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Mariana Rios
Publicado em 18 de agosto de 2026 às 16:37
O que o cigarro mudou na sua vida? A resposta pode ajudar outra pessoa a perceber os impactos do tabagismo e até encontrar motivação para tentar parar de fumar. É com essa proposta que o Ministério da Saúde lançou a ação “Conte o que o cigarro não mostra”, que convida fumantes, ex-fumantes, familiares e pessoas que convivem com o tabagismo a compartilhar suas experiências. >
A campanha busca ouvir histórias que vão além das consequências já conhecidas e retratadas nas embalagens de cigarros. Mudanças na rotina, dificuldades nos relacionamentos, impactos na convivência com familiares e amigos e efeitos sobre a qualidade de vida são alguns dos aspectos que podem aparecer nos relatos.>
Os depoimentos serão usados pelo Ministério da Saúde para ajudar na definição de novas imagens e mensagens das embalagens de cigarros e também contribuir para o aperfeiçoamento das políticas públicas de prevenção e controle do tabagismo.>
Famosos que venceram o vício do cigarro
A ideia é mostrar que os efeitos do cigarro não se resumem às doenças provocadas pelo consumo. A experiência de quem fuma, de quem já fumou ou de quem acompanha alguém que enfrenta a dependência também pode revelar consequências que uma imagem dificilmente consegue transmitir.>
Os relatos podem ser enviados até novembro por meio do formulário disponível no site da campanha “Conte o que o cigarro não mostra”. A participação também poderá ser feita pelo QR Code divulgado nas redes sociais do Ministério da Saúde até o fim de setembro.>
A ação tem apoio da área de Comunicação da Anvisa.>
O movimento ocorre em um momento de atenção para o tabagismo no país. Segundo dados do Vigitel, levantamento do Ministério da Saúde sobre fatores de risco para doenças crônicas, 11,7% dos adultos brasileiros fumavam em 2024. O percentual representa uma alta em relação a 2023, quando o índice era de 9,2%. Em 2006, no início da série histórica, 15,7% dos adultos eram fumantes.>
Ao mesmo tempo, aumentou a procura pelo tratamento oferecido gratuitamente pelo SUS. Em 2025, 2,1 milhões de pessoas foram atendidas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) em busca de apoio para parar de fumar. Em 2022, eram 1 milhão; em 2015, 351 mil.>
O tratamento pode incluir acompanhamento individual ou em grupo, orientações para enfrentar a dependência e, quando indicado por profissionais de saúde, medicamentos para controlar sintomas da abstinência, como adesivos e gomas de nicotina e bupropiona. A UBS é a porta de entrada para quem deseja saber como funciona o tratamento na rede pública da região.>
O tabagismo é uma doença crônica provocada pela dependência da nicotina e está relacionado a mais de 50 doenças, incluindo diferentes tipos de câncer, problemas cardiovasculares e doenças respiratórias. No Brasil, o cigarro está associado a cerca de 90% das mortes por câncer de pulmão.>
O país adota uma série de políticas de controle do tabaco, como a proibição da publicidade de produtos derivados do tabaco, a restrição do fumo em ambientes coletivos fechados e as advertências sanitárias nas embalagens.>
Homens ainda são maioria entre os fumantes>
Em 2024, 13,9% dos homens adultos fumavam, contra 9,5% das mulheres. Apesar da diferença, houve redução nos dois grupos desde 2006, quando os índices eram de 19,5% entre homens e 12,4% entre mulheres.>
Outro desafio é o crescimento do uso de dispositivos eletrônicos para fumar. A frequência de adultos que fumam ou utilizam esses produtos passou de 2,3%, em 2019, para 2,4%, em 2024. Entre jovens de 18 a 24 anos, o índice subiu de 7,4% para 10,1% no mesmo período, o maior registrado para essa faixa etária.>