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Ansiedade sexual cresce entre homens jovens e especialistas fazem alerta sobre excesso de pornografia

Médicos apontam aumento de casos de disfunção erétil psicológica, queda do desejo e dificuldade de intimidade ligados ao consumo compulsivo de conteúdo adulto

  • Foto do(a) author(a) Fernanda Varela
  • Fernanda Varela

Publicado em 24 de maio de 2026 às 07:00

Vício em pornografia
Vício em pornografia Crédito: Shutterstock

O aumento da ansiedade sexual entre homens jovens tem preocupado especialistas em saúde mental e sexualidade. Segundo médicos e pesquisadores da área, a exposição excessiva a conteúdos pornôs altamente explícitos pode alterar a forma como algumas pessoas vivenciam desejo, intimidade e relações afetivas na vida real.

Em entrevista ao O Globo, o urologista colombiano Guillermo Romero disse que o problema não está no consumo ocasional de pornografia, mas no uso frequente e compulsivo como mecanismo para aliviar ansiedade, estresse ou emoções negativas. “Quando o cérebro se acostuma a níveis muito altos de estimulação visual, a resposta diante de experiências sexuais cotidianas pode diminuir”, explicou o especialista.

Vício em pornografia por Shutterstock

Segundo ele, além da redução do interesse sexual em relações reais, muitos homens acabam desenvolvendo comparações irreais sobre corpo, desempenho e performance íntima.

Estudos internacionais vêm analisando os efeitos desse comportamento na saúde sexual masculina. Algumas pesquisas identificaram associação entre o consumo problemático de pornografia e sintomas como disfunção erétil psicológica, diminuição do desejo sexual, ansiedade durante o sexo e menor satisfação nos relacionamentos.

Especialistas também apontam sinais que podem indicar que o consumo deixou de ser saudável. Entre eles estão a necessidade de conteúdos cada vez mais extremos, dificuldade para se excitar sem pornografia, isolamento social, perda de interesse em relações reais e sensação constante de culpa. “O objetivo não é demonizar a sexualidade, mas entender quando o conteúdo digital começa a afetar a vida pessoal ou do casal”, afirmou Romero.

O médico destacou ainda que a saúde sexual masculina passou a ser discutida com mais frequência nas redes sociais, especialmente em temas ligados à testosterona, ansiedade, desempenho sexual e disfunção erétil.

Para ele, um dos maiores desafios atuais é fazer com que homens procurem ajuda médica e psicológica sem vergonha ou tabu. “A saúde sexual também é saúde mental, autoestima e qualidade de vida”, concluiu o especialista.