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Muncab oferece entrada gratuita de 5 a 9 de agosto durante a Flipelô

Ação de acessibilidade ocorre através de parceria com o Instituto Motiva

  • Foto do(a) author(a) Millena Marques
  • Millena Marques

Publicado em 4 de agosto de 2026 às 17:06

Fachada do Muncab
Fachada do Muncab Crédito: Cristian Carvalho/Divulgação

O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), localizado no Centro Histórico de Salvador, terá entrada gratuita durante a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), que acontece entre os dias 5 e 9 de agosto. A iniciativa é resultado de uma parceria com o Instituto Motiva e busca ampliar o acesso do público ao patrimônio artístico e cultural afro-brasileiro em um dos períodos de maior movimentação de visitantes na região.

Além de permitir a visitação sem cobrança de ingressos, a ação faz parte de um conjunto de atividades educativas realizadas nas semanas que antecedem o evento literário. Entre os dias 28 e 31 de julho, o museu recebeu estudantes, professores e representantes de instituições de ensino públicas e comunitárias para uma programação especial de mediação cultural. As atividades foram desenvolvidas a partir da exposição Inclassificáveis, atualmente em cartaz no espaço.

Logomarca do evento por Guilherme Web de Lima/ Fundação Casa de Jorge Amado

A proposta das visitas mediadas foi aproximar diferentes públicos das obras expostas, estimulando a observação, a troca de experiências e a reflexão sobre a produção artística afro-brasileira. Para o Muncab, iniciativas desse tipo contribuem para a formação de repertórios culturais desde a infância e fortalecem a relação da população com os espaços museológicos.

“O acesso à cultura é um direito e deve começar desde os primeiros anos de vida. A primeira infância, a juventude e a vida adulta são momentos fundamentais para a construção de repertórios e para o reconhecimento das múltiplas histórias que constituem a sociedade brasileira”, afirma a diretora-geral do museu, Cintia Maria.

Quem visitar o Muncab durante a Flipelô também terá a oportunidade de conferir os últimos dias da exposição Inclassificáveis, aberta ao público até 9 de agosto. Com curadoria de Jamile Coelho e Jil Soares, a mostra reúne cerca de 100 obras que retornaram à Bahia após permanecerem mais de três décadas nos Estados Unidos.

A exposição apresenta trabalhos ligados à Escola de Escultores de Cachoeira, à Escola do Pelourinho e à Escola de Artífices da Ladeira da Conceição, reunindo esculturas, pinturas e gravuras que dialogam com temas como religiosidade, cotidiano, identidade e memória. O projeto propõe uma reflexão sobre a forma como a produção artística negra foi historicamente enquadrada e classificada dentro do sistema das artes no Brasil, questionando categorias que, por décadas, contribuíram para a marginalização dessas obras.

Distribuída entre o térreo e o primeiro andar do museu, a mostra está organizada em três núcleos curatoriais: Restituir Sentidos – Amor, Festa e Devoção, Cotidianos e Escolas Invisíveis. O percurso reúne trabalhos de artistas como J. Cunha, Babalu, Sol Bahia, Alberto Pitta, Lídia Hora, Eduardo Santos Silva e Mauro di Verde, entre outros nomes ligados à arte produzida na Bahia.

Outra atração disponível durante a programação é a exposição Padê Onã – Encontrar Caminhos, do artista Sandro Àiyé. Instalada no Jardim das Esculturas do Muncab, a mostra marca a inauguração do novo espaço expositivo ao ar livre do museu. As sete esculturas apresentadas foram produzidas a partir de madeiras reaproveitadas de antigos casarões do Centro Histórico de Salvador e propõem reflexões sobre memória, transformação e sustentabilidade.

Com curadoria também assinada por Jamile Coelho, a exposição estabelece conexões entre arte contemporânea, patrimônio e meio ambiente. O jardim abriga ainda um meliponário voltado à preservação de abelhas nativas sem ferrão e espécies vegetais que reforçam a discussão sobre biodiversidade e práticas sustentáveis.

Ao reunir exposições, atividades educativas e acesso gratuito durante a Flipelô, o Muncab reforça seu papel como espaço de preservação, pesquisa e difusão das culturas afro-brasileiras, ampliando o diálogo entre arte, educação e cidadania em um dos principais polos culturais da capital baiana.

Tags:

Salvador Muncab Flipelô