Violência psicológica é a forma mais subjetiva de agressão à mulher

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09.08.2018, 13:10:04
Atualizado: 10.08.2018, 09:05:12

Violência psicológica é a forma mais subjetiva de agressão à mulher

Para estar em uma relação violenta e abusiva não é precioso uma mulher ser agredida fisicamente. A autoestima feminina tende a ser abalada por palavras e atitudes ofensivas que deixam marcas profundas para uma vida inteira. A violência psicológica é a forma mais subjetiva de agressão, por esse motivo, difícil de identificar.

A violência psicológica, às vezes, é negligenciada até por quem sofre, por não perceber que ela vem mascarada. Por conta da cultura machista, muitas mulheres são orientadas a “suportar” essas violências com a justificativa de que o homem é assim por natureza. Muitas têm medo de pedir ajuda, pois sentem que podem ser julgadas e se acham culpadas.

Existem diversas formas de manipulação do homem que retiram a liberdade da mulher fazendo ela se sentir inferior como o mansplaining e o gaslighting. No mansplaining o homem explica determinada coisa a mulher, de forma didática, como se ela não tivesse capacidade de entender e dependesse dele para compreender as coisas. Já o gaslighting é uma forma de abuso psicológico onde o abusador modifica informações e situações com objetivo de desmerecer a verdade da vítima, fazendo ela e outros duvidarem de sua memoria percepção e sanidade para benefício próprio.

Segundo definição da OMS ela é entendida como: “Qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação”.

A violência psicológica é uma ação destinada a degradar ou controlar as ações, comportamentos, crenças e decisões de outra pessoa por meio de intimidação, manipulação, ameaça direta ou indireta, humilhação, isolamento ou qualquer outra conduta que implique prejuízo à saúde psicológica, à autodeterminação ou ao desenvolvimento pessoal. A omissão é considerada violência psicológica, pois é um acordo tácito entre os envolvidos que se sentem apoiados e estimulados a manter o comportamento e a repetir.

Esse tipo de violência normalmente precede a agressão física que, uma vez praticada e tolerada, pode se tornar constante. Na maioria das vezes, o receio de assumir que o casamento ou o namoro não está funcionando ainda é um motivo que leva mulheres a se submeter à violência - entre todos os tipos e não apenas a psicológica.

A violência psicológica acontece quando ele quer decidir o jeito como ela se veste, pensa, come ou se expressa; critica as coisas que ela faz; desqualifica as relações afetivas; a xinga; expõe a situações humilhantes em público; critica o corpo dela de forma ofensiva e considera como uma "brincadeira"; entre outras formas.

Proveniente disso mulheres tem apresentado a depressão, ansiedade, pânico além de alcoolismo e dependência química. Precisamos modificar essa representação social do lugar da mulher pois isso causa doença. Se você conhece alguma mulher que esteja passando por alguma situação de violência, ajude-a!


Especialista em Terapia Cognitiva Comportamental e em Saúde Mental Coletiva, Ticiana Rangel é psicóloga da Clínica Fênix

Opiniões e conceitos expressos nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores



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