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Thais Borges
Publicado em 19 de agosto de 2026 às 12:26
O sonho de ter a chamada glass skin, expressão usada para definir uma pele uniforme, hidratada e luminosa, transformou os cosméticos coreanos em um fenômeno global. Impulsionada pelas redes sociais, a K-Beauty (Korean Beauty) ganhou espaço entre consumidores brasileiros e aumentou a procura por produtos importados, vendidos principalmente pela internet. >
Apesar da popularidade, a dermatologista Marília Acioli alerta que o uso desses cosméticos sem orientação profissional pode causar reações adversas e prejudicar a saúde da pele.>
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"Os cosméticos coreanos podem, sim, fazer parte de uma boa rotina de cuidados. O problema começa quando eles são comprados por tendência, sem que a pessoa saiba para que servem, em que ordem devem ser usados ou se realmente são indicados para a sua pele", explica.>
Dados do Google Trends mostram que as buscas pelo assunto cresceram 70% em relação ao ano anterior. Em 2025, a K-Beauty esteve entre os temas pesquisados em 62 países. O aumento do interesse também fortaleceu a indústria sul-coreana, que ultrapassou os Estados Unidos e passou a ocupar a segunda posição entre os maiores exportadores de cosméticos do mundo, atrás apenas da França. No Brasil, as importações de produtos coreanos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos chegaram a 1,8 mil toneladas, com movimentação de US$34,6 milhões.>
“Os cosméticos coreanos apresentam formulações modernas e utilizam ativos que possuem respaldo científico, como centella asiática, ácido hialurônico, peptídeos, ingredientes fermentados e PDRN. Muitos deles oferecem excelentes resultados, mas nenhum cosmético é universal. A escolha deve levar em consideração o tipo de pele, as necessidades de cada paciente e a avaliação de um dermatologista”, acrescenta.>
Segundo Marília, um dos principais pontos de preocupação é o crescimento das compras motivadas por recomendações de influenciadores e tendências nas redes sociais. "É cada vez mais comum receber pacientes que compraram cosméticos apenas porque viram um vídeo ou uma indicação na internet. Antes de adquirir qualquer produto, especialmente os importados, o ideal é procurar um dermatologista. A famosa 'pele coreana' não nasceu de um produto específico, mas de uma cultura de cuidados que prioriza proteção solar, hidratação e prevenção desde cedo".>
A procedência dos produtos também merece atenção. Como muitos cosméticos chegam ao Brasil por meio de compras internacionais, há risco de o consumidor adquirir itens falsificados ou comercializados sem cumprir as exigências sanitárias brasileiras. "Além de verificar a procedência, é importante comprar de fornecedores confiáveis. Os cosméticos importados vendidos no Brasil devem seguir as normas da Anvisa. Produtos de origem desconhecida podem conter ingredientes diferentes dos informados na embalagem, estar contaminados ou provocar reações adversas importantes", alerta a médica.>
Marília ressalta ainda que não é preciso abandonar toda a rotina de cuidados para seguir a tendência. De acordo com a dermatologista, os produtos coreanos podem ser incorporados ao skincare e combinados com dermocosméticos tradicionais, desde que a associação seja feita de maneira individualizada.>