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Agência Einstein
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 09:37
Na mira da ciência, a microbiota intestinal é destaque em uma revisão publicada recentemente no periódico Food & Function. A análise mostra os benefícios dos polifenóis — compostos antioxidantes encontrados em frutas, café, chá-verde e outros alimentos — para o intestino, com possíveis repercussões positivas na saúde mental. >
“Trata-se de um dos principais grupos de compostos bioativos presentes em vegetais”, destaca o engenheiro de alimentos Mario Marostica, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que realizou o trabalho em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Entre eles, estão pigmentos responsáveis pela coloração arroxeada e avermelhada de frutas como uva e jabuticaba.>
A literatura científica aponta três principais mecanismos envolvidos nos benefícios. O primeiro é uma ação seletiva sobre as bactérias intestinais: por um lado, com o estímulo ao crescimento de microrganismos associados à saúde; por outro, com a redução de linhagens potencialmente prejudiciais.>
Veja características e benefícios das frutas
O segundo mecanismo tem relação com a produção de substâncias geradas a partir do metabolismo. Muitos polifenóis chegam praticamente intactos ao intestino grosso, onde são transformados em compostos mais facilmente absorvidos e biologicamente ativos. O terceiro, por sua vez, envolve os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), produzidos pelas próprias bactérias e que ajudam a manter a barreira intestinal.>
Diversos estudos indicam que essas alterações na microbiota impactam positivamente a saúde mental. É o que se chama de eixo intestino-cérebro, uma via de comunicação que inclui neurotransmissores responsáveis por sensações de bem-estar, como a serotonina. Embora os polifenóis não atravessem a barreira hematoencefálica, estão envolvidos na transmissão de sinais capazes de interferir com as emoções.>
A interação pode ocorrer por meio do nervo vago, uma estrutura que começa no tronco cerebral, faz todo o caminho até o intestino e se conecta, novamente, com o cérebro. “Esse sistema já está bem descrito e pode, futuramente, ser um dos aspectos considerados como coadjuvante no tratamento de males como a ansiedade e a depressão”, comenta o nutrólogo Celso Cukier, do Einstein Hospital Israelita.>
Para ele, o estudo da microbiota e do eixo intestino-cérebro é uma das áreas científicas mais promissoras, e substâncias como os polifenóis têm potencial para atuar junto a medicamentos. Vale mencionar que ainda são necessárias mais investigações para identificar quais desses compostos são os mais atuantes, bem como a quantidade e os perfis que devem se beneficiar dessa estratégia.>
Como os polifenóis atuam no organismo>
Também chamados de compostos fenólicos, o grupo dos polifenóis reúne cerca de 8 mil integrantes, divididos em classes, de acordo com sua estrutura química. Na natureza, são classificados como metabólitos secundários, o que significa que são sintetizados pelas plantas durante seu desenvolvimento, para defendê-las em situações adversas na natureza. Protegem contra raios ultravioleta e intempéries, em tempos de seca ou de muita chuva.>
No nosso organismo, também cumprem papel protetor, sendo reconhecidos pela função antioxidante. Conseguem neutralizar os radicais livres, moléculas desemparelhadas que precisam de elétrons para se estabilizar. Eles interrompem essa sequência, atenuando o estresse oxidativo e preservando as células. Estudos apontam ainda ação anti-inflamatória.>
Entre as classes de polifenóis, a dos flavonoides é a maior, com mais de 5 mil substâncias catalogadas e a que dispõe de mais indícios sobre seus efeitos. Pertencem a esse grupo as antocianinas, pigmentos arroxeados e avermelhados presentes na uva, na jabuticaba, no açaí, entre outros frutos. Tem também a hesperidina e narirutina, exemplos de flavonoides encontrados nos cítricos.>
Há ainda a quercetina da cebola e da maçã, o kaempferol dos brócolis e a catequina do chá-verde. O café contém outros tipos de polifenóis: os ácidos fenólicos, com destaque para o ácido cafeico. Já as frutas vermelhas oferecem o ácido gálico.>
A melhor estratégia para garantir que os polifenóis façam parte do cotidiano é investir em uma alimentação rica e variada em frutas, hortaliças e demais vegetais. “Outro ponto importante é a regularidade, isso porque os efeitos dos compostos fenólicos parecem estar mais relacionados ao consumo habitual do que à ingestão esporádica e em grandes quantidades”, recomenda o pesquisador da Unicamp.>
E não custa enfatizar: as benesses estão atreladas a um estilo de vida saudável, que vai além do cardápio, incluindo atividade física, boas noites de sono e gerenciamento do estresse.>