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Mariana Rios
Publicado em 14 de agosto de 2026 às 20:03
A história de quase dois séculos das religiões de matriz africana na Bahia será celebrada neste sábado (15), em Salvador. A Casa de Oxumarê, um dos mais antigos terreiros de Candomblé do Brasil e reconhecida como patrimônio cultural brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), completa 190 anos com uma programação especial na Federação.
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Fundada em 1836, a instituição atravessou diferentes períodos da história do país preservando rituais, conhecimentos e tradições, mesmo diante de décadas de perseguição às religiões de matriz africana e do racismo religioso. Ao longo desse período, a Casa de Oxumarê se consolidou como um importante espaço de preservação da ancestralidade africana e de transmissão de saberes entre gerações.>
A programação começa às 8h, com a chegada de autoridades e convidados, apresentação da Banda da Polícia Militar da Bahia e hasteamento das bandeiras. A cerimônia cívica terá a participação da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e a expectativa é de presença do governador Jerônimo Rodrigues, além de outras autoridades e lideranças religiosas.>
Um dos momentos de destaque será a entrega à Casa de Oxumarê do título honorífico de “Promotora da Igualdade Racial”, concedido pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR). A homenagem reconhece a trajetória do terreiro na preservação da ancestralidade africana, na valorização da cultura afro-brasileira e no enfrentamento ao racismo religioso.>
Também pela manhã será lançado e obliterado o primeiro selo da série filatélica “Patrimônios Negros do Brasil”, dos Correios. A primeira emissão da coleção tem como tema “Patrimônio e Ancestralidade Religiosa” e homenageia os 190 anos do Ilê Axé Oxumarê.>
Com a mensagem “Toda casa centenária já foi uma pequena comunidade”, o selo reconhece as casas tradicionais de matriz africana como patrimônios vivos, responsáveis por preservar memória, ancestralidade e diversidade cultural.>
A cerimônia terá a participação de representantes dos Ministérios das Comunicações e da Igualdade Racial, dos Correios, da Fundação Cultural Palmares e de instituições ligadas à preservação do patrimônio e às religiões de matriz africana.>
O selo ficará disponível para comercialização nas agências dos Correios pelos próximos cinco anos.>
A comemoração dos 190 anos da Casa de Oxumarê também marca os 60 anos de iniciação de Sivanilton da Encarnação da Mata, Babá Pecê de Oxumarê.>
Ao longo de seis décadas dedicadas ao terreiro, o babalorixá participou da preservação dos fundamentos religiosos, dos saberes tradicionais e da memória da instituição. Sua trajetória também aproximou a Casa de Oxumarê de pesquisadores, universidades e instituições públicas em debates sobre patrimônio cultural, ancestralidade, liberdade religiosa e combate ao racismo religioso.>
“Essa dupla celebração representa a continuidade de uma tradição transmitida entre gerações e evidencia como a história de uma liderança pode se entrelaçar à memória de um patrimônio cultural”, afirma Babá Pecê.>
A partir das 20h, a Casa de Oxumarê recebe o Ajodún, celebração dedicada aos Òrìṣàs e aos 190 anos do terreiro. A cerimônia também marca as seis décadas de iniciação de Babá Pecê.>
Toda a programação comemorativa é gratuita e aberta ao público.>
Festa de Oxumarê – 190 anos da Casa de Oxumarê>
Quando: sábado (15)>
Onde: Casa de Oxumarê – Ilé Òṣùmàrè Arákà Àṣẹ Ògòdó>
Endereço: Avenida Vasco da Gama, nº 343, 2ª Travessa Pedro Gama de Baixo, nº 65, Federação, Salvador>
Entrada: gratuita e aberta ao público>
8h: chegada de autoridades e convidados, apresentação da Banda da Polícia Militar e hasteamento das bandeiras>
9h30: lançamento e obliteração do primeiro selo da série “Patrimônios Negros do Brasil” e pronunciamentos institucionais>
10h: encerramento da cerimônia>
20h: Ajodún em celebração aos Òrìṣàs, aos 190 anos da Casa de Oxumarê e aos 60 anos de iniciação de Babá Pecê>