Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Luan Santos
Publicado em 28 de janeiro de 2018 às 13:54
- Atualizado há 3 anos
Pelo quinto ano consecutivo, a comunidade da Gamboa de Cima antecipou a entrega de presentes para Iemanjá, que ocorre no dia 2 de fevereiro, quando é celebrado o dia da orixá. Neste domingo (28), moradores da comunidade, adeptos do candomblé e devotos de Iemanjá participaram do Presente Ecológico da Sereia, que tem uma peculiaridade em relação à celebração tradicional: perfumes, sabonetes e espelhos ficam de fora e dão lugar a materiais biodegradáveis.>
As atividades da ação foram iniciadas na última segunda-feira (22), com uma série de eventos realizados no Solar do Unhão, que culminaram com a oferta do presente. Os participantes saíram em cortejo da sede da associação de moradores do local e seguiram até o píer, onde a sereia feita com materiais biodegradáveis e dois balaios com presentes foram colocados em um barco. De lá, seguem para o mar e entregam as oferendas a Iemanjá.>
Como o objetivo é conscientizar sobre a preservação da natureza, o balaio é retirado da água logo que os materiais são entregues. "Iemanjá quer de nós respeito, amor, entrega e doação. Não são os materiais, mas a entrega do coração", afirma o historiador Marcos Rezende, coordenador-geral do Coletivo de Entidades Negras (CEN).>
Segundo ele, a ideia de antecipar a entrega do presente é conscientizar as pessoas sobre a importância da preservação do meio ambiente e, assim, evitem descartar materiais poluentes como forma de homenagem. "Iemanjá está sempre equilibrando as águas para que nelas as pessoas possam ter equilíbrio. O presente ecológico é uma forma de manter o equilíbrio do meio ambiente", pontua. Foto: Luan Santos/CORREIO No balaio, vão flores e alguns alimentos, como chocolate. Um dos balaios é dedicado a Iemanjá e o outro a Oxum, orixá das águas doces. Todas as oferentes que integram o presente foram preparados durante a madrugada pela equede Noélia Pires, do terreiro Ilê Axé.>
"Começamos os preparos à meia noite e adentramos a madrugada, para que o alimento não fique de um dia para o outro. No presente só tem coisas que os peixes podem comer. A ideia é não prejudicar a natureza, mas sim preservá-la e, ao mesmo tempo, homenagear Iemanjá e Oxum", conta ela, que prefere não revelar quais são os produtos que compõem as homenagens, por se tratar de ofertas aos orixás. Ela é uma das organizadoras do evento desde a primeira edição.>
Além dela e dos moradores da comunidade, outras pessoas também levam presentes. Contudo, todos são avaliados antes de irem ao mar. "Só deixamos passar os materiais biodegradáveis", diz a equede.>
Para ela, a tradição não é quebrada pela falta de perfume e sabonetes, que são muito comuns durante o dia 2 de fevereiro. "De forma nenhuma. A tradição é mantida, mas agora com uma consciência maior sobre a preservação da natureza, mostrando que ela deve estar sempre limpa", pondera.>
Quem também participa desde o primeiro ano é o presidente da associação de pescadores da comunidade, Gerson Bonfim, 54 anos. "O mais importante daqui é a mensagem que passamos, da importância de preservar a natureza, especialmente aquele espaço que é também de onde tiramos nosso sustento, que é o mar", comenta.>
Gerson é um dos que sempre fazem questão de carregar o presente ao longo do cortejo. "É, também, um momento de agradecer pelos peixes, pela saúde, pelo mar, além de renovar os votos para um ano próspero", diz.>
Com flores nas mãos, o cantor Sander Ribeiro também foi entregar presentes para Iemanjá. Pelo primeiro ano ele participou da do presente ecológico. "Sempre vou no dia 2 de fevereiro, mas aqui ainda não tinha vindo. É uma festa muito bonita, que passar uma mensagem muito propícia para o momento, que é de preservação do meio ambiente", diz.>
O cortejo foi iniciado por volta das 11h30 e durou cerca de meia hora. Como a maré iria começar a abaixar às 13h, eles foram para o mar para entregar os presentes com a maré ainda alta. Os cânticos foram conduzidos pelo afoxé Filhas de Gandhy. >