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Aos 83 anos, Mick Jagger mantém rotina de treinos intensa; veja o que especialista destaca sobre envelhecer com autonomia

Vocalista dos Rolling Stones combina musculação, dança, corrida, ciclismo, natação e outras atividades; especialista explica por que força, equilíbrio e mobilidade ganham importância com o passar dos anos

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 16 de setembro de 2026 às 16:59

Aos 83 anos, Mick Jagger mantém rotina de treinos intensa; veja o que especialista destaca sobre envelhecer com autonomia
Aos 83 anos, Mick Jagger mantém rotina de treinos intensa; veja o que especialista destaca sobre envelhecer com autonomia Crédito: Reprodução

Aos 83 anos, Mick Jagger mantém uma rotina física que seria exigente até para pessoas mais jovens. O vocalista dos Rolling Stones se prepara para apresentações que envolvem canto, dança e movimentos de alta intensidade e, ao longo dos anos, já relatou treinar cinco ou seis vezes por semana. A preparação combina academia, dança, sprints e exercícios de resistência, além de corrida, ciclismo, natação e kickboxing. Balé, yoga e pilates também fazem parte da rotina, contribuindo para flexibilidade, mobilidade e controle corporal.

Para Fabio Aquino, especialista em Fisiologia do Exercício e CEO da Fisiotrainers, o que mais chama atenção não é apenas a intensidade dos exercícios, mas a relação entre atividade física e autonomia durante o envelhecimento. “Quando vejo Mick Jagger aos 83 anos treinando e mantendo esse nível de atividade, não penso apenas em condicionamento físico. Penso em independência. O grande patrimônio que construímos com o exercício ao longo da vida é chegar à velhice ainda sendo donos do próprio corpo”, afirma.

Idoso de 102 anos que vai à academia de musculação todos os dias por Reprodução

Força passa a ter papel ainda maior com o envelhecimento

Com o passar dos anos, ocorre uma redução progressiva de capacidades como massa muscular, força, potência, condicionamento cardiorrespiratório, equilíbrio e mobilidade. Segundo Aquino, a prática regular de exercícios pode ajudar a preservar essas funções. No caso de Jagger, a variedade de modalidades é um dos aspectos que chamam atenção. A preparação envolve diferentes componentes do condicionamento físico, incluindo resistência cardiovascular, força, mobilidade, equilíbrio, coordenação e flexibilidade.

“Aos 70, 80 anos, não podemos pensar somente em caminhar. Precisamos preservar força, capacidade cardiovascular, equilíbrio e mobilidade. São essas capacidades que determinam se uma pessoa continuará subindo escadas, carregando suas coisas, viajando, trabalhando e vivendo com autonomia”, explica.

O treinamento de força, em particular, ganha outro significado ao longo do envelhecimento. Se antes a musculação era frequentemente associada à estética e ao ganho de massa muscular, ela também pode contribuir para a manutenção da funcionalidade.

Levantar de uma cadeira, subir um degrau, carregar compras ou recuperar o equilíbrio depois de um tropeço são tarefas cotidianas que dependem de força e capacidade neuromuscular. “Depois de determinada idade, músculo deixa de ser uma questão predominantemente estética e passa a ser uma reserva funcional. Quanto mais força e capacidade física conseguimos preservar, maior tende a ser nossa autonomia”, afirma Aquino.

Rotina de Mick Jagger não deve ser copiada

Apesar de chamar atenção, a preparação do cantor não deve ser encarada como uma receita que qualquer pessoa pode reproduzir. Aquino destaca que a capacidade física de cada indivíduo depende do histórico de atividade, da condição cardiovascular, da força, da mobilidade, de eventuais lesões e da capacidade de recuperação.

“Aos 83 anos, começar a correr longas distâncias apenas porque o cantor mantém esse tipo de treinamento pode não ser a melhor estratégia. O organismo de Jagger foi condicionado ao longo de décadas, e sua preparação também está relacionada às exigências físicas de suas apresentações”.

Para o especialista, a progressão deve respeitar as características de cada pessoa. “A mensagem não é: tenha 83 anos e corra 12 quilômetros. A mensagem é: comece a construir hoje o corpo que você gostaria de ter aos 80. Para alguém, isso significará correr. Para outro, caminhar. Para outro, musculação. O importante é criar capacidade e evoluir de maneira segura e progressiva”, destaca.

O benefício de começar antes

Outro aspecto ressaltado por Aquino é que Jagger não iniciou sua relação com exercícios apenas na velhice. Ao longo da carreira, o cantor já descreveu uma rotina que inclui corrida, ciclismo, kickboxing, academia, dança, yoga, pilates e balé. Para o especialista, esse histórico reforça a importância de pensar na saúde física como um projeto de longo prazo.

“Muita gente treina pensando no corpo que quer ter no próximo verão. Eu prefiro pensar também no corpo que essa pessoa quer ter aos 70, 80 ou 90 anos. A estética pode ser uma consequência. A verdadeira conquista é chegar lá com força para continuar vivendo tudo aquilo que você gosta de fazer”.

Exercício vai além de emagrecimento

Na avaliação de Aquino, o caso de Jagger também ajuda a ampliar a maneira como o exercício é encarado. A atividade física pode ser usada não apenas para emagrecer ou modificar a aparência, mas também como parte da preparação para as mudanças naturais do envelhecimento.

O treinamento de força ajuda a preservar movimentos cotidianos, enquanto o trabalho de equilíbrio pode contribuir para reduzir o risco de quedas. Já o condicionamento cardiovascular e a mobilidade estão relacionados à capacidade de manter atividades e independência.

Por isso, segundo o especialista, a discussão sobre longevidade deveria considerar não apenas quantos anos uma pessoa vive, mas como ela chega a essas idades. “Treinar força ajuda a preservar movimentos do dia a dia. Trabalhar equilíbrio pode contribuir para a prevenção de quedas. Já o condicionamento cardiovascular e a mobilidade são importantes para manter a disposição e a independência”.

Para Aquino, o objetivo da longevidade não deveria ser simplesmente acrescentar anos à vida. “Deveria ser acrescentar vida aos anos. E poucas ferramentas têm tanto potencial para isso quanto o exercício físico praticado de forma consistente ao longo do tempo”, avalia.