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Anel pode arrancar o dedo? Entenda o acidente que pode levar à amputação

Acidente acontece quando a joia fica presa em uma grade, máquina ou outro objeto e o movimento do corpo provoca uma tração capaz de romper tecidos e vasos sanguíneos

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 2 de outubro de 2026 às 11:06

Anel pode arrancar o dedo? Entenda o acidente que pode levar à amputação
Anel pode arrancar o dedo? Entenda o acidente que pode levar à amputação Crédito: Imagem gerada pela IA

O anel parece um acessório inofensivo, mas, em determinadas situações, pode se transformar em um fator de risco para uma lesão grave. É o que acontece na chamada avulsão por anel, trauma provocado quando a joia fica presa a uma estrutura fixa enquanto o corpo continua em movimento.

O acidente ganhou repercussão após o streamer Lodk ter o dedo anelar amputado depois de o anel ficar preso em uma grade durante o Rock in Rio. O caso chama atenção para um tipo de ocorrência que pode provocar desde cortes e lesões nos tecidos até a perda do dedo. Na avulsão, a força exercida sobre a joia pode comprometer pele, tendões, nervos e vasos sanguíneos. A gravidade depende principalmente da intensidade do trauma e da extensão dos danos provocados.

Como acontece a avulsão por anel?

O mecanismo é relativamente simples: o anel fica preso em uma ponta, gancho, grade ou outra superfície firme, enquanto a pessoa continua se movimentando. A tração exercida sobre o dedo pode provocar uma lesão semelhante a um arrancamento dos tecidos.

“O acidente acontece quando o anel fica preso em alguma ponta ou extremidade firme e o movimento do corpo faz com que ele seja puxado, arrastado para frente e acaba por lesar gravemente ou amputando o dedo”, explica o médico Roberto Luiz Sobania, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM). O problema pode ocorrer durante atividades esportivas, no trabalho ou mesmo em situações cotidianas.

Esportes e trabalho estão entre os principais riscos

Segundo o especialista, acidentes desse tipo são observados principalmente durante práticas esportivas e atividades profissionais que envolvem trabalho manual. Um exemplo é quando uma aliança fica presa em um gancho de uma trave esportiva. O mesmo pode acontecer quando alguém tenta pular um muro ou uma grade usando as mãos e o anel fica preso na estrutura. Máquinas, ferramentas e equipamentos também podem representar risco quando a joia fica enganchada.

Lesão pode levar à amputação

Uma revisão sistemática publicada em 2017 reuniu dados de 20 estudos sobre avulsões por anel, com 572 pacientes. Entre os 314 casos classificados como mais graves, 96 evoluíram para amputação — cerca de 30,6%. Isso não significa, porém, que toda lesão desse tipo termine com a perda do dedo.

A possibilidade de preservação depende de fatores como localização, extensão e gravidade do trauma, além das condições dos vasos e dos demais tecidos atingidos. Quando a lesão permite, técnicas de microcirurgia podem ser utilizadas para tentar recuperar a circulação e preservar o dedo.

Entre as possibilidades estão procedimentos de revascularização e reimplante. Dados publicados em 2026 indicam que determinados tipos de lesão podem apresentar taxas de sobrevivência do dedo próximas de 80% a 85% após essas intervenções. Por isso, a avaliação médica rápida é fundamental depois de um acidente.

Como evitar uma avulsão por anel?

A principal estratégia é simples: retirar o anel antes de atividades nas quais a joia possa ficar presa. A recomendação vale para esportes, trabalhos manuais, uso de máquinas e ferramentas e situações que envolvam contato com grades, ganchos ou outras estruturas.

“Uma forma de minimizar o risco ou a gravidade da lesão é usar anéis fendidos, mas a abordagem mais efetiva é a prevenção. Deve-se evitar a prática esportiva ou trabalhos manuais com anéis”, orienta Sobania.

O cuidado é especialmente importante porque, quando a joia fica presa, uma fração de segundo pode ser suficiente para transformar um movimento comum em um trauma grave.