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Lucas Pereira
Publicado em 2 de outubro de 2026 às 13:53
“Estamos muito felizes! Graças à Deus e com a ajuda de todos, a gente, enfim, conseguiu.” Esse é o sentimento de Débora Silva, sobrinha de dona Sonia Pereira Silva, de 52 anos, que estava internada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) dos Barris desde o dia 26 de agosto e conseguiu uma vaga de regulação no Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), na manhã desta sexta-feira (2), após o CORREIO contar a história na edição de hoje do impresso e no digital. >
Natural de Jequié, a costureira chegou à capital para uma consulta no dia 26 de agosto, após apresentar manchas escuras no corpo, sangramentos e ter sido diagnosticada com uma contagem de plaquetas (componentes do sangue que ajudam na coagulação) baixa.>
Veja trechos da auditoria do TCE-BA sobre a regulação de saúde da Bahia
Ela aguardava uma vaga para uma unidade hospitalar com hematologista. Nesse tempo de espera na UPA, a sobrinha relatou que temeu pelo pior, especialmente pelo adoecimento psicológico da tia:>
“Ela fala ‘eu vejo a hora de sair daqui já para ser enterrada’. E aí o psicológico da pessoa, infelizmente, também vai ficando cada vez mais abalado e debilitado. Anteontem faleceu um rapaz que estava do lado do leito dela e também esperava regulação.É horrível, a pessoa fica com medo de acontecer alguma coisa enquanto espera”, disse.>
Segundo informações passadas pela família, Sonia foi encaminhada na manhã desta sexta e já está no HGRS, onde realizou exames para averiguação de seu atual estado de saúde e na identificação do problema das plaquetas.>
A Fila da Regulação, gerida pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), busca organizar e intermediar o acesso da população a consultas especializadas, exames, internações e cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS). A fila funciona por ordem de gravidade/prioridade e não por chegada; quando abre uma vaga, a Central de Regulação faz a gerência e autoriza a transferência do paciente para a unidade. >
“Na prática, a prioridade deve considerar a condição clínica, a gravidade, o risco de agravamento, a vulnerabilidade e a necessidade de cuidado naquele momento. Por isso, uma situação que inicialmente poderia aguardar pode precisar ser reavaliada se houver mudança no quadro clínico”, explica a pesquisadora, professora da Universidade Católica de Salvador, pós-doutora em psicologia da Saúde Joana Azevêdo Lima.>
“A fila precisa ser dinâmica, porque a condição de saúde da pessoa também pode mudar durante a espera. É importante lembrar que a regulação não existe separada das demais políticas de saúde. Ela depende da organização da rede, dos fluxos de referência e contrarreferência e da oferta efetivamente existente em cada território”, completa a pesquisadora.>
Conforme reportagem do CORREIO em dezembro de 2025, uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) revelou uma significativa piora no tempo de espera da regulação de saúde em várias especialidades médicas entre 2019 e 2024.>
O relatório aponta que cirurgias torácicas, hematologia e oncologia figuram entre os atendimentos com as maiores e mais críticas filas no estado. O documento apontou que quem precisou de consultas especializadas com hematólogos aguardava, em média, entre 7 e 8 dias; para oncologia a espera era de 6 e 7 dias.>
Além da demora, a auditoria do TCE-BA identificou outros problemas da regulação da saúde na Bahia, entre eles a predominância de servidores terceirizados, a falta de médicos e profissionais qualificados nas centrais e a centralização da regulação, que desde 2020 absorveu ainda mais casos após os complexos reguladores das regiões Sul e Sudoeste terem sido desmobilizados.>