Velório coletivo reúne multidão com mais de 15 mil pessoas em Suzano

brasil
14.03.2019, 23:28:20
Atualizado: 14.03.2019, 23:53:26
(Nelson Almeida/AFP)

Velório coletivo reúne multidão com mais de 15 mil pessoas em Suzano

Douglas Murilo Celestino, de 17 anos, será o único dos cinco alunos assassinados que não será velado na Arena Suzano

Os corpos das vítimas do massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, foram enterrados na tarde desta quinta-feira, 14, sob aplausos e muita comoção. O velório coletivo começou por volta das 7h, desta quinta-feira (14), na Arena Suzano no Parque Max Feffer, e teve mais de 15 mil pessoas, que formaram filas e chegaram até em ônibus escolares.

Os corpos velados no local foram dos adolescentes: Caio Oliveira, Kaio Lucas da Costa Limeira, Samuel Melquíades Silva de Oliveira, Claiton Antonio Ribeiro e das funcionárias da escola Eliana Regina de Oliveira Xavier e Marilena Ferreira Vieira Umezo. Por volta de 9h30, mais de 100 pessoas aguardavam em uma fila para prestar condolências aos familiares das vítimas que foram veladas na Arena Suzano. No centro do ginásio, dispostos os caixões.

No local, além de familiares e amigos, moradores do entorno também prestaram homenagens. Dentre eles, estava o corretor Edvaldo de Araújo, de 55 anos, que mora em um bairro vizinho à escola. "É muito triste. Não tem palavras. Viemos prestar uma homenagem, que Deus conforme o coração desses pais."

A faxineira Edilene da Silva, de 50 anos, foi abraçar uma amiga, prima de uma vítima. "Comoveu a cidade. É uma tragédia grande que só via em outros países. É uma coisa sem explicação. A gente se coloca no lugar da mãe, dos que estão sofrendo."



Douglas Murilo Celestino, de 17 anos, será o único dos cinco alunos assassinados que não será velado na Arena Suzano. Evangélica, a família optou por realizar a cerimônia em uma igreja da Assembleia de Deus de Suzano na tarde desta quinta-feira.

De manhã, uma série de cultos ecumênicos foram realizados dentro do ginásio.

No local, grades separavam a área onde estão os corpos e as famílias das vítimas. Ao lado, um corredor é destinado para a passagem da população que foi prestar homenagens. Mesmo após o fim do culto, algumas família continuaram a entoar canções cristãs, enquanto os parentes mais próximos continuam junto dos caixões. Em um deles, uma mulher permanecia olhando uma vítima, enquanto acariciava repetidamente o cabelo do menino.

Nas arquibancadas, dezenas de pessoas assistiram ao velório. Em um canto, quatro pessoas seguravam cartazes contra a violência. Dentre elas, estava a professora Rosana da Silva, de 55 anos, que se considerava a inspetora Eliana Xavier (uma das vítimas) como uma sobrinha.

"Cheguei aqui e fiz esse cartaz protestando contra essa violência, pena que são tão poucas pessoas (se manifestando). Tenho uma ONG que já faz um trabalho social no Itaim Paulista (na zona leste de São Paulo), esse veio por acaso, infelizmente "

"Já fiquei com a família, já me solidarizei com todos. Alguém tem que se mexer. Já vieram jovens e cada um segurou um pouquinho", diz. "Minha filha cresceu junto (com Eliana). A gente tem um vínculo muito grande. Tem essa consideração, esse carinho."

Do lado de Rosana, também protestava Antônio da Paz, de 63 anos, que vestia uma camisa do Brasil e segurava um cartaz com: "Paz já! Para que tanta violência com os nossos jovens?"

Ele veio de Guaianazes, na zona leste da capital, de CPTM. "Vim protestar. Falar alguma coisa pelos nossos jovens. É triste ver jovens se acabar dentro da escola."

Por volta das 14h30, os portões foram fechados na Arena Suzano para um momento de homenagens mais privativa. Na parte central do ginásio, durante uma missa, foram lidos os nomes das vítimas e feito um pedido de paz. "Sim à paz. Não à violência."

Cinco dos seis corpos que estavam no velório foram levados para o enterro em cortejo até o Cemitério Municipal São Sebastião, também em Suzano. Segundo a Prefeitura, mais de 9 mil pessoas foram prestar homenagens às vítimas até as 13h50.

Assistência Médica
Cerca de 50 profissionais da rede municipal de saúde prestaram atendimento no local do velório, entre médicos psiquiatras e clínicos gerais, psicólogos, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e assistentes sociais.

