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Maiara Baloni
Publicado em 9 de junho de 2026 às 13:11
Conseguir uma aposentadoria acima do salário mínimo exige planejamento e ajustes no bolso desde cedo, já que o valor do benefício futuro depende diretamente de quanto o trabalhador decide colocar no sistema todo mês. Dos 35,15 milhões de benefícios pagos pelo INSS no Regime Geral hoje, 21,9 milhões de pessoas recebem apenas o piso nacional de R$ 1.621,00. Na Bahia, a realidade acompanha a tendência nacional, onde a maior parte dos mais de 2,4 milhões de segurados do estado também depende desse piso. Isso significa que mais de 62% das pessoas ganham o mínimo ao parar de trabalhar, e quem pretende escapar dessa estatística precisa entender as regras vigentes pós-Reforma da Previdência. >
Como simular sua aposentadoria no INSS
Toda essa engrenagem é gerida pelo INSS e financiada por trabalhadores com carteira assinada, servidores públicos, autônomos e microempreendedores individuais (MEIs). Desde que a Emenda Constitucional 103 foi aprovada, em novembro de 2019, o sistema ficou mais rígido, a aposentadoria por tempo de contribuição acabou e as idades mínimas sobem um pouco a cada ano. O objetivo é conter o rombo nas contas públicas, pressionadas pelo envelhecimento da população. Dados do Senado Federal apontam que a reforma projeta uma economia de até R$ 156,1 bilhões em dez anos, mas o caixa ainda opera no vermelho para conseguir pagar quem já está aposentado.>
A regra atual acabou com a antiga estratégia de pagar o INSS pelo teto apenas nos últimos anos de carreira para tentar se aposentar com o valor máximo, que hoje está fixado em R$ 8.475,55. Agora, o cálculo leva em conta a média de todos os salários desde julho de 1994, sem descartar as contribuições mais baixas. Quando os requisitos para se aposentar são atingidos, o segurado leva 60% dessa média geral. A partir daí, os homens ganham mais 2% para cada ano de trabalho que passar de 20 anos de contribuição. Para as mulheres, esses 2% extras começam a contar depois de 15 anos pagos. >
Se o objetivo é se aposentar recebendo R$ 5.000,00 e o planejamento envolve trabalhar por 30 anos, haverá direito a 80% da média salarial. Fazendo as contas de trás para frente, para que esses 80% virem R$ 5.000,00, a média de toda a vida profissional precisa ter sido de R$ 6.250,00. É em cima desse valor de referência que as contribuições mensais precisam acontecer.>
Quem trabalha no regime CLT, contudo, esbarra em um limite legal. Não adianta ir ao departamento de pessoal da empresa e pedir para descontar um valor maior do salário para garantir uma aposentadoria melhor. A lei obriga que o recolhimento seja feito estritamente sobre o que se ganha de fato na carteira de trabalho, e qualquer dinheiro pago a mais de forma artificial é ignorado pelo INSS. Se o salário atual é menor do que a meta estabelecida, o caminho legal é abrir uma inscrição paralela como contribuinte individual (autônomo), gerar as guias de pagamento pelo portal Meu INSS e pagar por fora a alíquota de 20% sobre o rendimento dessas atividades extras.>
A forma como se contribui hoje determina o limite do que se vai receber amanhã. O governo oferece modelos simplificados com alíquotas menores, como os 5% cobrados na guia do MEI e de segurados de baixa renda do Cadastro Único, ou os 11% para autônomos tradicionais que pagam o carnê. O problema é que essas modalidades dão direito apenas à aposentadoria por idade e travam o benefício no salário mínimo de R$ 1.621,00. O microempreendedor que não quiser o mínimo precisa pagar a guia mensal do DAS e fazer uma complementação de mais 15% sobre o valor que deseja adicionar ao seu histórico. >
A dinâmica muda para os servidores públicos de cargo efetivo, vinculados ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). Eles enfrentam descontos progressivos na folha de pagamento, mas o cálculo final do funcionalismo público tende a entregar uma aposentadoria mais próxima do último salário recebido quando estavam na ativa.>
Para evitar surpresas no futuro, o trabalhador deve usar a tecnologia a favor por meio da ferramenta "Simular Aposentadoria", disponível no site ou no aplicativo do Meu INSS. O sistema do governo cruza os dados do histórico de trabalho e mostra na tela quantos anos faltam para pedir o benefício, além de dar uma estimativa real do valor em dinheiro de acordo com o que já foi pago até hoje. Se o número que aparecer na tela ficar abaixo da meta pessoal, é o sinal para começar a reforçar os recolhimentos por conta própria ou buscar alternativas complementares.>