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Estadão
Publicado em 29 de julho de 2024 às 11:30
A medalha de prata conquistada por Kelvin Hoefler na disputa de street na Olimpíada de Tóquio, em 2021, é histórica para o skate brasileiro. Foi o primeiro pódio alcançado pelo País na modalidade, que estreou nos Jogos Olímpicos justamente naquela edição. Agora, em Paris, Kelvin está na final e vai buscar mais uma medalha. >
Depois do ótimo desempenho do Brasil, com medalhas de prata também para Rayssa Leal no street e Pedro Barros no park, os skatistas passaram a ganhar mais atenção do público geral e da mídia.>
Para Kelvin, o pós-Tóquio foi de algumas mudanças. Com a cabeça voltada para outros assuntos, teve uma temporada abaixo do que poderia oferecer em 2022. "Acho que eu não estava focado o suficiente nos eventos de skate, estava fazendo outras coisas. Estava mais filmando e fazendo coisas com a família. Eu senti um pouco depois dos Jogos Olímpicos", contou em entrevista ao site oficial dos Jogos Olímpicos.>
Foco e disciplina eram justamente as principais qualidades do atleta paulista, até por isso voltaram a aparecer em 2023 e 2024, ano em que se fortaleceu com bons resultados na corrida olímpica rumo a Paris-2024. Depois do pódio em Tóquio, o skatista passou a ser visto, de fora, como uma espécie de "lobo solitário", por aparentar estar mais afastado dos demais integrantes da seleção de street. Ao mesmo tempo, era clara a boa relação dele nomes como Pâmela Rosa, por exemplo.>
"Eu estava focado. A missão era ganhar o bagulho", disse Kelvin ao podcast PodPah, pouco depois da Olimpíada no Japão. "Se fosse para ficar de 'funçãozinha', eu ficava aqui no Brasil. Viajei 20 horas ara ganhar o bagulho. O pessoal que estava de 'função' não ficou concentrado no que estava lá pra fazer. Eu tinha missão e fui fazer. Eu foquei, estudei, fui para ganhar.">
Em 2022, ele reforçou a imagem de outsider ao deixar a seleção brasileira por discordâncias com a Confederação Brasileira de Skate (CBSk). Mais recentemente, no início deste ano, foi o único dos principais competidores do skate nacional que não declarou apoio à CBSk na briga institucional com a World Skate - que chegou a desfiliar a entidade nacional de seu quadro, mas teve de aceitá-la de volta após decisão da Corte Arbitral do Esporte (CAS).>
Nascido em Itanhaém, Kelvin Hoefler cresceu no Guarujá, onde começou cedo no skate. Nos primeiros anos da vida adulta, após já ter se destacado em campeonatos na Europa, mudou-se para Los Angeles, nos Estados Unidos, e se hospedou por algum tempo na cozinha do apartamento de Ana Paula Negrão, hoje sua mulher e treinadora. Desenvolveu suas habilidades em território americano e, aos poucos, começou a empilhar títulos.>
O skatista paulista tem dois ouros, três pratas e dois bronzes do X-Games, além de ter sido o campeão da Liga Mundial de Skate Street (SLS) em 2015. No atual ciclo olímpico, disputado em circuito organizado pela World Skate - sem relação com a SLS, como foi no ciclo passado -, só subiu em um pódio, quando foi terceiro colocado no Pro Tour de Roma em 2023.>
No último qualificatório olímpico, terminou em oitavo lugar, posição que o ajudou a se classificar para as Olimpíadas como melhor brasileiro do ranking, em 14º lugar, apenas uma posição acima de Giovanni Vianna.>