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Tailane Muniz
Publicado em 17 de janeiro de 2017 às 14:10
- Atualizado há 3 anos
Um cidadão consciente sabe que manter os ambientes públicos limpos é um dever de todos. Pensando nisso, a apresentadora e jornalista carioca Astrid Fontenelle, 55 anos, meteu a mão na massa e participou da limpeza de um calçadão, na manhã desta terça-feira (17), no bairro de Ondina, em Salvador. Acompanhada do filho Gabriel, 8, a jornalista disse que os soteropolitanos deviam dar mais atenção a alguns lugares da cidade. "Não é 'eu pago e você limpa', e sim 'eu pago, você limpa e eu não sujo ou ajudo a limpar'", garante.Tudo começou quando Astrid resolveu sair de casa, nesta segunda, para tomar um sorvete com o filho. Ao descer do apartamento, no Beco de Ondina, foi alertada por seguranças dos prédios e hotéis de que não era seguro andar por ali. "Eu sempre andei por aqui e sempre, à boca miúda, você ouve 'olha, cuidado, não desce ali não, não fica aqui, fique esperta', e aí, ao descer com meu filho, percebi a desocupação do lugar, que é um lugar lindo", disse, fazendo referência a um mirante localizado na mesma rua. Apresentadora tem um apartamento em Salvador há sete anos(Foto: Tailane Muniz/Correio)Apesar dos avisos, Astrid desceu e foi surpreendida. Não por um assalto, mas pela quantidade de lixo no local. Segundo a apresentadora, muitos contatos foram feitos até ser orientada por amigos a ligar para a Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb). "Marquei com eles ontem e, então, eles vieram fazer esse limpezão", comemorou. Junto à vegetação, foram encontrados de eletrodomésticos a produtos de beleza. >
De acordo com o chefe de área da Limpurb, Arnaldo Oliveira, a localidade passa por limpeza de três em três meses. "Embora um lugar muito bonito, é considerado um lugar morto a nível de movimentação. A última limpeza na vegetação, que é nativa, foi feita em dezembro, antes do Réveillon", afirmou. Ao CORREIO, Astrid Fontenelle disse que os proprietários dos hotéis da região deviam se empenhar na manutenção da área verde, além de investir em iluminação. "De que adianta estar em um hotel legal, em um lugar lindo, se o segurança te diz que é perigoso sair?! Eles tinham que investir nisso, como é feito em São Paulo. Imagine como seria legal se passassem cimento, instalassem lixeiras, seria mais um lugar legal, e próximo ao hotel, para o hóspede frequentar. O comércio em Salvador não tem a cultura de melhorar os espaços públicos pensando em seus clientes, isso é uma pena", pontuou ela, que procurou a gerência de um dos estabelecimentos mas não obteve retorno.Embora não more em Salvador, a apresentadora disse que, há sete anos, passa todos os verões na cidade e costuma sair para conhecer os lugares. De acordo com ela, se um lugar é tido como perigoso, ele precisa ser habitado. "A cidade é nossa, a gente tem que ocupar ela e não correr, esquecer que o lugar existe. Temos que levar a civilidade onde não há. Eu passo esse exemplo com meu filho, não deixo de ir a um lugar porque dizem que é arriscado", disse ao CORREIO. Animado, Gabriel concordou com a mãe. "Essa praia é linda, tem até uma escada pra descer, mas é muito lixo e não tem placas. Queria escrever uma plaquinha que aqui não pode jogar lixo", disse.Segundo Arnaldo Oliveira, o trabalho da Limpurb deve durar até dois dias. Cerca de 25 lixeiras vão ser instaladas na região. >