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Anticoncepcional engorda? Precisa fazer pausa? Ginecologista responde cinco dúvidas comuns

Ganho de peso, fertilidade, esquecimento da pílula e diferenças entre os métodos estão entre as principais questões sobre contracepção

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 3 de setembro de 2026 às 05:20

Anticoncepcional
Anticoncepcional Crédito: Shutterstock

Anticoncepcional engorda? É preciso interromper a pílula de tempos em tempos? O uso prolongado pode causar infertilidade? Essas são dúvidas comuns entre mulheres que utilizam métodos contraceptivos — e algumas respostas dependem justamente do tipo de anticoncepcional e das características de cada paciente.

Para esclarecer os principais questionamentos, a ginecologista Loreta Canivilo explica cinco dúvidas frequentes sobre contracepção.

Uma em cada cinco mulheres grávidas em Salvador testou positivo para ISTs curáveis e não virais por Shutterstock

  • 1. Anticoncepcional sempre causa ganho de peso?
    Não necessariamente. Segundo a ginecologista, não é correto afirmar que todos os métodos hormonais provocam aumento de peso. Cada organismo pode responder de uma maneira diferente. Além do anticoncepcional, alterações na balança podem estar relacionadas a fatores como alimentação, retenção de líquidos, metabolismo, idade e estilo de vida.
    “Cada organismo responde de uma maneira. Alterações de peso podem estar relacionadas a diversos fatores, como alimentação, retenção de líquidos, metabolismo, idade e estilo de vida. Por isso, não podemos atribuir automaticamente qualquer aumento de peso ao anticoncepcional”, explica Loreta. Por isso, a avaliação individual é importante para escolher o método que apresente a melhor relação entre benefícios, possíveis efeitos adversos e necessidades da paciente.

  • 2. É preciso fazer pausas no uso da pílula?
    Não por conta própria. A ideia de que o organismo precisa “descansar” do anticoncepcional não significa que todas as mulheres devam interromper o tratamento periodicamente. De acordo com a especialista, a necessidade de pausa ou de troca do método deve ser avaliada individualmente, levando em consideração o histórico de saúde e o tipo de anticoncepcional utilizado.
    “Não existe uma recomendação geral de que toda mulher precise interromper o uso do anticoncepcional para o organismo descansar”, afirma. Uma interrupção inadequada também pode reduzir a proteção contra a gravidez, especialmente se a mulher voltar a tomar o método sem saber quando a proteção contraceptiva será restabelecida.

  • 3. Usar anticoncepcional por muito tempo causa infertilidade?
    Em geral, não. Os métodos hormonais atuam para evitar a ovulação ou dificultar a fecundação enquanto estão sendo utilizados. Isso não significa que provoquem infertilidade permanente. “O anticoncepcional atua justamente para evitar a ovulação ou dificultar a fecundação durante o período de uso. Isso não significa que ele provoque infertilidade permanente. Depois da suspensão, o tempo de retorno da fertilidade varia de acordo com o método e com as características individuais da mulher”, explica Loreta.
    Assim, se a gravidez não acontecer imediatamente depois da interrupção, não é possível atribuir automaticamente a situação ao anticoncepcional. Outros fatores relacionados à saúde reprodutiva do casal também precisam ser avaliados.

  • 4. Todos os anticoncepcionais hormonais são iguais?
    Não. Pílula, adesivo, anel vaginal, implante, injeções e dispositivos intrauterinos hormonais são métodos diferentes, com hormônios, doses, formas de administração e características próprias. Por isso, a escolha não deve levar em conta apenas a praticidade ou a preferência da mulher.
    “Existem diferentes tipos de hormônios, doses, vias de administração e formas de uso. Além da eficácia contraceptiva, precisamos avaliar o histórico clínico, a idade, os fatores de risco, os medicamentos utilizados e os objetivos daquela mulher”, destaca a ginecologista. A avaliação médica é especialmente importante para mulheres que apresentam determinadas condições de saúde ou fatores de risco e podem ter restrições específicas para alguns métodos.

  • 5. Esquecer uma pílula significa perder a proteção?
    Depende. A conduta varia conforme o tipo de pílula, a quantidade de comprimidos esquecidos e o momento da cartela em que ocorreu o esquecimento. Por isso, não existe uma orientação única que possa ser aplicada a todas as situações.
    “O que fazer diante de um esquecimento depende do anticoncepcional utilizado e do número de comprimidos que deixaram de ser tomados. A mulher deve consultar a bula do medicamento e, quando houver dúvida, procurar orientação médica. Em algumas situações, pode ser necessário utilizar um método adicional de proteção”, orienta Loreta.

Anticoncepcional não protege contra ISTs

Mesmo quando utilizado corretamente, o anticoncepcional não protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Para essa finalidade, o preservativo continua sendo uma das principais formas de prevenção.

Qual é o melhor anticoncepcional?

Não existe um método considerado ideal para todas as mulheres. A escolha deve levar em conta histórico de saúde, rotina, preferências, planos reprodutivos e possíveis contraindicações.

“Contracepção não deve ser uma escolha baseada apenas em relatos de amigas ou informações encontradas nas redes sociais. O que funciona bem para uma mulher pode não ser a melhor opção para outra. Uma consulta ginecológica permite avaliar as alternativas de forma individualizada e segura”, conclui Loreta Canivilo.