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Perla Ribeiro
Publicado em 11 de setembro de 2026 às 05:30
As condições provocadas pelo Super El Niño podem não atingir todas as regiões brasileiras da mesma maneira — e isso também muda os cuidados necessários dentro de casa. Com o fenômeno ganhando intensidade e previsão de permanência até o início de 2027, diferentes áreas do país podem enfrentar combinações de chuva, calor e períodos de seca capazes de alterar a proliferação de mosquitos e favorecer a presença de insetos rastejantes.>
Uma nova atualização da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indica mais de 90% de chance de o El Niño atingir intensidade muito forte e 69% de probabilidade de alcançar um patamar histórico entre outubro e dezembro. Se confirmado, o evento poderá superar a intensidade de outros episódios registrados desde 1950. No Brasil, entretanto, os efeitos devem variar conforme a região. >
Mosquitos podem transmitir doenças
O Sul tende a concentrar chuvas acima da média, aumentando o risco de temporais, enchentes e inundações. Já o Sudeste pode ter ondas de calor mais frequentes e intensas, intercaladas com chuvas irregulares e períodos de tempo seco. No Centro-Oeste, Nordeste e Norte, a previsão aponta para temperaturas mais elevadas, redução das chuvas e períodos de seca mais intensos. Embora esses impactos não sejam garantidos e possam mudar conforme a evolução das condições atmosféricas, o cenário reforça a importância de adaptar a prevenção às características de cada território.>
Dengue e clima: o que o El Niño pode mudar >
A experiência recente ajuda a dimensionar a importância da preparação. Em 2024, ainda sob influência do forte El Niño de 2023/2024, o Brasil enfrentou a maior epidemia de dengue de sua história, com 6,6 milhões de casos prováveis e mais de 6 mil mortes. O episódio, porém, não significa que o mesmo cenário irá necessariamente se repetir. O histórico serve como alerta para a importância de acompanhar simultaneamente as condições climáticas e epidemiológicas e adotar medidas preventivas antes do aumento dos casos. >
Em julho, o Ministério da Saúde também alertou estados e municípios para a possibilidade de aumento das arboviroses na temporada 2026/2027. Projeções do InfoDengue/Fiocruz citadas pela pasta apontam para cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027. O Ministério ressalta que esse número é uma estimativa construída a partir de cenários climáticos e pode ser atualizado à medida que novos dados forem incorporados. >
Calor e chuva podem favorecer o mosquito >
Para a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, os cuidados precisam levar em conta as condições específicas de cada região. “O calor acelera o ciclo do mosquito, enquanto as chuvas favorecem o acúmulo de água. Nas regiões mais secas, o armazenamento sem vedação adequada também pode criar novos focos”. Por isso, segundo a especialista, a proteção não deve ser concentrada apenas nos períodos em que os casos de doenças já estão aumentando. A prevenção precisa ser contínua e incluir também os ambientes domésticos.>
Seca também exige atenção dentro de casa >
Em períodos de pouca chuva, um dos principais cuidados é evitar que a necessidade de armazenar água acabe criando novos criadouros. Caixas-d'água, tonéis e outros reservatórios devem permanecer bem fechados, enquanto recipientes que possam acumular água precisam ser eliminados ou mantidos protegidos. Já depois de períodos de chuva intensa, a recomendação é fazer uma inspeção no imóvel para identificar pontos de água acumulada, além de verificar calhas, ralos e outros locais que possam favorecer a proliferação de mosquitos.>
Insetos rastejantes também entram no radar >
As mudanças de temperatura e umidade também podem alterar a presença de insetos dentro e ao redor das residências. De acordo com a SBP, além da eliminação de criadouros de mosquitos, é importante manter a casa protegida, com atenção a frestas, ralos, cantos e locais que possam servir de abrigo para baratas e outros insetos rastejantes. A recomendação da marca é combinar medidas ambientais com o uso adequado de inseticidas e repelentes, respeitando sempre as orientações de cada produto.>
“Sabemos que a proteção da saúde começa dentro de casa, especialmente diante de mudanças climáticas que alteram os riscos. As chuvas exigem foco na eliminação da água parada contra mosquitos, enquanto o calor e a seca demandam atenção a frestas e ao controle de baratas, que podem contribuir para a presença de escorpiões”, afirma Letícia Pires, Head de Marketing de SBP. >
Veja os cuidados que podem ser reforçados
Independentemente da região, algumas medidas ajudam a reduzir os riscos:
“A prevenção não deve começar quando os casos aumentam. Diante da possibilidade de intensificação do El Niño, este é o momento de antecipar os cuidados, reforçar a proteção dos ambientes e manter medidas preventivas de forma contínua”, conclui Richtmann.>