dupla sertaneja Victor e Leo, pelos sambistas Arlindo Cruz e Alcione e pelos cantores Elba Ramalho e Carlinhos Brown. A apresentação do evento foi da atriz Regina Casé.

O jogador Reinaldo nos anos 1970 (Foto: Divulgação)

Quando cheguei no aeroporto, encontrei com Dib Kraychete que eu conhecia como produtora do Cheiro de Amor, era amiga de Silvana Magda, e também estava indo para o evento. No aeroporto em São Paulo, antes de pegar o voo internacional, encontramos com o jogador Reinaldo, que também estava indo participar da festa a convite de Edilberto Mendes, mineiro como ele e também do staff do Brazilian Day. Fizemos um voo tranquilo até Nova York, com escala em Washington. Ai foi que eu tive a surpresa. Diby era fumante inveterada, e eu não sabia. Reinaldo também. Quando paramos em Washington já estava em vigor a lei que proibia fumar em lugares fechado, como nos aviões. Até mesmo nos aeroportos tinha uma cabine onde você tinha que entrar para saciar seu vicio.

Foi ai que eu percebi o desespero de Dib e Reinaldo, que entraram uma cabine de vidro para fumar. Parecia uma jaula. Eu fiquei esperando os dois do lado de fora e ria. Porque era uma cena absurda. Era tanta gente fumando, e tanta fumaça, que não dava nem para eu ver os dois. Até que eles saíram, e Reinaldo estava passando mal, assim como Dib, devido à concentração de toxina.

Enfim chegamos no Hotel. Reinaldo ficou em outro que não o nosso. Fomos para o quarto. Só que Dib pediu para o zelador levar a mala dela. Quando ele chega, ela abre a porta fumando. O funcionário a alertou que só poderia fumar na frente do hotel. Ela disse que viajava com músicos que fumavam e que colocavam uma toalha molhada para ninguém perceber. Mas o funcionário comunicou à gerência que a hospede o recebeu fumando. O gerente foi lá dizer que ela tinha cometido um crime. Sem falar inglês, Dib me ligou desesperada porque a multa seria de $200 dólares. Eu conversei com o gerente dizendo que essa lei não existia no Brasil e ela não falava a língua. Foi perdoada.

Dib Kraychete (Foto: Acervo Pessoal)

Passados 12 anos, liguei para Dib falando que ia fazer uma matéria sobre nosso encontro com Reinaldo e as situações que passamos. Ela prontamente respondeu com bom humor:

“Que viagem divertida. Estávamos indo para o Brazilian Day, viajamos muito tempo, com conexão no aeroporto de Washington DC para chegarmos em NY, (eu ainda fumava essa época). Então procurava um espaço onde pudesse fumar.  Reinaldo vinha no mesmo voo. Depois de muito procurar, encontrei um aquário reservado para fumantes. Ufa! E lá estava Reinaldo e outras pessoas na mesma situação. Era tanta fumaça, nossa! Quando Marrom estava me procurando e me encontrou lá dentro, era só nuvem de fumaça. Ele começou a rir, rir muito do lado de fora. Fiquei amiga de Reinaldo porque, amigos como Marrom do nosso lado é muito difícil não se fazer amizade. Reinaldo é cara do bem, gente muito boa! “.

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