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Amanda Cristina de Souza
Publicado em 13 de julho de 2026 às 14:20
Uma proposta em Brasília quer pagar um bônus financeiro na aposentadoria de mulheres que tiveram filhos, aumentando o benefício em até 15%. O projeto (PL 6.841/2025), que já passou por sua primeira grande aprovação na Câmara dos Deputados, prevê um acréscimo de 5% por filho, limitado a três dependentes, como forma de compensar o impacto da maternidade na carreira profissional. Entenda quem terá direito ao reajuste no INSS se a medida for sancionada.>
Mulheres na indústria
A proposta recebeu o aval da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, mas é importante destacar que a medida ainda não está em vigor. Para virar lei, o texto precisará passar por uma série de etapas obrigatórias de tramitação no Congresso, incluindo as comissões de Finanças e Tributação; de Previdência e Assistência Social; e a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), antes de seguir para votação nos plenários da Câmara, do Senado e receber a sanção presidencial.>
Pela redação atual do projeto, o benefício será destinado exclusivamente às mulheres aposentadas vinculadas ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), ou seja, seguradas do INSS.>
O cálculo do reajuste incidirá diretamente sobre o valor mensal que a beneficiária já recebe, atingindo o limite de 15% para mães que tiveram três ou mais filhos. A comprovação da maternidade será obrigatória, mas os procedimentos e documentos necessários (como certidões de nascimento) só serão detalhados em regulamentação posterior se a proposta virar lei.>
Até que todo o processo legislativo seja concluído em Brasília, as regras atuais da Previdência Social continuam valendo integralmente para a concessão e o cálculo de novos benefícios.>
O projeto atual também deixa de fora alguns grupos específicos. Homens aposentados (mesmo em casos de guarda exclusiva ou paternidade solo), servidoras públicas vinculadas a regimes próprios (da União, estados ou municípios) e idosos ou pessoas com deficiência que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que possui natureza assistencial e não previdenciária.>
O principal argumento que sustenta a criação do bônus é o reconhecimento de que o trabalho de cuidado com os filhos afeta diretamente a renda de longo prazo das mulheres.>
De acordo com a relatoria do projeto, pausas na carreira, necessidade de regimes de trabalho de dedicação parcial e o afastamento temporário do mercado formal resultam em salários menores ao longo da vida ativa e, consequentemente, em contribuições previdenciárias mais baixas.>
Dados de estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) dão suporte embaçando à urgência do debate. As pesquisas, realizadas em 2022, apontam que as mulheres dedicam, em média, 21 horas e 36 minutos por semana a tarefas domésticas e cuidados com dependentes, enquanto os homens despendem cerca de 11 horas e 48 minutos.>
Essa jornada invisível e não remunerada cria uma disparidade histórica na formação do patrimônio previdenciário feminino, representando quase dez horas semanais adicionais de trabalho não remunerado, fator que, segundo os estudos, influencia a permanência das mulheres no mercado de trabalho, na renda ao longo da vida e a formação do histórico de contribuições previdenciárias.>
A viabilidade econômica do reajuste será o ponto central das próximas discussões no Congresso. O projeto de lei seguirá para a Comissão de Finanças e Tributação, onde os parlamentares devem calcular o impacto real desse acréscimo de despesas sobre o Orçamento da União e o equilíbrio atuarial do INSS.>
Outro ponto que deve gerar debate técnico entre os analistas é o formato de cálculo do bônus. Como o reajuste proposto é percentual (5% por filho), as seguradas que possuem salários de benefício mais elevados receberão um acréscimo maior em valores absolutos, ao passo que as mães que recebem o piso nacional (salário mínimo) terão um ganho financeiro proporcionalmente menor.>