Uma outra Copa do Mundo na Europa

de fora
10.07.2018, 05:00:00
Atualizado: 23.07.2018, 19:08:31

Uma outra Copa do Mundo na Europa

Para alguns brasileiros, a Copa do Mundo acabou. A maioria dos torcedores, no Brasil, tem uma relação muito forte com a Seleção e com seu clube de coração, mas nem tanto assim com o futebol “dos outros”. É natural que o interesse diminua, não há nada de errado, é apenas uma das formas de se torcer. 
Claro que tem todo tipo de torcedor na Europa, mas tenho a impressão que existe uma atração maior pelo futebol de uma forma geral e menos fanatismo por apenas um escudo, seja ele do clube ou do país.

Por aqui, no dia a dia, as pessoas exibem muito menos sua torcida. É praticamente impossível, por exemplo, encontrar alguma pessoa local vestindo uma camisa de clube ou da sua seleção num dia normal. Isso é impensável no Brasil. Após um fim de semana de jogos de Bahia e Vitória, o que mais vemos são camisas tricolores e rubro-negras (a depender do resultado) pelas ruas de Salvador. 

Isso simplesmente não existe por aqui. Camisa de futebol é para ir ao estádio e ponto final. Por outro lado, é fácil perceber que existe um interesse maior dos torcedores por outras seleções e outros clubes, e que o futebol é mais estudado, existe mais literatura sobre o esporte, por exemplo, e menos concentrado em apenas um escudo.

Dito isso, a “importância” da Copa do Mundo é vivida de uma forma diferente também. Não existe essa história das empresas darem folga (ou ajustarem horário) por iniciativa própria na hora dos jogos da seleção do país. Dia desses, inclusive, li uma matéria, numa revista francesa, que julgava o quanto era errado acompanhar as partidas no computador no local e horário de trabalho. A sugestão era para que os trabalhadores apenas conferissem o placar do jogo de tempos em tempos. Pense aí!

Nos clubes, existe zero pudor em “ofuscar” a Copa do Mundo. Na Espanha, o Real Madrid não tomou conhecimento da seleção espanhola e foi pra cima do técnico Julen Lopetegui. Na França, o PSG anunciou a chegada do goleiro Gianluiggi Buffon minutos depois da seleção francesa garantir a vaga nas semifinais da competição. 
Na Itália, especificamente neste ano, obviamente, nem se fala. Com a possibilidade da chegada de Cristiano Ronaldo na Juventus, há mais de uma semana, o torneio na Rússia é um mero coadjuvante do mercado de transferências.

Por falar no clube de Turim, aconteceu, na sgeunda (9), a apresentação do alemão Emre Can, reforço vindo do Liverpool. Até por conta de um possível desembarque do português na cidade, vários jornalistas de outros países estavam no evento. Sem exceção, alemães, portugueses, italianos e espanhóis, todos que falaram comigo da derrota do Brasil pra Bélgica, terminavam com algum comentário sobre o comportamento imaturo de Neymar em campo. 
O craque brasileiro tinha uma chance única de ganhar um respeito que ele ainda não tem. Futebolisticamente falando, não existe questionamento. Quanto às atitudes, Neymar sai da Rússia duplamente derrotado. E ele não é mais um menino.

*Clara Albuquerque é jornalista e correspondente internacional na Europa


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