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Thais Borges
Publicado em 2 de outubro de 2026 às 15:55
Alterações hormonais, ressecamento vaginal, dor durante as relações sexuais, redução da libido, sintomas urinários e outras disfunções relacionadas ao assoalho pélvico são alguns dos efeitos do tratamento do câncer de mama que podem afetar a qualidade de vida das mulheres. >
Neste contexto, a cientista baiana Patrícia Lordêlo, fisioterapeuta pélvica, professora e pesquisadora especializada em Saúde da Mulher, vem ampliando as discussões sobre saúde pélvica de pacientes com câncer de mama. A partir da própria experiência com a doença, ela transformou a vivência pessoal em estímulo para aprofundar pesquisas e contribuir para a inclusão dessas questões no cuidado integral das pacientes.>
Patrícia Lordêlo estuda disfunções pélvicas provocadas pelo tratamento e lança autobiografia durante o Outubro Rosa
A trajetória da pesquisadora também será contada em Inteira: Uma história real de corpo, intimidade, ciência, espiritualidade e reconstrução, livro que é uma autobiografia de Patrícia e que será lançado em Salvador durante o Outubro Rosa. A renda obtida com a publicação será destinada integralmente a novas pesquisas na área.>
“Quando vivi o câncer de mama, passei a compreender também, na própria pele, questões que já faziam parte da minha trajetória profissional. Percebi o quanto a saúde pélvica e a sexualidade ainda são pouco discutidas durante e depois do tratamento. Transformar essa experiência em pesquisa e conhecimento é uma forma de ressignificar o que vivi e contribuir para que outras mulheres tenham acesso a um cuidado mais completo”, conta Patrícia.>
Com prefácio assinado por Regina Casé, o livro será lançado no próximo dia 18, às 10h, no Gabinete Português de Leitura de Salvador. A obra será disponibilizada nas versões impressa e digital.>
Patrícia Lordêlo estuda disfunções pélvicas provocadas pelo tratamento e lança autobiografia durante o Outubro Rosa
Sintomas>
Patrícia explica que, durante a quimioterapia e a hormonioterapia, alterações na mucosa vaginal podem provocar sintomas semelhantes aos da menopausa. Em alguns casos, o uso prolongado de bloqueadores hormonais pode causar atrofia vaginal e até estenose, caracterizada pelo estreitamento do canal vaginal, dificultando exames ginecológicos e afetando a vida sexual.>
Desde 2019, a pesquisadora Patrícia Lordêlo e sua equipe estudam alternativas não hormonais para tratar essas disfunções. Entre as pesquisas está o uso do LED azul intravaginal, dispositivo idealizado e desenvolvido pelo grupo.>
“Estudos já realizados com mulheres que passaram pelo tratamento do câncer de mama apontaram melhora da lubrificação e do conforto vaginal. A próxima etapa da pesquisa deverá investigar o uso da tecnologia durante o próprio tratamento contra o câncer, inclusive com possibilidade de aplicação no domicílio”, diz.>
Em 2022, o grupo de pesquisa liderado por ela recebeu, em Viena, o prêmio de melhor tratamento conservador no ICS Annual Meeting, congresso da Sociedade Internacional de Continência. O reconhecimento foi concedido pelo estudo sobre o uso de LED no tratamento da Síndrome Geniturinária da Menopausa em sobreviventes do câncer de mama.>
Uma revisão científica publicada em 2026, que reuniu 36 estudos e 9.749 sobreviventes do câncer de mama, estimou em 70% a prevalência de disfunção sexual entre essas mulheres. Embora o dado não represente todas as disfunções pélvicas, o resultado evidencia a dimensão de uma questão que ainda recebe pouca atenção durante o tratamento e no período posterior à doença.>
“A fisioterapia pélvica pode integrar o cuidado multidisciplinar e contribuir para a reabilitação dessas pacientes, especialmente diante de sintomas que impactam diretamente a intimidade, a autoestima e a qualidade de vida”, afirma Patrícia Lordêlo.>