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Perla Ribeiro
Publicado em 16 de setembro de 2026 às 16:59
Aos 83 anos, Mick Jagger mantém uma rotina física que seria exigente até para pessoas mais jovens. O vocalista dos Rolling Stones se prepara para apresentações que envolvem canto, dança e movimentos de alta intensidade e, ao longo dos anos, já relatou treinar cinco ou seis vezes por semana. A preparação combina academia, dança, sprints e exercícios de resistência, além de corrida, ciclismo, natação e kickboxing. Balé, yoga e pilates também fazem parte da rotina, contribuindo para flexibilidade, mobilidade e controle corporal.>
Para Fabio Aquino, especialista em Fisiologia do Exercício e CEO da Fisiotrainers, o que mais chama atenção não é apenas a intensidade dos exercícios, mas a relação entre atividade física e autonomia durante o envelhecimento. “Quando vejo Mick Jagger aos 83 anos treinando e mantendo esse nível de atividade, não penso apenas em condicionamento físico. Penso em independência. O grande patrimônio que construímos com o exercício ao longo da vida é chegar à velhice ainda sendo donos do próprio corpo”, afirma.>
Idoso de 102 anos que vai à academia de musculação todos os dias
Força passa a ter papel ainda maior com o envelhecimento>
Com o passar dos anos, ocorre uma redução progressiva de capacidades como massa muscular, força, potência, condicionamento cardiorrespiratório, equilíbrio e mobilidade. Segundo Aquino, a prática regular de exercícios pode ajudar a preservar essas funções. No caso de Jagger, a variedade de modalidades é um dos aspectos que chamam atenção. A preparação envolve diferentes componentes do condicionamento físico, incluindo resistência cardiovascular, força, mobilidade, equilíbrio, coordenação e flexibilidade.>
“Aos 70, 80 anos, não podemos pensar somente em caminhar. Precisamos preservar força, capacidade cardiovascular, equilíbrio e mobilidade. São essas capacidades que determinam se uma pessoa continuará subindo escadas, carregando suas coisas, viajando, trabalhando e vivendo com autonomia”, explica.>
O treinamento de força, em particular, ganha outro significado ao longo do envelhecimento. Se antes a musculação era frequentemente associada à estética e ao ganho de massa muscular, ela também pode contribuir para a manutenção da funcionalidade.>
Levantar de uma cadeira, subir um degrau, carregar compras ou recuperar o equilíbrio depois de um tropeço são tarefas cotidianas que dependem de força e capacidade neuromuscular. “Depois de determinada idade, músculo deixa de ser uma questão predominantemente estética e passa a ser uma reserva funcional. Quanto mais força e capacidade física conseguimos preservar, maior tende a ser nossa autonomia”, afirma Aquino.>
Rotina de Mick Jagger não deve ser copiada>
Apesar de chamar atenção, a preparação do cantor não deve ser encarada como uma receita que qualquer pessoa pode reproduzir. Aquino destaca que a capacidade física de cada indivíduo depende do histórico de atividade, da condição cardiovascular, da força, da mobilidade, de eventuais lesões e da capacidade de recuperação.>
“Aos 83 anos, começar a correr longas distâncias apenas porque o cantor mantém esse tipo de treinamento pode não ser a melhor estratégia. O organismo de Jagger foi condicionado ao longo de décadas, e sua preparação também está relacionada às exigências físicas de suas apresentações”.>
Para o especialista, a progressão deve respeitar as características de cada pessoa. “A mensagem não é: tenha 83 anos e corra 12 quilômetros. A mensagem é: comece a construir hoje o corpo que você gostaria de ter aos 80. Para alguém, isso significará correr. Para outro, caminhar. Para outro, musculação. O importante é criar capacidade e evoluir de maneira segura e progressiva”, destaca.>
O benefício de começar antes>
Outro aspecto ressaltado por Aquino é que Jagger não iniciou sua relação com exercícios apenas na velhice. Ao longo da carreira, o cantor já descreveu uma rotina que inclui corrida, ciclismo, kickboxing, academia, dança, yoga, pilates e balé. Para o especialista, esse histórico reforça a importância de pensar na saúde física como um projeto de longo prazo.>
“Muita gente treina pensando no corpo que quer ter no próximo verão. Eu prefiro pensar também no corpo que essa pessoa quer ter aos 70, 80 ou 90 anos. A estética pode ser uma consequência. A verdadeira conquista é chegar lá com força para continuar vivendo tudo aquilo que você gosta de fazer”.>
Exercício vai além de emagrecimento>
Na avaliação de Aquino, o caso de Jagger também ajuda a ampliar a maneira como o exercício é encarado. A atividade física pode ser usada não apenas para emagrecer ou modificar a aparência, mas também como parte da preparação para as mudanças naturais do envelhecimento.>
O treinamento de força ajuda a preservar movimentos cotidianos, enquanto o trabalho de equilíbrio pode contribuir para reduzir o risco de quedas. Já o condicionamento cardiovascular e a mobilidade estão relacionados à capacidade de manter atividades e independência.>
Por isso, segundo o especialista, a discussão sobre longevidade deveria considerar não apenas quantos anos uma pessoa vive, mas como ela chega a essas idades. “Treinar força ajuda a preservar movimentos do dia a dia. Trabalhar equilíbrio pode contribuir para a prevenção de quedas. Já o condicionamento cardiovascular e a mobilidade são importantes para manter a disposição e a independência”.>
Para Aquino, o objetivo da longevidade não deveria ser simplesmente acrescentar anos à vida. “Deveria ser acrescentar vida aos anos. E poucas ferramentas têm tanto potencial para isso quanto o exercício físico praticado de forma consistente ao longo do tempo”, avalia.>