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Amanda Cristina de Souza
Publicado em 16 de junho de 2026 às 05:53
Atualmente restrito aos casos em que o responsável pela pensão possui emprego formal, o desconto automático do benefício pode ganhar um novo alcance no Brasil. Um projeto que ficou conhecido como "Pix Pensão" avançou no Senado Federal e poderá permitir que os valores sejam debitados diretamente da conta bancária do devedor, mesmo quando não houver vínculo empregatício. >
Pix já é meio de pagamento mais popular do Brasil
A proposta, de autoria da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), altera o Código de Processo Civil e promete mudar a rotina de milhares de famílias ao tornar mais ágil a cobrança da pensão alimentícia e reduzir a necessidade de novas ações judiciais a cada atraso. O texto já passou pela Câmara dos Deputados e recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Agora, aguarda votação no plenário da Casa.>
O mecanismo está previsto no Projeto de Lei nº 4.978/2023. Pela proposta, o beneficiário poderá optar, em qualquer fase do cumprimento da sentença, pelo desconto automático da pensão por meio de débito direto entre contas bancárias.>
Nessa hipótese, caberá ao juiz determinar às instituições financeiras a transferência periódica dos valores da conta do responsável pelo pagamento para a conta do filho, adolescente ou de seu representante legal.>
Segundo a Câmara dos Deputados, o objetivo é ampliar a efetividade da cobrança da obrigação alimentar nos casos em que o devedor não possui salário formal que permita o desconto em folha.>
O apelido "Pix Pensão" surgiu pela semelhança com a rapidez das transferências instantâneas, embora o sistema não dependa, necessariamente, do uso de uma chave Pix cadastrada para funcionar.>
Hoje, o desconto automático da pensão só funciona com facilidade para quem tem carteira assinada. O grande gargalo sempre foi cobrar de trabalhadores autônomos e informais — um cenário de incerteza que está prestes a mudar drasticamente com a nova proposta.>
Nessas situações, muitas famílias precisam recorrer repetidamente à Justiça para localizar contas bancárias e cobrar parcelas em atraso.>
Se a proposta virar lei, a transferência poderá ocorrer diretamente pelas instituições financeiras indicadas na decisão judicial, tornando o recebimento mais rápido e reduzindo etapas burocráticas.>
Para quem recebe a pensão, a expectativa é de maior regularidade nos depósitos destinados ao custeio de despesas essenciais, como alimentação, educação, saúde e moradia.>
Já para o pagador, a principal mudança será a automatização do cumprimento da obrigação determinada pela Justiça, diminuindo o risco de atrasos involuntários e de novas medidas judiciais decorrentes da inadimplência.>
Apesar do avanço, o chamado "Pix Pensão" ainda não está em vigor.>
Depois de ser aprovado pela Câmara dos Deputados, o texto recebeu parecer favorável da CCJ do Senado, juntamente com um requerimento para tramitação em regime de urgência. Desde 11 de junho, a proposta está aberta ao recebimento de emendas parlamentares, etapa prevista até 17 de junho, conforme o Senado.>
Caso o plenário aprove o projeto sem alterações, a matéria seguirá diretamente para sanção presidencial. Se os senadores modificarem o conteúdo, o texto precisará retornar à Câmara para nova análise dos deputados.>
Os defensores da proposta argumentam que a mudança fortalece a proteção de crianças e adolescentes ao garantir maior previsibilidade no pagamento da pensão alimentícia.>
Por possuir natureza alimentar, o benefício é considerado essencial para garantir necessidades básicas de 5 milhões de dependentes. Na avaliação dos parlamentares favoráveis ao projeto, atrasos frequentes podem comprometer diretamente o sustento das famílias e gerar sucessivos desgastes judiciais.>
Se concluir a tramitação no Congresso Nacional, o Brasil poderá adotar um modelo mais automatizado de cobrança da pensão alimentícia, aproximando o cumprimento dessa obrigação da agilidade que ajudou a transformar o Pix em uma das ferramentas financeiras mais utilizadas pelos brasileiros.>