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Perla Ribeiro
Publicado em 15 de setembro de 2026 às 05:30
Dor ou queimação no estômago, refluxo, azia frequente e desconforto depois das refeições estão entre os sintomas que levam muitas pessoas ao consultório com uma dúvida comum: será que é hora de fazer uma endoscopia? Para quem já realizou o exame, outra pergunta aparece com frequência: é preciso repetir todos os anos? A resposta é não. A necessidade de realizar uma nova endoscopia digestiva alta depende dos sintomas, do histórico clínico, do resultado de exames anteriores e da existência de alterações que precisem ser acompanhadas. >
O exame permite visualizar o esôfago, o estômago e a primeira parte do intestino e pode auxiliar na investigação de problemas como gastrite, úlceras e alterações relacionadas ao refluxo. “Não existe uma regra que determine que todas as pessoas precisam fazer endoscopia anualmente. Existem pacientes que realizam uma vez para investigar um sintoma e não precisam repetir por muitos anos, enquanto outros necessitam de acompanhamento mais próximo por apresentarem alguma alteração específica”, explica Mateus Antunes Nogueira, cirurgião do aparelho digestivo da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. >
Alimentos ruins para quem tem refluxo
Quando a endoscopia costuma ser indicada? >
A indicação geralmente ocorre quando existem sintomas persistentes ou sinais que precisam de uma investigação mais detalhada.
Entre as situações que podem levar o médico a solicitar o exame estão:
Alguns sinais exigem atenção especial, principalmente quando aparecem de forma inesperada ou indicam piora do quadro. É o caso de perda de peso sem explicação, anemia, sangramentos e vômitos com sangue. “É importante não normalizar sintomas persistentes. Uma azia ocasional depois de uma refeição muito pesada é diferente de um desconforto que acontece com frequência e interfere na qualidade de vida. Quando os sintomas são recorrentes ou surgem sinais de alerta, a investigação se torna necessária”, afirma Nogueira. >
Então, quando é preciso repetir o exame? >
Não existe um intervalo único que sirva para todos os pacientes. Uma pessoa que realizou uma endoscopia e não apresentou alterações importantes pode não precisar repetir o exame durante muitos anos. Por outro lado, determinados achados podem exigir acompanhamento e novas avaliações. >
A repetição também pode ser considerada quando existe necessidade de acompanhar a evolução de uma lesão ou quando o paciente passa a apresentar novos sintomas ou mudança no padrão dos sintomas anteriores. Isso significa que um exame antigo não deve ser usado automaticamente para descartar uma nova investigação. “O intervalo entre os exames não deve ser definido apenas pelo tempo. É preciso avaliar por que aquela endoscopia foi realizada, o que foi encontrado e como o paciente está atualmente. A indicação deve sempre partir de uma avaliação médica”, explica o especialista.>
Fazer endoscopia por conta própria ajuda na prevenção? >
A ideia de repetir exames regularmente para verificar se está tudo bem pode parecer uma estratégia de prevenção, mas não significa que quanto mais endoscopias forem realizadas, melhor será o cuidado com a saúde. Embora seja considerado um procedimento seguro, o exame exige preparo e, na maioria dos casos, sedação. Por isso, deve ser realizado quando existe uma indicação clínica. >
“Prevenção não significa fazer todos os exames possíveis todos os anos. Significa acompanhar a saúde de forma adequada e realizar as investigações necessárias no momento certo. O excesso de exames também não deve substituir uma boa avaliação clínica”, alerta Nogueira. >
O que pode ajudar a preservar a saúde digestiva?>
Alguns hábitos podem contribuir para o bom funcionamento do aparelho digestivo e ajudar a reduzir desconfortos, embora não sejam capazes de evitar todos os problemas.
Entre os cuidados estão:
O uso frequente de medicamentos para azia ou dores no estômago pode aliviar temporariamente os sintomas, mas não necessariamente resolve a causa do problema. “O principal cuidado é observar o próprio corpo. Sintomas persistentes não devem ser tratados apenas com remédios por conta própria. A avaliação médica permite entender a causa do problema e definir se a endoscopia é realmente necessária ou se existem outras formas de investigação”, orienta o cirurgião.>