Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Maiara Baloni
Publicado em 9 de julho de 2026 às 18:44
O ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB-DF), recuou da pré-candidatura ao Senado nas eleições deste ano. A decisão ocorre em meio ao estreitamento de seu espaço político, motivado pela crise financeira que envolve o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, além do enfraquecimento do apoio em sua base aliada. Em anúncio oficial justificou a saída com o desejo de dedicação à vida familiar. >
O cenário político começou a se deteriorar em agosto de 2025. Na ocasião, Ibaneis enviou à Câmara Legislativa do DF (CLDF), em regime de urgência, o projeto de lei para autorizar o BRB a comprar participação no Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro.>
BRB planeja fechamento de agências em meio a esforço para recompor capital
A transação virou alvo de inquérito da Polícia Federal. Os investigadores apuram se o BRB adquiriu carteiras de crédito infladas ou sem lastro real. Indicado por Ibaneis, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso na operação. >
O nome do ex-governador passou a constar em depoimentos do caso. Mesmo com a crise em aberto, Ibaneis deixou o cargo de governador em março de 2026 para se concentrar na disputa ao Senado.>
O desdobramento do caso derrubou as ações do BRB e gerou um rombo fiscal. Para estabilizar a instituição, foi necessário estruturar um plano de resgate emergencial com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). >
A atual governadora, Celina Leão (PP-DF), assumiu a condução e assinou o empréstimo de R$ 6,6 bilhões. O valor visa reestruturar o banco estatal e equilibrar as contas públicas locais pelos próximos 15 anos.>
Ao assumir o comando do Executivo em definitivo, Celina Leão adotou uma postura de distanciamento das decisões do antecessor. A governadora declarou publicamente ter herdado uma "grave crise" e apontou erros da gestão passada nas indicações para a cúpula do BRB. >
O isolamento de Ibaneis se consolidou quando o grupo político governista priorizou as candidaturas de Michelle Bolsonaro (PL-DF) e Bia Kicis (PL-DF) para as duas vagas ao Senado na chapa majoritária. Pesquisas internas do MDB já apontavam Ibaneis na quarta posição nas intenções de voto.>
Ibaneis Rocha comandou o Distrito Federal entre 2019 e 2026. Antes de entrar na política partidária, presidiu a seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF) de 2013 a 2015. >
Ele venceu a primeira eleição ao governo em 2018, derrotando o então governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Em 2022, garantiu a reeleição no primeiro turno, impulsionado por um pacote de obras de infraestrutura urbana na capital e nas regiões administrativas.>
No início do segundo mandato, em 9 de janeiro de 2023, acabou afastado do cargo por 90 dias por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob suspeita de omissão nos atos de 8 de janeiro em Brasília. O inquérito acabou arquivado por falta de provas, mas o episódio iniciou o desgaste com seus aliados.>