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Carnaval de circuitos alternativos e bairros fazem alegria dos foliões e de artistas menos conhecidos

'Não tomo tapa, não sou roubado e curto nos blocos dos meus parceiros', se gaba folião

  • D
  • Da Redação

Publicado em 22 de fevereiro de 2023 às 05:00

 - Atualizado há 3 anos

. Crédito: Foto: Emilly Oliveira/ CORREIO

Nos bairros de Salvador, a fantasia, o glitter e a pistola de água também saem do armário no Carnaval, mas não precisam ir muito longe para fazer a alegria do folião. Ali mesmo, no Nordeste de Amaralina, o blogueiro Rafael Carvalho escolhe o abadá de um bloco. O trio sai naquele mesmo dia - um entre as várias atrações que fazem a festa carnavalesca da comunidade.

Batizado de Mestre Bimba, ele é um dos cinco circuitos oficiais do Carnaval de Salvador, mas ainda é visto como alternativo, por estar fora dos tradicionais Barra-Ondina e Campo Grande. A folia no local começou em 2004, como um Carnaval de bairro, mas cresceu e, em 2016, ganhou o status atual. Apesar de ainda receber um investimento muito menor, não deixa a desejar em nada para os moradores, por também ter blocos privados e camarotes. 

Na barraca de abadás em que Rafael estava, localizada no início do circuito - que vai da Rua Cristóvão Ferreira até a Rua Sítio Caruano - havia tantas opções de blocos, que o folião estava em dúvida de qual escolher. A incerteza só se aproximou de uma decisão quando ele bateu o olho em uma camisa que ele descreveu como "a cara da Barra".  Circuito Mestre Bimba recebe uma variedade de blocos locais (Foto: Emilly Oliveira/ CORREIO) "Está vendo? Aqui tem tudo. E o melhor, dá para qualquer pessoa vir curtir com segurança, registrando todos os momentos, sem medo de ficar com o celular na mão", se gabou o folião de 27 anos, e morador do bairro. Além de abraçar os visitantes, a comunidade também se abraça. 

Prova disso é a força que Eliomar Trindade, 36 anos, estava dando aos amigos donos dos blocos, vendendo os abadás para eles. Os preços variavam entre R$40 e R$70 individual e até R$120, a casadinha - quando o folião ganha desconto por comprar duas camisas de uma vez.

Morador do bairro desde que nasceu, Eliomar viu o surgimento do Carnaval no local, e conhece bem os atributos da sua folia. “Não tomo tapa, não sou roubado, não gasto muito e curto nos blocos dos meus parceiros", listou. Como ele destacou, não faltam opções para os foliões economizarem e ainda fazerem a economia local girar.  Eliomar vende abadás para os amigos que organizam blocos no Nordeste de Amaralina (Foto: Emilly Oliveira/ CORREIO) A festa também tem cobertura jornalística própria, feita por veículos de comunicação do bairro. O maior deles parecia ser o "Nordeste Eu Sou", que tinha um mirante e diversos colaboradores circulando com camisas padronizadas, tirando fotos, fazendo vídeos e entrevistando os foliões. Tudo em casa

Enquanto nos circuitos tradicionais, apenas os blocos puxados por grandes cantores têm espaço para desfilar no Carnaval, o circuito Mestre Bimba abre portas para artistas menores e manifestações culturais locais. O que é tradição desde que o Nordeste de Amaralina ainda era classificado como Carnaval de bairro. 

Cantores consagrados, de dentro e fora do estado, também puxam trios no circuito. Este ano, compareceram a cantora baiana, Dama do Pagode e o cantor 7, por exemplo. Mas a maioria das atrações ainda podem, e são, protagonizadas por moradores do próprio bairro. Quando não, as contratações mais famosas são organizadas por eles. 

Há 8 anos, a moradora Rita Braz criou o grupo percussivo Afro e Arte, que completou três carnavais no circuito. O grupo é formado por 15 pessoas e durante o ano promove oficinas profissionalizantes e de sustentabilidade para a comunidade. O resultado disso foi a fantasia deste ano, feita com sobras de tecidos amarelos. "A intenção é divertir todo mundo e mostrar que a comunidade faz arte e muda histórias", enfatiza Rita.  Concentração do arrastao Canalhas no Circuito Mestre Bimba (Foto: Emilly Oliveira/ CORREIO) Foi com essa vontade de democratizar a folia, que Janssen Ferreira, outro morador do Nordeste, criou o Arrastão Canalhas. Apenas com um abadá e um carro com a mala aberta no volume do som no máximo, ele pôs o bloco na rua. Agora, quatro anos depois da primeira saída, a atração está na programação oficial do circuito. "A gente toca tudo, arrocha, pagode, samba", contou Janssen. 

