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Maiara Baloni
Publicado em 11 de julho de 2026 às 05:18
O programa Minha Casa, Minha Vida Rural (MCMV Rural) garante isenção total no pagamento das parcelas de construção e reforma para famílias inscritas no Bolsa Família e no Benefício de Prestação Continuada (BPC). A medida faz parte do desenho operacional da linha habitacional, que atende famílias com renda anual de até R$ 96 mil. >
Os critérios de seleção e a sistemática de pontuação da modalidade, no entanto, entraram em debate na Câmara dos Deputados após entidades do setor e lideranças comunitárias cobrarem maior transparência do Ministério das Cidades e da Caixa Econômica Federal no remanejamento de metas e na desclassificação de propostas regionais.>
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O atendimento do programa é dividido em três faixas baseadas no rendimento bruto anual. A Faixa Rural 1 atende famílias com renda de até R$ 31.680 por ano, a Faixa Rural 2 abrange quem ganha até R$ 52.800 anuais, e a Faixa Rural 3 atende o limite de R$ 96.000 por ano. >
Para as contratações subsidiadas com recursos do Orçamento Geral da União (OGU), o foco do atendimento está concentrado em famílias com renda anual de até R$ 40.000. Fora dos critérios de isenção concedidos aos beneficiários do Bolsa Família e do BPC, o cidadão contemplado arca com 1% do valor total da obra executada.>
O teto de financiamento por imóvel varia conforme a região do país. Nos estados da Região Norte, o limite para novas moradias é de R$ 107.000, chegando a R$ 112.500 nos projetos que demandam a instalação de cisternas. Nas demais regiões, incluindo o Nordeste, o valor máximo para a construção é de R$ 97.500, alcançando R$ 102.500 quando há inclusão do reservatório de água. Para reformas, o limite de repasse é de R$ 55.000 no Norte e de R$ 50.000 nas outras localidades. >
A organização e a execução das propostas habitacionais dependem das chamadas Entidades Organizadoras (EO), que reúnem associações comunitárias, cooperativas, sindicatos e governos municipais ou estaduais. O credenciamento dessas instituições passa por uma avaliação técnica de pontuação da Caixa Econômica Federal. Esse sistema define o limite de contratação simultânea da entidade, que varia de 50 a 1.000 unidades habitacionais. As prefeituras contam com adesão automática para conduzir até 700 contratos, enquanto os governos estaduais têm teto de 2.000 moradias. >
Entre os anos de 2023 e 2026, a Caixa registrou 7.430 solicitações de habilitação de entidades para a modalidade rural. Desse total, 5.950 organizações receberam parecer favorável e 1.480 foram inabilitadas por inconformidades documentais ou técnicas. No mesmo período, o Ministério das Cidades recebeu mais de 1.200 propostas, que resultaram no atendimento de 900 municípios.>
Durante audiência pública realizada na Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados, representantes das entidades criticaram a falta de clareza nos motivos que geram a desclassificação de propostas e o remanejamento de metas entre as regiões. Também foi apontada baixa escala no atendimento a territórios quilombolas isolados. >
Edileuza Diniz, secretária nacional da Federação das Entidades de Habitação do Norte e Nordeste (Fenor), afirmou que falta clareza na ordem de prioridade dos beneficiados e que as justificativas para a exclusão de propostas não foram apresentadas.>
As lideranças pedem a simplificação das regras burocráticas para evitar a exclusão de associações menores. A quilombola Dinha Pinheiro, moradora de Alcântara (MA), criticou o baixo volume de construções contratadas em comunidades tradicionais, o que gera o endividamento das instituições locais ao gerenciar projetos pequenos.>
O Ministério das Cidades informou que mantém diálogo aberto para revisar o sistema de pontuação e o fluxo de remanejamento das metas habitacionais para os próximos ciclos de contratação.>