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Fortes da Barra serão reformados e transformados em museus

As estruturas de Santa Maria e São Diogo ficam no Porto da Barra e vão abrigar obras de Pierre Verger e Carybé.

  • Foto do(a) author(a) Gil Santos
  • Gil Santos

Publicado em 19 de agosto de 2015 às 14:37

 - Atualizado há 3 anos

As paredes rachadas, o teto caindo e a madeira desgastada do assoalho, que range a cada passo, denuncia o estado de lástima em que estão dos fortes Santa Maria e São Diogo, ambos na Barra. Com cerca de 400 anos de existências, as duas estruturas que foram criadas para proteger um ponto estratégico da cidade, agora, pedem socorro.Fachada do forte Santa Maria, no Porto da Barra. Estrutura passa por reforma para abrigar obra de Carybé(Foto: Marina Silva/ CORREIO)Durante visita ao Forte Santa Maria na manhã desta quarta-feira (19) a equipe do CORREIO precisou ter cuidado para evitar os buracos no chão. Parte dos degraus da pequena escada que liga os dois pavimentos foram destruídos pelo tempo. O assoalho que cobre o segundo piso está tão desgastado que é possível ver a movimentação dos operários no andar de baixo através das fissuras na madeira.A situação dessas estruturas começou a mudar há uma semana, quando os primeiros operários da prefeitura iniciaram as obras de recuperação. Os dois espaços serão transformados em museus e ficarão abertos ao público. Nesta quarta-feira, o prefeito ACM Neto assinou a ordem de serviço para a restauração dos fortes e destacou o cunho educativo e cultural da medida.O forte Santa Maria está fechado há 10 anos e é o mais deteriorado. Parte do piso cedeu e o teto está com fissuras(Foto: Marina Silva/ CORREIO)“Nós agregamos cultura e história. De um lado a história, com os fortes de São Diogo e Santa Maria, e do outro lado cultura, com as exposições permanentes de Carybé e Verger, dois ícones da nossa cidade. Apesar de nenhum dos dois terem sido baianos, eles, como poucos, revelaram e traduziram o espírito da Bahia e do nosso povo para o mundo inteiro”, afirmou. A estimativa da prefeitura é de que, depois de reformadas, essas estruturas intensifiquem o turismo na região. As obras devem ser concluídas em até quatro meses e os Fortes serão abertos ao público após o carnaval, em março de 2016. O investimento é de R$ 2,4 milhões com recursos do município, sendo mais de R$ 1,5 milhão empregados na estrutura do São Diogo e outros R$ 889 mil no Santa Maria.Atrasos e atrativosAs obras estavam previstas para começar em maio deste ano, mas precisaram ser prorrogadas. Segundo o secretário municipal de Cultura e Turismo (Secult), Érico Mendonça, os fortes são tombados e foi preciso aguardar a aprovação do projeto pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no caso do forte de Santa Maria, e do Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia (Ipac), no caso do Forte São Diogo.  “Esse processo levou quase cinco meses para apresentação, ajustes e solicitação, sobretudo pela implantação do elevador que implica na mudança do visual dos dois prédios, além das adaptações para as pessoas com necessidades especiais”, explicou.Vista lateral do forte Santa Maria para a Baía de Todos os Santos. Operários trabalham na reforma(Foto: Marina Silva/ CORREIO)Os dois espaços serão usados para a exposições permanentes de obras de dois artistas: na fortaleza de Santa Maria serão expostas obras do pintor argentino Carybé, enquanto na estrutura de São Diogo estarão disponíveis trabalhos do fotógrafo francês Pierre Verger. A superintendente da Fundação Pierre Verger, Dione Baradel, contou que a instituição tem um acervo de 62 mil negativos com obras do artista, mas que ainda não selecionaram quais delas serão expostas. “A exposição terá um viés mais tecnológico para que as pessoas tenham acesso ao maior número de obras possíveis e por conta de o espaço dos fortes serem pequenos, então vamos trabalhar com projeções e outros recursos. Para a Bahia essa ação é muito importante porque agrega valor à cidade e para a Fundação é um privilégio grande ter um espaço para mostrar a obra de Verger, não só para os baianos para todos os turistas que vem a Bahia”, disse.A Fundação será responsável pela manutenção das duas exposições com investimento de R$ 2 milhões, oriundos da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura (MinC). Os fortes terão café e um elevador ligando os pavimentos. A visitação não será gratuita, mas o valor da taxa ainda não foi definido.O comandante da 6ª Região Militar do Exército, general Artur Costa Moura, destacou o caráter educativo do projeto. “A abertura vai possibilitar o maior acesso a esses espaços e o acesso a história da cidade”, disse. Ambos os fortes são administrados pelo Exército.

O São Diogo estava em funcionamento, mas as visitas serão suspensas durante as obras. O Santa Maria está fechado há cerca de 10 anos e permanecerá até a conclusão das reformas. De acordo com o secretário municipal de Manutenção (Seman), Marcílio Bastos, os primeiros operários chegaram ao forte na semana passada.

Na estrutura de São Diogo eles estão sendo reparando as fissuras das paredes para depois fazer a recuperação do assoalho, do telhado e as mudanças de acessibilidade. “Todos os padrões originais dos fortes serão mantidos. Alguns pontos passarão por intervenções para ter mais conforto e acessibilidade, esses foram os principais cuidados que tivemos. Nenhuma modificação de nível estrutural será feita. Estamos fazendo a recuperação de algumas fissura e infiltrações e, em paralelo a isso, serão feitas as implantações dos equipamentos de acessibilidade”, contou Bastos.

No Forte Santa Maria, o mais deteriorado, os operários ainda estão retirando entulho e limpando as salas. Nesta quarta-feira, o sobe e desce de homens carregando sacos com areia, pedaços de madeira e barro era intenso. O telhado é a parte mais sensível da estrutura.Pátio do forte virou canteiro de obras. Recuperação deve terminar em até quatro meses e local vai se tornar museu.(Foto: Marina Silva/ CORREIO)Das poucas janelas que ainda resistem é possível ver a entrada da Baía de Todos os Santos e a orla do Porto da Barra. Enquanto os servidores da prefeitura trabalham nas estruturas, do lado de fora a turistas carioca Juliana Amaral fotografava as fortalezas. “Eles são lindos, mas precisam de reparos. Espero que sejam reformados, assim vai ficar melhor nas selfs”, brincou.