Valérie, mulher de Hollande, promete ter forte influência no novo governo

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15.05.2012, 11:39:00
Atualizado: 15.05.2012, 11:43:21

Valérie, mulher de Hollande, promete ter forte influência no novo governo

Posse presidencial Namoradinha da França Valérie, mulher de Hollande, promete ter forte influência no novo governo

Eduardo Pelosi
De Londres, especial para o CORREIO

Com a posse do novo presidente francês François Hollande, hoje, o palácio presidencial em Quay d’Orsay receberá também uma nova primeira-dama. Valérie Trierweiler é jornalista, tem 47 anos, e durante a campanha eleitoral mostrou que é uma mulher de personalidade forte, independente e deve influenciar nas decisões do novo governante.

O sorriso simples, os cabelos castanhos e o figurino básico não parecem combinar com o apelido de “Rotweiller”, que ganhou dos adversários de Hollande, e muito menos com o título de “Dama de Ferro” - que faz referência à ex-primeira ministra britânica Margaret Thatcher - dado pela imprensa europeia.

Valérie declarou à TV francesa Canal+ que não sabe exatamente qual será seu papel e não encontrou nenhuma “escola para primeira-dama”. Já ao The Times, ela disse que não será apenas “um enfeite”, o que foi considerado pelos franceses como uma crítica exagerada ao estilo da sua antecessora, a ex-modelo Carla Bruni.

Durante a campanha eleitoral, Valérie atuou ativamente como conselheira do então candidato e trabalhou no escritório da campanha de Hollande. É atribuída a ela a grande mudança na aparência do novo presidente da França, que emagreceu mais de dez quilos, passou a usar ternos mais modernos e abandonou os óculos de armação quadrada durante os últimos meses.

Segundo o The Telegraph, Valérie orquestrou, inclusive, o beijo que Hollande deu nela na celebração da vitória eleitoral, o que foi considerado um comportamento fora do estilo do novo presidente.

Namoro
Esta será a primeira vez na história que um presidente francês assumirá o posto sem ser casado oficialmente. Mas a situação, que pode gerar entraves diplomáticos em visitas de Hollande a países mulçumanos ou ao Vaticano - que possuem regras mais duras com relação ao casamento -, não é uma preocupação para a nova primeira-dama e também não tem sido vista como um problema pelos franceses.

Valérie tem origem em uma família bem mais humilde do que as outras primeiras-damas francesas. Apesar de seu avô ter sido dono de um banco no sudoeste da França no início do século XX, quando ela nasceu, em 1965, o banco Massonneau Angevine & Co. já havia sido vendido quinze anos antes e a herança dissolvida entre os familiares.

Ela foi a quinta de seis filhos de um pai inválido e uma mãe que trabalhou como funcionária de uma pista de patinação, e viveu toda a infância em Angers, há 300 quilômetros de Paris, numa residência para famílias de baixa renda mantida pelo governo.

Ambiciosa, decidiu estudar Ciências Políticas na Universidade de Sorbonne e começou a carreira jornalística em 1988, na extinta revista Profession Politique.

Atuou no jornalismo político durante mais de 20 anos, dos quais em grande parte trabalhou para a revista semanal Paris Match. Valérie foi casada duas vezes e teve três filhos com o seu segundo companheiro, o jornalista Denis Treirweiler.

Curiosamente, uma das suas entrevistas mais marcantes foi publicada em 1992, com Ségolène Royal - então ministra do Meio Ambiente - que era casada com François Holland e havia se tornado a primeira francesa a dar à luz enquanto ocupava um cargo de ministra. O relacionamento de Hollande com Valérie se tornou público em 2010, quando ele declarou que ela era a mulher da vida dele.

Entretanto, a relação dos dois é apontada pela mídia francófona como a causa do fim do casamento de 30 anos entre ele e Ségolène, em 2007.

Reviravolta
Em entrevista à BBC de Londres, a nova primeira-dama confessou que até hoje se surpreende com a extraordinária reviravolta em sua vida. “Eu me tornei assunto do que antes eram minhas reportagens. É como naqueles filmes onde uma pessoa atravessa a tela do cinema e se torna parte da história”, comentou Valérie.

A inversão de papéis parece não ser tarefa fácil para a companheira do presidente Hollande. Durante a campanha eleitoral, chegou a enviar mensagens criticando duramente antigos colegas de profissão e se desentender com equipes de reportagem que seguiam seus passos e faziam plantão na porta da sua casa.

Quando descobriu que era a personagem na capa da Paris Match, revista para a qual trabalhava, declarou, através da rede social Twitter, que estava chocada em descobrir que suas fotos foram usadas sem a sua autorização ou sem sequer ser comunicada. Ela criticou o enfoque machista da matéria e exclamou ironicamente: “Bravo, Paris Match!”

Após assumir o relacionamento com Holland, Valérie foi afastada da cobertura política e teve que encerrar um programa onde entrevistava políticos em um canal de TV a cabo. Apesar disso, a jornalista reafirmou o seu perfil de mulher independente ao declarar que não pretende ser apenas uma primeira-dama.

Em entrevista à revista Elle, Valérie afirmou que deseja continuar exercendo a sua profissão e que pretende fazer um programa onde entrevistará personalidades estrangeiras, para manter distância do seu comprometimento político e não atrapalhar o trabalho do novo presidente.

“Quero continuar trabalhando para ter minha independência. Tenho três filhos adolescentes e não ficarei confortável em sustentá-los com os recursos do governo francês”, disse.