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Perla Ribeiro
Publicado em 8 de setembro de 2026 às 13:14
Uma criança com doença autoimune pode tomar a vacina contra o sarampo? Depende de cada caso. Ter uma doença autoimune, por si só, não significa que a criança esteja impedida de receber vacinas. A decisão deve considerar principalmente o estado imunológico e os medicamentos utilizados no tratamento. A atenção é ainda maior quando a criança utiliza medicamentos que interferem no funcionamento do sistema imunológico. Por isso, o calendário de vacinação precisa ser avaliado individualmente pelo pediatra e pelo especialista que acompanha o paciente. >
Segundo a reumatologista pediátrica Roberta Gomes, da Clínica IBIS, o diagnóstico de uma doença autoimune não determina sozinho se uma criança pode ou não ser vacinada. “O diagnóstico de uma doença autoimune não determina, por si só, se a criança pode ou não ser vacinada. É preciso considerar o estado imunológico e, principalmente, o tratamento que está sendo utilizado”.>
Vacina contra sarampo é oferecida gratuitamente pelo SUS; veja quando tomar
Por que a vacina contra o sarampo exige mais atenção?>
A vacina que protege contra o sarampo faz parte da tríplice viral, que também previne caxumba e rubéola. Ela utiliza vírus vivos atenuados. Em situações de imunossupressão importante, a vacina pode ser contraindicada ou precisar ser adiada. Já algumas vacinas inativadas podem ser administradas mesmo por pacientes que utilizam imunossupressores, dependendo da avaliação médica. “É importante não transformar ‘imunossupressor’ em sinônimo de ‘proibido vacinar’. O risco depende do medicamento e da intensidade da imunossupressão”, alerta a especialista.>
O mesmo diagnóstico pode ter recomendações diferentes>
Duas crianças com a mesma doença autoimune podem receber orientações diferentes sobre a vacinação. >
Antes de definir a conduta, o médico deve considerar fatores como:
Por isso, os pais não devem interpretar o diagnóstico da criança ou o uso de um imunossupressor como uma contraindicação automática às vacinas. Deixar de vacinar também pode trazer riscos A avaliação precisa considerar não apenas os possíveis riscos da vacinação, mas também os riscos de manter a criança desprotegida. O sarampo é altamente contagioso e pode provocar complicações como pneumonia, otite, cegueira e encefalite. >
Crianças menores de cinco anos estão entre os grupos com maior risco de desenvolver formas graves. “Quando uma criança com doença imunomediada deixa de receber uma vacina sem que exista uma contraindicação real, ela pode ficar vulnerável justamente a uma infecção que pode ser muito mais perigosa para ela”, afirma Roberta. >
O que os pais devem fazer? >
Pais de crianças com doenças autoimunes ou que utilizam imunossupressores não devem suspender vacinas ou medicamentos por conta própria. A recomendação é levar a caderneta de vacinação ao pediatra e ao especialista responsável pelo acompanhamento da criança. >
Dessa forma, o histórico de imunização pode ser analisado junto com a doença e o tratamento em uso. Em situações específicas, também pode ser necessária uma avaliação em um Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE). A orientação vale inclusive para crianças que estão com vacinas atrasadas.>
Não é necessário esperar uma campanha de vacinação ou o surgimento de casos de sarampo para revisar a caderneta. A equipe de saúde poderá indicar se, quando e como a vacinação deve ser atualizada, levando em consideração as condições clínicas e o tratamento de cada criança.>