'Pelô meu amor' 

O local que também está na rota do Carnaval alternativo é o Centro Histórico. Lá, desfilam principalmente blocos afros que não encontram espaço nos circuitos tradicionais e fazem das ruas da Praça Castro Alves ao Pelourinho e seus largos, de palco para suas manifestações carnavalescas.

O local abrange o circuito Batatinha - Pelourinho - e o circuito Contrafluxo - da Praça Tomé de Souza a Praça Castro Alves. Diferente da agonia de Barra-Ondina e Campo Grande, o centro tem menos foliões, mas atrações de sobra para todas as idades, de apresentações em palcos a blocos e grupos de percussão.

Um deles é o Bloco Afro Ginga do Negro desfila há 14 anos apenas com mulheres na percussão e atrai dezenas de foliões pipoca consigo. "Isso é a força da mulher, que promove união e paz. Tem muito cuidado, mas também, muita força para segurar os tambores e dançar", destaca a presidente do grupo, a artista plástica Rose Mafalda.

Os amigos Genivaldo Sampaio, 47 anos, Ailton Oliveira, 61 e Valney Lima, 49, viajam de Alagoinhas para Salvador há cinco carnavais, fantasiados de repórteres. Mas essa foi a primeira vez que eles passaram pelo Pelourinho e disseram terem se apaixonado. "O circuito Batatinha é lindo e já se tornou o nosso amor. É tranquilo e cheio de atrações que impressionam", descreve Ailton. 

'Pelô meu amor' 

Outro circuito oficial, que ainda é visto como alternativo, e também esteve na rota dos foliões, foi o Batatinha, que vai do Terreiro de Jesus à Rua Chile, no Centro Histórico. Na região, também há o percurso conhecido como Contra Fluxo, que parte do final do Batatinha até a praça Castro Alves. Tanto em um, como no outro, predominaram os desfiles de blocos afro e as apresentação de cantores da cena alternativa, como é tradicional. 

Um deles foi o Bloco Afro Ginga do Negro, que desfila há 14 anos, apenas com mulheres na percussão, e atraiu muitos foliões pipoca consigo. "Isso é a força da mulher, que promove união e paz. Tem muito cuidado, mas também, muita força para segurar os tambores e dançar", destaca a presidente do grupo, a artista plástica Rose Mafalda.

Além do grupo, outras 120 atrações desfilaram no Centro Histórico, como o Olodum e Filhos de Gandhy. Para complementar a festa, foram montados palcos em cinco largos do Pelourinho, inclusive no que dá nome a região (Pedro Archanjo, Tereza Batista, Quincas e das Artes - com atrações infantis).

Neles, passaram nomes como Luedji Luna, Karol Conka, Nelson Rufino, Afrocidade e Márcia Short. Os amigos Genivaldo Sampaio, 47 anos, Ailton Oliveira, 61 e Valney Lima, 49, viajam de Alagoinhas para Salvador há cinco carnavais, fantasiados de repórteres. Mas essa foi a primeira vez que eles passaram pelo Pelourinho e disseram terem se apaixonado. "O circuito Batatinha é lindo e já se tornou o nosso amor. É tranquilo e cheio de atrações que impressionam", descreve Ailton. 

Folia de Bairro

O Carnaval ainda se espalhou por outros sete bairros da cidade: Liberdade, Periperi, Plataforma, Boca do Rio, Itapuã, Pau da Lima e Cajazeiras. Em todos eles, a folia começou no sábado e seguiu até a terça. Para isso, ao invés de trios elétricos, os bairros receberam palcos, onde se apresentaram até sete atrações, por dia, em cada um deles. 

Na lista de apresentações estavam os cantores Lincoln, Daniel Vieira, Ana Mametto, Márcia Freire, Lafuria, Ana Catarina, Tati Quebra Barraco e a Dama do Pagode. 

No entanto, na segunda-feira, a folia precisou dar uma pausa na Boca do Rio, por causa da chuva que chegou acompanhada de fortes ventos e danificou a estrutura superior do palco, instalado no Parque Poliesportivo do bairro. Com isso, as apresentações do dia foram canceladas. Tocariam: Simples Assim, Lincoln, Danniel Vieira, Nêssa, Carlos Pitta, Jú Moraes, Os Mortalhas. Depois dos ajustes necessários, a festa foi retomada normalmente na terça. 

O Correio Folia tem patrocínio da Clínica Delfin, apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador e apoio da Jotagê e AJL.

*Com orientação da subchefe de reportagem Monique Lôbo