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Agência Einstein
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 11:30
A dor no ombro é uma das queixas mais frequentes nos consultórios de ortopedistas e uma das principais causas de desconforto em adultos. Sentir esse tipo de incômodo após os 40 anos é bastante comum, mas descobrir uma alteração na ressonância magnética nem sempre significa doença ou necessidade de cirurgia. Um novo estudo finlandês publicado no JAMA Internal Medicine faz um alerta para o risco de diagnósticos excessivos e tratamentos desnecessários, muitas vezes baseados apenas em exames de imagem. >
Os pesquisadores avaliaram 602 adultos entre 41 e 76 anos e descobriram que, independentemente de sentirem dor, 99% dos participantes apresentavam algum tipo de alteração no manguito rotador. Entre aqueles sem sintomas, 96% tinham alterações detectadas na ressonância magnética; entre os que sentiam dor, o índice era de 98%, ou seja, praticamente todos tinham alguma alteração.>
Dor no ombro: veja os sinais de alerta e como prevenir
“O manguito rotador é um conjunto de quatro tendões com grande importância funcional, sendo responsáveis principalmente pela movimentação e estabilização da articulação do ombro”, explica Marcos Pimentel, ortopedista do Hospital Ortopédico da Bahia, unidade pública gerida pelo Einstein Hospital Israelita.>
Segundo Pimentel, os problemas no manguito rotador realmente se tornam mais frequentes com o passar da idade, geralmente após os 40 anos, porque há uma degeneração natural dos tecidos tendinosos ao longo dos anos. O principal sinal é a dor, especialmente ao levantar o braço ou fazer movimentos acima da cabeça. Em casos mais avançados, o desconforto pode surgir até em repouso, acompanhado de perda de força e limitação dos movimentos. “O diagnóstico deve começar pela avaliação clínica, uma boa conversa com o paciente e realização de exames físicos. Só depois deve ser complementado por exames de imagem, se necessário”, diz o médico.>
De acordo com o estudo, os exames de imagem frequentemente encontram alterações no manguito rotador, incluindo desgaste dos tendões, rupturas parciais e até completas. Uma vez que uma alteração aparece na imagem, ela frequentemente leva à indicação de tratamento, já que, muitas vezes, essas alterações acabam sendo interpretadas como existência de doença, o que pode levar pacientes a tratamentos que talvez nem fossem necessários naquele momento. >
“Na maioria dos casos, os exames de imagem mostram algum grau de degeneração que, na verdade, corresponde a processos naturais do envelhecimento, sem representar uma doença ativa. Na prática clínica, esses pacientes não necessitam de tratamento, mas sim de medidas preventivas, como fortalecimento muscular”, explica Pimentel.>
Ainda segundo o estudo, há uso excessivo de exames de imagem para investigar dor no ombro em pessoas sem trauma, o que também pode levar a diagnósticos e tratamentos equivocados. Por isso os autores sugerem que exames de imagem não devem ser utilizados como único critério para diagnóstico ou tratamento da dor no ombro.>
Pimentel concorda que, hoje em dia, existe um excesso de solicitações de ressonância magnética para avaliar pacientes com dor no ombro. De acordo com ele, o exame só deve ser indicado quando a avaliação clínica mostrar sintomas e sinais sugestivos de alterações patológicas. “No caso do manguito rotador, a ressonância é mais útil quando existem sintomas persistentes associados a alterações no exame físico.”>
O médico ressalta que nem toda dor no ombro vem do manguito rotador. Em alguns casos, a origem do problema pode estar em outras estruturas da articulação ou até na coluna cervical. “Muitas vezes a pessoa é tratada apenas pelo achado da imagem, mas a dor pode ter outra causa que precisa ser investigada e tratada adequadamente”, explica.>
Na maioria dos casos, o tratamento inicial envolve fisioterapia, analgésicos e uso de anti-inflamatórios por curto período para evitar efeitos colaterais. A cirurgia tem indicações bem específicas e deve ficar restrita aos casos de ruptura completa dos tendões ou lesões parciais que não melhoram com o tratamento conservador. >
De acordo com Pimentel, manter a musculatura fortalecida ajuda a proteger a articulação e diminuir a sobrecarga nos tendões dos ombros. Entre os sinais de alerta que merecem avaliação médica estão dor persistente ou progressiva; dor em repouso; perda de força e dificuldade para movimentar o braço. Para prevenção, o médico recomenda fazer exercícios regulares de mobilidade e fortalecer a musculatura do ombro.>