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo também enviou, ainda na quarta-feira, 13, dois psiquiatras e um psicólogo para dar apoio no atendimento às famílias e demais envolvidos na ocorrência, atuando em conjunto com a equipe do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Suzano.

A Secretaria mobilizou ainda médicos do Grupo de Resgate, que atuaram ao lado dos Bombeiros e do Grupamento Aéreo (Águia), fortalecendo o trabalho do Resgate no atendimento pré-hospitalar às vítimas.

Pacientes Internados
Cinco feridos estão sendo assistidos por equipes especializadas de hospitais estaduais - HCFMUSP e hospitais Luzia de Pinho Melo e Geral de Itaquaquecetuba.

Três dos onze pacientes internados tiveram alta nesta quinta-feira. Oito permanecem internados, dos quais três estão na UTI, mas com quadro estável.

Estados de saúde dos feridos levados a hospitais estaduais:

1. Adna Isabella Bezerra de Paula, 16 anos, transferida do PSM Suzano para o HC/FMUSP - estável, na UTI.

2. Anderson Carrilho de Brito, 15 anos, transferido do PSM Suzano para o HC/FMUSP - estável, na UTI.

3. Jenifer da Silva Cavalcante - HC Luzia de Pinho Melo, estável, na UTI.

4. Leonardo Martinez Santos - socorrido ao HC Luzia de Pinho Melo - estável; passará por cirurgia.

5. Leonardo Vinícius Santana, 16 anos, estava na Santa Casa de Suzano e foi transferido para o HC/FMUSP - teve alta.

6. Letícia de Melo Nunes, (Hospital Santa Maria - transferida para Hospital Geral de Itaquaquecetuba) - teve alta.

7. Murillo Gomes Louro Benites, 15 anos - socorrido ao HC/FMUSP pelo Águia - estável, na enfermaria.

Estados de saúde dos feridos que estão na Santa Casa de Misericórdia de Suzano:

8. Beatriz Gonçalves Fernandez, 15 anos, teve alta no fim da manhã desta quinta-feira.

9. Guilherme Ramos do Amaral, de 14 anos, deve passar por cirurgia ortopédica ainda nesta quinta-feira.

Estado de Saúde dos feridos que estão no Hospital particular Santa Maria:

10. José Vitor Ramos Lemos, de 18 anos, que foi atingido por um machado, quadro estável.

11. Samuel Silva Félix, de 14 anos, quadro estável.

Ato ecumênico no local do velório.
Todos os sepultamentos, com exceção da Marilena, ocorreram em jazigos coletivos do Cemitério Municipal São Sebastião, localizado na Rua Cássia Francisco, 651, Sítio São José. O sepultamento do corpo da Marilena não ocorreu nesta quinta-feira porque um dos filhos chegará apenas na sexta-feira, 15, da China; a família não divulgou o local do enterro.

O que se sabe até o momento:

  • Os alunos estavam em intervalo de aulas;
  •  Os responsáveis pelo ataque eram ex-alunos da Escola Estadual Raul Brasil;
  • Após ataque na oficina, a dpula foi até o colegio: o adolescente entrou primeiro na escola pela porta da frente e atirou na direção de um grupo, onde estava coordenadora pedagógica Marilena Umezo e a inspetora Eliana Xavier;
  • O outro assassino, Luiz Henrique, foi quem carregou as demais armas para dentro das escola e usou uma machadinha para atacar vítimas baleadas no chão e atacar estudantes que fugiam da escola;
  • Foram usadas no ataque uma arma de calibre 38, machadinhas e uma besta (arma medieval com flecha);
  • Os artefatos explosivos levados para dentro da escola em bolsas eram falsos;
  • A dupla responsável pelo ataque são vizinhos e costumavam passar horas conversando na rua;
  • Segundo vizinhos, os assassinos passavam pelo menos três noites por semana em uma lan house perto de casa jogando games como Counter Strike e Mortal Combat, além do Call of Duty;
  • Morreram cinco alunos, duas funcionárias da escola, o tio do adolescente atirador e o comparsa dele. O adolescente se matou em seguida;
  • Onze estudantes ficaram feridos e estão internados. Alguns estão em estado grave;
  • O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), decretou luto oficial de três dias no Estado;
  • O Gate fez uma varredura na escola, porque foram encontrados artefatos com aparência similar a de explosivos;
  • A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo enviou dois psiquiatras e um psicólogo para dar apoio no atendimento às famílias e demais envolvidos na ocorrência.



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