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Dietas do TikTok e Instagram funcionam? Especialista explica os riscos por trás das promessas

Nutricionista alerta que dietas populares nas redes sociais podem provocar perda de massa muscular, deficiências nutricionais, efeito rebote e até prejudicar a saúde mental quando seguidas sem orientação

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 4 de agosto de 2026 às 13:09

Dietas do TikTok e Instagram funcionam? Especialista explica os riscos por trás das promessas
Dietas do TikTok e Instagram funcionam? Especialista explica os riscos por trás das promessas Crédito: Divulgação

Vídeos que prometem emagrecer em poucos dias, desafios alimentares e dietas que eliminam grupos inteiros de alimentos somam milhões de visualizações nas redes sociais. Apesar da popularidade, especialistas alertam que essas estratégias nem sempre são seguras e podem trazer consequências para o organismo quando adotadas sem acompanhamento profissional.

Segundo a nutricionista e psicóloga Flávia Lucena, um dos principais problemas dessas dietas é transmitir a ideia de que existe uma fórmula capaz de funcionar para qualquer pessoa. "A perda de peso e a melhora da saúde não dependem apenas de cortar calorias, excluir grupos alimentares ou prolongar jejuns. Cada organismo responde de forma diferente, considerando fatores como genética, composição corporal, estado hormonal, saúde intestinal, qualidade do sono, estresse e presença de doenças", explica.

A dieta planetária nasceu em 2019 com um objetivo incomum: melhorar a saúde das pessoas e reduzir o impacto da produção de alimentos sobre o meio ambiente por Shutterstock

Na prática, isso significa que uma estratégia que funcionou para uma pessoa pode não trazer o mesmo resultado — ou até provocar prejuízos — em outra. Segundo a especialista, muitas dietas que viralizam na internet priorizam apenas a queda rápida do número na balança, sem considerar a qualidade nutricional ou a sustentabilidade da estratégia.

"É comum que essas estratégias provoquem perda de água corporal e até de massa muscular, além de aumentarem o risco de deficiências nutricionais, fadiga, piora do funcionamento intestinal, queda do desempenho físico e cognitivo e o conhecido efeito rebote", afirma. Ela ressalta que, em alguns casos, a pessoa realmente emagrece, mas às custas da perda de músculos e do desequilíbrio do organismo.

Outro ponto importante é que o peso, sozinho, não reflete necessariamente a saúde. Uma redução rápida pode mascarar alterações metabólicas ou agravar problemas já existentes, principalmente em pessoas com resistência à insulina, alterações hormonais, doenças intestinais ou deficiências nutricionais ainda não diagnosticadas.

Por que o efeito rebote acontece?

Flávia explica que restrições severas fazem o próprio organismo reagir para preservar energia. "O corpo tende a responder aumentando a fome, reduzindo o gasto energético e intensificando o desejo por alimentos altamente palatáveis". Como essas dietas normalmente não tratam fatores que favorecem o ganho de peso — como estresse, sono inadequado, sedentarismo e alimentação emocional —, recuperar os quilos perdidos costuma ser uma consequência frequente.

A saúde mental também pode sofrer

Os impactos vão além do aspecto físico. Segundo a nutricionista, quando a alimentação passa a ser guiada pelo medo, culpa ou excesso de restrições, aumentam os riscos de ansiedade relacionada à comida, episódios de compulsão alimentar, queda da autoestima e até desenvolvimento ou agravamento de transtornos alimentares.

Para a especialista, antes de seguir qualquer tendência divulgada nas redes sociais, é importante considerar que não existe uma estratégia alimentar capaz de servir para todos. "Mais importante do que perguntar se uma dieta funciona é perguntar para quem ela funciona, em qual contexto, com qual objetivo e a que custo para o organismo", afirma Flávia Lucena.